Hena

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Lawsonia inermis
Lawsonia inermis
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Myrtales
Família: Lythraceae
Género: Lawsonia
Espécie: L. inermis L.

Hena (do árabe الحناء, al-ḥinnā´; em espanhol, alheña ou arjeña) designa tanto uma planta da família das litráceas (Lawsonia inermis L.), como o corante dela extraído.

Planta[editar | editar código-fonte]

A designação Lawsonia inermis vem da expressão "Lawsonia ramis inermibus" escrita por Lineu. Lawsonia por ter sido descoberta pelo físico escocês Isaac Lawson,[1] amigo de Lineu; e inermis graças aos seus ramos, que não apresentam espinhos (como ocorre na Lawsonia spinosa L.).[2] A planta aparece citada no Cântico dos Cânticos (I, 13 e IV, 13): "O meu amado é para mim como um cacho de cipre, (colhido) nas vinhas de Engardi." Bem como: "As tuas palavras formam um jardim de delícias (cheio) de toda qualidade de romãs, de frutos de cipre e de nardo." Em hebraico, tal planta recebe o nome de Copher. E, em latim, pode-se chamá-la Cyprus, tendo dado nome ao Chipre. Porém, não confundir com Cipreste, equivalente ao Gopher hebraico.[3]

Devido ao seu perfume, essa litrácea estaria presente nas 40 libras de mirra utilizadas por Nicodemos para embalsamar o corpo de N. S. Jesus Cristo (S. João XIX, 39). E, além disso, tal planta teria sido utilizada ainda para embalsamar o corpo do Patriarca Jacó (Gênesis L, 2),[4] semelhante ao embalsamamento das múmias do antigo Egito, nas quais se utilizavam a Lawsonia inermis L. seja para efeitos de tingimento e rejuvenescimento das mesmas,[5] uma vez que seus efeitos bactericidas ainda não eram plenamente conhecidos.[6][7]


A Lawsonia inermis é conhecida em algumas regiões do Nordeste brasileiro como "resedá", "rosedá" ou ainda "bogarí", o que pode levar à confusão com as espécies Reseda, Lagerstroemia indica e Jasminum sambac, respectivamente.

Em inglês, a Lawsonia inermis também é conhecida como Mignonette ou Egyptian privet, tendo sido muito popular em fins do século XIX.

Corante[editar | editar código-fonte]

O corante extraído da Lawsonia Inermis L. é muito usado no Chifre e no Norte de África e no Sul da Ásia, seja para colorir os cabelos de castanho, castanho-avermelhado, vermelho, baio ou laranja (dependendo da cor natural do cabelo), seja para tatuar as mãos e o corpo. Esta tatuagem é temporária e desaparece ao fim de uma semana. Outro uso, são nas sobrancelhas, a tinta é aplicada entre um fio e outro para disfarçar as falhas, seu tempo de duração são de duas semanas, se a pele for oleosa esse processo de desbotamento pode ser mais rápido.

O corante de hena é comercializado pela indústria de cosméticos; no entanto, há produtos com aditivos que, para dar um tom mais escuro ao corante, podem causar problemas de saúde.[8] Não é recomendado que mulheres grávidas e crianças façam aplicação de hena, pois ela é rica em chumbo.[9]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Lawson, Isaac». Dictionary of National Biography, 1885-1900. Consultado em 2 de janeiro de 2021 
  2. Linné, Carl von; Salvius, Lars (1753). Caroli Linnaei ... Species plantarum :exhibentes plantas rite cognitas, ad genera relatas, cum differentiis specificis, nominibus trivialibus, synonymis selectis, locis natalibus, secundum systema sexuale digestas... Holmiae :: Impensis Laurentii Salvii, 
  3. «Flora bíblico-poética o historia de las principales plantas elogiadas en la Sagrada Escritura». bibdigital.rjb.csic.es (em espanhol). Consultado em 2 de janeiro de 2021 
  4. «Flora bíblico-poética o historia de las principales plantas elogiadas en la Sagrada Escritura». bibdigital.rjb.csic.es (em espanhol). Consultado em 2 de janeiro de 2021 
  5. Gallo, Francesca R.; Multari, Giuseppina; Palazzino, Giovanna; Pagliuca, Giordana; Zadeh, S. Majid Majd; Biapa, Prosper Cabral Nya; Nicoletti, Marcello; Gallo, Francesca R.; Multari, Giuseppina (abril de 2014). «Henna through the centuries: a quick HPTLC analysis proposal to check henna identity». Revista Brasileira de Farmacognosia (em inglês) (2): 133–140. ISSN 0102-695X. doi:10.1016/j.bjp.2014.03.008. Consultado em 2 de janeiro de 2021 
  6. «Lawsonia inermis (Egyptian privet)». 21 de novembro de 2019. Consultado em 2 de janeiro de 2020 
  7. «Phytochemical Profile and Antioxidant Assay of Ethyl Acetateof Lawsonia inermis (Linn) Leaf Extract». International Journal of ChemTech Research. 2018. ISSN 0974-4290. doi:10.20902/ijctr.2018.110509. Consultado em 2 de janeiro de 2021 
  8. infarmed "Tatuagens de henna negra" Aviso sobre possíveis problemas, no site da Infarmed, Autoridade Nacional de Medicamentos e Produtos de Saúde de Portugal acessado a 5 de junho de 2009
  9. estilo.uol
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