Irmandinhos

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Galiza foi o palco das duas maiores revoltas[1] do século XV, nomeadas revoltas Irmandinhas ou guerras Irmandinhas.

Castelo da Rocha Forte derrubada pelos irmandinhos no 1467

No século XIV chega à Galiza uma nobreza muito guerreira e que atacava os mosteiros, os bispos, os burgueses e os camponeses. Esta nobreza surge depois das lutas de Pedro I de Castela (o cruel) e Henrique II.

Esta nova nobreza (Ossório em Lemos e Sarria, Andrade em Pontedeume, os Sarmiento, os Ulhoas, os Soutomaior ... ) luta contra as instituções despojando-as violentamente das riquezas que lhes pertenciam. A época de conflitos na Galiza foi no século XV ; houve constantes conflitos sociais. De todos eles se destaca "As guerras Irmandinhas " que foram duas: a primeira chamada de “irmandade fusquenlha”, e a segunda, “grande guerra irmandinha”.

Irmandade Fusquenlha[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Irmandade Fusquenlla

A Irmandade Fusquenlha formou-se no ano 1431 nas terras do senhor de Andrade, pela extrema dureza com que Nuno Freire de Andrade, o Mau, tratava os seus vassalos. A revolta iniciou-se nas comarcas de Pontedeume e Betanzos e chegou a espalhar-se pelos bispados de Lugo e Mondoñedo e a derrubar algumas fortaleza dos nobres, como o castelo dos Andrade na vila de Betanzos.

Os desentendimentos internos fizeram que a revolta fracassasse ante as tropas dos Andrade, o rei de Castela e o arcebispo de Santiago. Roi Xordo, um fidalgo da Corunha, dirigiu as tropas da Irmandade Fusquenlha e morreu na repressão posterior à desfeita irmandinha.

Grande Guerra Irmandinha[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Grande Revolta Irmandinha

A Grande Guerra Irmandinha ocorre entre os anos de 1467 a 1469. Os preparativos para a formação duma Irmandade Geral começaram anos antes por parte de Alonso de Lançós e com o apoio de vários concelhos (Corunha, Betanzos, Ferrol, Lugo) que atuaram de forças iniciais do movimento. Neste caso, a revolta irmandinha foi uma autêntica guerra civil pela participação social que chegou a provocar.

Anos de más colheitas e pestes provocaram a revolta popular. Segundo os testemunhos do Pleito Tabera - Fonseca, os irmandinhos seriam por volta de 80 000. Na organização e desenvolvimento da guerra irmandinha participaram vários grupos sociais: camponeses, gentes das cidades, baixa nobreza e fidalguia e alguns membros do clero, como cônegos composteláns que apoiaram economicamente o movimento irmandinho. Os chefes do movemento pertenciam à baixa nobreza. Pedro de Ossório, atuou no centro da Galiza, sobretodo na zona de Compostela, Alonso Lançós, dirigiu a revolta na zona norte da Galiza e Diego de Lemos dirigiu as acções irmandinhas no sul de Lugo e norte de Ourense. O auge do movimento irmandinho foi possível pela existência do que um estudioso do período, Carlos Barros, chama de "mentalidade justiceira e antisenhorial" da sociedade galega baixomedieval, que rejeitava as injustiças cometidas pelos senhores, considerados popularmente como “mal-feitores”.

Os inimigos dos irmandinhos foram fundamentalmente nobres laicos, donos de castelos e fortificações, encomendeiros das principais igrejas e mosteiros. Os irmandinhos destruiram por volta de 130 castelos e fortificações nos dois anos de guerra irmandinha. As linhagens dos Lemos, Andrade e Moscoso foram o alvo preferido dos irmandinhos. Os irmandinhos, pela contra, não atacaram os eclesiásticos. Num primeiro momento, parte da nobreza objecto da ira irmandinha fugiu para Portugal ou para Castela.

Em 1469, Pedro Madruga iniciou desde Portugal o contraataque feudal, contando com o apoio doutros nobres e das forças do arcebispo de Santiago de Compostela. As tropas feudais, contando com uma melhor tecnologia de guerra (sabe-se que as tropas de Pedro Madruga empregaram modernos arcabuzes), venceram os irmandinhos, prenderam e mataram os seus líderes. A vitória das tropas de Pedro Madruga ocorreu por contar com o apoio dos monarcas de Castela e Portugal e pelas divisões das forças irmandinhas. Mas imediatamente, a nobreza vitoriosa viu-se envolvida novamente em liortas dinásticas que prepararam o seu definitivo desarraigamento do território galego.

Referências e Notas

  1. p. 95 de BLICKLE, Peter (1997). Resistance, Representation, and Community: Representation and Community. European ScienceFoundation. [S.l.: s.n.] ISBN 0198205481 

Ver também[editar | editar código-fonte]