João Roiz de Castel-Branco

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de João Ruiz de Castelo-Blanco)
Ir para: navegação, pesquisa
João Roiz de Castel-Branco
Nascimento século XV
Lisboa / Castelo Branco?, Portugal
Morte após 1515
Castelo Branco, Portugal
Nacionalidade Reino de Portugal
Brasão da família Castelo-Branco

João ou Joam Roiz de Castel-Branco, também grafado João Ruiz de Castelo-Branco, foi um cavaleiro nobre português, fidalgo da Casa Real [1], cortesão e poeta humanista.

Vida[editar | editar código-fonte]

Nasceu previsualmente em Lisboa ou em Castelo Branco em meados do século XV e parece ter falecido nesta última cidade depois de 1515. Jaz sepultado na capela-mor da igreja de Santa Maria do Castelo de Castelo Branco, em jazigo armoriado da família de sua mulher, D. Catarina Vaz de Sequeira, neta do mestre da Ordem de Aviz e regente do Reino, D. Fernão Roiz de Sequeira.[2]

Foi filho de D. Rui Gonçalves de Castelo-Branco, fidalgo da Casa Real, do conselho do rei D. Afonso V e cobrador da fazenda na Guarda a partir de 1466.[2] Sua mulher e mãe de João Roiz foi A. Guiomar Vaz de Castelo Branco.

Fez parte das cortes de D. Manuel I e D. João III. A partir de 1515, a mando de D. Manuel, ocupou o cargo de contador da fazenda da Beira e almoxarifado da cidade da Guarda.[1][2]

Do seu casamento com D. Catarina Vaz de Sequeira deixou numerosa descendência, encontrando-se a sua actual representação genealógica na Casa dos Viscondes de Alter de Chão (Caldeira de Castel-Branco).

Obra[editar | editar código-fonte]

Celebrizou-se como poeta, encontrando-se algumas de suas composições integradas no Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, publicado em 1516.[3] Nessa compilação de poemas dos séculos XV e XVI, Roiz de Castel-Branco é um dos mais destacados, junto a Diogo Brandão, Duarte de Brito, Jorge de Aguiar, Francisco da Silveira, Sá de Miranda, Bernardim Ribeiro e o próprio compilador, Garcia de Resende.[3][4]

O seu poema mais conhecido é Cantiga sua partindo-se, poema de amor possivelmente dedicado a uma dama da corte.[3]

Este poema, musicado por Alain Oulman, foi cantado pela fadista Amália Rodrigues no seu disco Fado Português.[3][5] Já o escritor José Saramago, em seu livro Os Poemas Possíveis (1966), usa Partindo-se como base para o seu poema Lembrança de Joam Roiz de Castel'Branco.[6]

Em outro poema do Cancioneiro, escrito em resposta a uma carta de seu primo António Pacheco, que era cortesão em Lisboa, Roiz de Castel-Branco dá uma resposta moralizante em que revela sua aversão à vida cortesã e sua preocupação com o destino dos que vão combater além mar ("Armadas idas d’além | já sabeis como se fazem, | quantos cativos lá jazem, | quantos lá vão que não vem"). O poeta afirma que prefere a vida rústica na Beira apesar de todas as dificultades, e que "por não ser cortesão | fugirei d'aqui té Roma"[3]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b IANTT, Chancelaria de D. Manuel I, liv. 24, fol. 102
  2. a b c José Lopes Dias. Antepassados e descendentes de João Roiz de Castel-Branco, poeta do "Cancioneiro Geral" de Garcia de Resende. Arquivo de Bibliografia Portuguesa. Janeiro-Junho. Coimbra. 1960 [1]
  3. a b c d e Andrée Crabbé Rocha. Garcia de Resende e o Cancioneiro Geral. ICALP Biblioteca Breve. Vol. 31. 1979 [2] (buscar por "Cancioneiro Geral")
  4. Massaud Moisés. A literatura portuguesa. Editora Cultrix, 1999. ISBN 8531602319 [3]
  5. Vítor Pavão dos Santos. Amália, uma história. RTP [4]
  6. Dominique Simone y. Laura Hersh Rychen, Horácio Costa. José Saramago: el periodo formativo. Fondo de Cultura Economica, 2004. ISBN 9681672313 [5]