Kösem Sultan

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Kosem foi uma das mulheres mais poderosas da história do Império Otomano e uma figura importante no chamado Sultanato das Mulheres. Através de seus filhos ela exerceu uma grande influência sobre os assuntos de estado, chegando até mesmo a assumir o posto de regente duas vezes.

História[editar | editar código-fonte]

Não se sabe o ano de nascimento de Kosem, mas a grande maioria dos pesquisadores apontam que ela nasceu em 1589 sob o nome de Anastasya na ilha grega de Tinos. Quando seu pai faleceu, Anastasya foi dada como escrava para o Khan da Criméia[1], mas quando esse líder percebeu a formosura da jovem a enviou como um presente para o harém do sultão Ahmed I do Império Otomano. Assim como Anastasya, o sultão Ahmed não passava de um adolescente.

Dentro do harém, Anastasya foi convertida ao islamismo e recebeu o nome de Mahpeyker, que significa “face de lua”, mas posteriormente o sultão Ahmed a chamaria de Kosem, nome pelo qual ficou conhecida pelo resto de sua vida. Kosem significa “pastor” ou, às vezes, “cabra que leva o rebanho”, um nome que remete à liderança, e tal característica seria uma das principais dela.[2]

Kosem tornou-se favorita do sultão Ahmed, assim como sua Haseki Sultan, ou seja, esposa chefe, a mais importante das mulheres do sultão. Com a morte da Sultana Handan, mãe de Ahmed, e o exilio da Sultana Safiye, avó de Ahmed, Kosem converte-se na figura feminina mais importante do palácio imperial.

Kosem e Ahmed foram pais de nove filhos, dentre estes, nada mais que cinco príncipes. Em 1612, quando um embaixador veneziano visitou a corte otomana, mencionou sobre a mulher do sultão em seus relatórios:

“Uma mulher de beleza e astúcia, além disso, de muitos talentos, ela canta excelentemente e continua a ser extremamente amada pelo rei, não que ela seja respeitada por todos, mas é ouvida em alguns assuntos, ela é a favorita do rei, que a deseja sempre ao seu lado.”

Entretanto tudo muda em 1617 quando o Sultão Ahmed falece na idade de 27 anos. Kosem é enviada para outro palácio e o seu cunhado Mustafá assume o trono, mas é deposto em um golpe de estado do exercito com menos de um ano. Em seguida, o jovem Osman, filho de Ahmed com sua outra consorte de nome Mahifiruz – a essa altura já falecida – assume o trono imperial. Mas assim como seu antecessor, Osman não ficou muito tempo no governo, foi responsável pelo assassinato de seu meio-irmão Mehmet e também ganhou o descontentamento do exercito, além de constantes perdas em campanhas militares, por isso foi tirado do palácio e levado para uma fortaleza distante, onde seria estrangulado até a morte.

Kosem novamente ganha seu poder, mas desta vez como uma Sultana Mãe, pois seu segundo príncipe, Murad, assume o trono. Como Murad tinha somente onze anos, Kosem ganhou a regência imperial, sendo a primeira sultana e mulher a reger o Império Otomano com todas as regalias. Ela se tornou bastante influente nos assuntos de estado e também participava de todas as reuniões com os ministros do Império.

Quando Murad atingiu a maioridade e já podia assumir seus deveres de sultão, Kosem passou a dirigir apenas a corte e o harém do palácio. Murad ficou conhecido na época por ser um sultão guerreiro, e conquistar a cidade de Bagdá para anexá-la ao Império Otomano, todavia mostrou-se cruel quando proibiu o café e o tabaco no território, aplicando punições severas a quem consumia, não obstante, ordenou a execução de seus três irmãos, temendo conspirações reais. O único irmão vivo, Ibrahim, foi exilado na gaiola dourada, uma ala fechada do palácio onde o príncipe permaneceu preso toda sua juventude e inicio da vida adulta, sucumbindo à loucura.

Antes de Murad falecer, com 27 anos, igual ao pai, ordenou que seu irmão Ibrahim fosse executado, para que a dinastia morresse com o sultão, pois nenhum dos seus vários filhos homens passou da infância, contudo a sultana Kosem interveio nessa decisão, salvando o último príncipe da dinastia.

Quando Ibrahim assumiu o trono, mostrou seus sinais de loucura, com ideias, desejos e ordens um tanto quanto estranhas e que desagradavam o povo e a corte, no entanto Kosem passou a governar novamente o Império Otomano. Tendo conhecimento da loucura do seu filho, ela aproveitou-se do fato para presenteá-lo com belas concubinas, a fim de mantê-lo distraído do governo, e deixá-la tomando as principais decisões de estado.

Ibrahim, descobrindo o que a mãe fazia, exilou-a. A guerra entre mãe e filho estava instaurada. Kosem desejava o poder, revelando-se uma mulher completamente ambiciosa e capaz de qualquer coisa para ser a figura mais poderosa no Império. Como Ibrahim não era um sultão muito querido, Kosem autorizou o golpe de estado por parte do exército de janízaros, assentindo para que seu último filho homem fosse estrangulado até a morte, assim ela assumiria a regência em nome de seu pequeno neto Mehmet. E foi o que aconteceu. Kosem novamente tomava as rédeas do Império pelos próximos três anos.

O que Kosem não esperava era que a sultana Turhan, mãe de Mehmet e uma das consortes do falecido Ibrahim, fosse mais esperta e ambiciosa do que ela poderia esperar para uma mulher tão jovem. Turhan também almejava o poder e não iria submeter-se tão facilmente aos desejos da sogra sem lutar. Kosem pensou em eliminar ambos, nora e neto, para colocar no trono outro neto cuja mãe fosse mais dócil e passível aos suas ordens, porém sua escrava de nome Meleki entregou-a para Turhan, que conseguiu armar um plano onde Kosem acabou perdendo. Ela foi assassinada, enforcada com a própria cortina.

Em seguida Turhan assumiu a regência em nome do seu filho, no entanto entregou a maior parte do poder para os ministros, não conseguindo ser tão influente como sua sogra fora um dia. Mas Turhan é considerada a última sultana proeminente na era do Sultanato das Mulheres por sua influência política no reinado do filho.

Kosem tinha um bom relacionamento com o povo e o exercito, além de ser conhecida pelos seus trabalhos de caridade e libertar os seus escravos após três anos. Sua morte a fez ser conhecida como “Mãe Martirizada” e Constantinopla observou três dias de luto. Até hoje a sultana Kosem é considerada a mulher mais poderosa da história turco-otomana.[3]

Referências.[editar | editar código-fonte]

  1. «Kösem Sultan: Magnificent Century continues». The Guide Istanbul (em inglês). 12 de abril de 2017 
  2. «Kösem Sultan: Magnificent Century continues». The Guide Istanbul (em inglês). 12 de abril de 2017 
  3. «Ottoman royalty's most powerful woman: Kösem Sultan». DailySabah