Tomás Leal da Câmara

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Capa da revista "L'Assiette au beurre" de abril 1904

Tomás Júlio Leal da Câmara (Pangim, Índia Portuguesa, 30 de Novembro de 1876Rinchoa, 21 de Julho de 1948) foi um pintor e caricaturista português.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Chegado a Lisboa com quatro anos de idade, veio revelar, desde muito cedo, especial aptidão para o desenho, principalmente, a caricatura. Frequentou o Instituto de Agronomia e Medicina Veterinária, que abandonou em 1896 para se dedicar à defesa do ideal Republicano.

Colaborou em vários jornais da época como O Inferno — Jornal de Arte e Crítica, A Marselhesa, A sátira[1] (1911), A Corja [2] (1898) e O Diabo. A sua colaboração nestes jornais, tecendo críticas violentas à Monarquia e à Igreja, provocou a suspensão das publicações. A forte tendência satírica, levou-o a ser considerado, inimigo da instituição Monárquica, e forçado a exilar-se em Madrid e depois em Paris — onde se fixou a partir de 1900, colaborando no grande jornal de caricaturas L'Assiette au Beurre — e finalmente na Bélgica, vindo a tornar-se reconhecido a nível europeu.

Durante a sua estada em Madrid de 1898 a 1900 mantém uma amizade com o poeta modernista Rubén Darío. Foi também testemunha de um destacado incidente no anedotário das letras espanholas do século XX: o afrontamento verbal e físico num café entre os escritores Ramón María del Valle-Inclán e Manuel Bueno em 24 de Julho de 1899.

Depois da Revolução Republicana de 5 de Outubro de 1910, pôde finalmente regressar a Portugal, fixando-se no Porto.

Também se encontra colaboração artística da sua autoria nas publicações periódicas Branco e Negro [3] (1896-1898), Revista nova[4] (1901-1902), Miau! [5] (1916-), O riso d’a vitória[6] (1919-) e no jornal humorístico Sempre fixe[7] (1926-1932).

  • Fez uma exposição individual das suas obras em Lisboa, em 1912.
  • Em 1915 tornou-se animador de um grupo de artistas — Os Fantasistas, promovendo uma exposição no Palácio da Bolsa, Porto, no ano imediato.
  • Em 1917 organizou uma exposição modernista sobre o tema «Arte e Guerra».

Esteve no Brasil em 1922 e, de volta a Portugal, dedicou-se a representar, em desenhos e aguarelas, figuras populares da zona saloia. Ilustrou os contos para crianças, o que lhe terá despertado o interesse pelos assuntos infantis — que se manifestou na decoração do Jardins-Escola João de Deus.

Viu o seu nome consagrado ainda em vida pela Sociedade de Belas-Artes. Hoje estão presentes trabalhos seus em diversos museus portugueses. A Casa-Museu Leal da Câmara, na Rinchoa, concelho de Sintra, criada em 1945 e instalada na casa onde viveu de 1930 até à sua morte, é um monumento perene à sua vida e obra, testemunha do ambiente político e social conturbado do seu tempo.

Em 1986, foi inaugurada a Escola Secundária de Leal da Câmara, em Rio de Mouro, em sua homenagem.

Referências

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