Leliano

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Leliano
Áureo com efígie de Leliano
Usurpador do Império das Gálias
Reinado fevereirojunho de 269
Antecessor(a) Póstumo
Sucessor(a) Póstumo
 
Nascimento século III
Morte junho de 269
Religião Paganismo

Úlpio Cornélio Leliano (em latim: Ulpius Cornelius Laelianus), melhor conhecido somente como Leliano e erroneamente chamado Loliano (Lollianus) pela História Augusta e Eliano (Aelianus) por Aurélio Victor,[1][2] foi usurpador contra o imperador gálico Póstumo (r. 260–269), ele próprio usurpador contra o Império Romano e fundador do Império das Gálias. Inicialmente um oficial sob Póstumo, talvez um legado ou governador da Germânia Superior ou Inferior, usurpou o trono em Mogoncíaco, capital da Germânia Superior, e permaneceu em revolta por aproximados noventa dias, entre o final de fevereiro e início de junho de 269. As causas de sua revolta ainda são disputadas pelos historiadores, e mesmo seu fim é contraditoriamente explicado nas fontes. Leliano é listado como um dos Trinta Tiranos da História Augusta.

Vida[editar | editar código-fonte]

Áureo de Póstumo (r. 260–269)
Áureo com reverso da Hispânia

A data de seu nascimento e origens são desconhecidas e mesmo as fontes literárias citam-o com nomes errôneos; a História Augusta chama-o Loliano e Aurélio Victor chama-o Eliano. Apenas uma de suas primeiras moedas cita seu nome inteiro: Úlpio Cornélio Leliano. Não há evidência epigráfica e escrita para o ofício que reteve quando se torna proeminente, tendo sido sugerido que foi legado da XXII Legião Primigênia ou governador da Germânia Superior; as fontes escritas aludem a Mogoncíaco, capital da Germânia Superior, como sua futura base de operações, o que dá reforço à segunda hipótese.[3] Uma terceira hipótese, baseada num único áureo seu no qual há a figura da Germânia personificava como Virtude dos Soldados (Virtus Militum) e segurando uma bandeira com uma inscrição que alude à XXX Legião Úlpia Vitoriosa, é que fosse governador da Germânia Inferior;[2] mas desde J. F. Drinkwater se pensa que, na verdade, foi uma tentativa de Leliano de conquistar o apoio da XXX Legião.[4]

No momento de sua revolta contra o imperador Póstumo (r. 260–269), era governador da Germânia Superior e deve ter comandado a XXII Primigênia em sua capital e a VIII Augusta em Argentorato. Sua tentativa de tomar o poder se contextualiza nas dificuldades políticas e militares crescentes que Póstumo enfrentou, sobretudo o cansaço das tropas da Fronteira do Reno. Talvez sua usurpação tenha ocorrido após a campanha militar bem-sucedida contra invasores germanos que a História Augusta atribui a seu reinado[2] ou esteja ligada à invasão no sul chefiada pelo imperador Cláudio II (r. 268–270). A Hispânia, até então pertencente ao Império das Gálias, foi a primeira região a ser reincorporada no Império Romano e isso talvez se justifique no fato de Leliano, como possível hispânico, pudesse obter o apoio da aristocracia local.[5]

Outro ponto de debate é a extensão de seu domínio. Este se centrou em Mogoncíaco, mas parece que tomou Colônia Agripina, permitindo-o ocupar a segunda casa da moeda de Póstumo e transferi-la à sua capital,[6][7] e tentou sem êxito capturar Augusta dos Tréveros.[8] As fontes não indicam o começo e fim exatos da usurpação de Loliano, mas talvez se rebelou em fevereiro ou março de 269. A julgar pelo número de moedas que emitiu em seu nome, sua rebelião deve ter durado ao menos dois ou três meses, até maio ou junho. Foi derrotado e morto por tropas de Póstumo, talvez em Mogoncíaco, e o próprio Póstumo foi morto por suas tropas logo que toma-a por se recusar a deixá-los saqueá-la. Póstumo foi sucedido por Mário.[9] Leliano é um dos Trinta Tiranos da História Augusta.[2]

Numismática[editar | editar código-fonte]

Sua cunhagem foi emitida em Mogoncíaco, não só porque era a base de sua revolta, mas porque várias das matrizes dos reversos de suas moedas foram reutilizadas por Mário para produzir sua cunhagem. Embora os áureos de Leliano tenham alguns tipos diferentes de reversos, seus antoninianos possuem apenas Vitória e Pax. Num de seus áureos, utilizado como indício de sua origem hispânica, há Hispânia personificada reclinada com um coelho ao seu lado.[10]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Martindale 1971, p. 492.
  2. a b c d Polfer 1999.
  3. Potter 2004, p. 265.
  4. Drinkwater 1987, p. 176-177.
  5. Vagi 2000, p. 388.
  6. Drinkwater 1987, p. 143.
  7. Besly 1983, p. 58 e 64.
  8. König 1981, p. 135-136.
  9. Southern 2015, p. 118.
  10. Vagi 2000, p. 392.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Besly, E.; Bland, R. (1983). The Cunetio Treasure : Roman Coinage of the Third Century A.D. Londres: Museu Britânico 
  • Drinkwater, J. F. (1987). The Gallic Empire: Separatism and Continuity in the North-Western Provinces of the Roman Empire, A.D. 260-274. Estugarda: Franz Steiner Verlag Wiesbaden. ISBN 9783515048064 
  • König, I. (1981). Die gallischen Usurpatoren von Postumus bis Tetricus. Munique: Beck 
  • Martindale, J. R.; A. H. M. Jones (1971). «Vlpius Cornelius Laelianus». The Prosopography of the Later Roman Empire, Vol. I AD 260-395. Cambridge e Nova Iorque: Cambridge University Press 
  • Potter, David Stone (2004). The Roman Empire at Bay AD 180–395. Londres/Nova Iorque: Routledge. ISBN 0-415-10057-7 
  • Southern, Patricia (2015). The Roman Empire from Severus to Constantine. Londres e Nova Iorque: Routledge 
  • Vagi, David L. (2000). Coinage and History of the Roman Empire, c. 82 B.C.– A.D. 480. Chicago: Fitzroy Dearborn. ISBN 9781579583163 
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