Tétrico I

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Tétrico I
Imperador do Império das Gálias
Coin of Tetricus I.jpg
Moeda de Tétrico
Reinado 271274 (com Tétrico II)
Antecessor(a) Vitorino
Sucessor(a) Fim do Império das Gálias
  Itália romana
Filho(s) Tétrico II
Mãe Vitória

Caio Pio Esúvio Tétrico (em latim: Gaius Pius Esuvius Tetricus)[1] foi o último imperador do Império das Gálias, reinando entre 271 e 274. Ele governou juntamente com seu filho, Tétrico II, e terminou se rendendo ao imperador romano Aureliano (r. 270–275), que poupou sua vida e deu-lhe um emprego na Itália, onde morreu.

Reinado[editar | editar código-fonte]

Tétrico era um senador nascido em família nobre[1][2] de ascendência gaulesa.[3] Ele foi nomeado para uma posição administrativa pelo praeses (governador provincial) da Gália Aquitânia em 270,[a] uma posição que ele ainda mantinha quando Vitorino foi assassinado no início de 271.[4]

A mãe de Vitorino, a poderosa Vitória, que estava em Colônia Cláudia Ara Agripinênsio (moderna Colônia, na Alemanha), conseguiu manter o controle da corte e, por influência sua - à custa de enorme soma em dinheiro -, conseguiu convencer o exército a declarar Tétrico imperador.[5] Tétrico aceitou a nomeação das tropas e tomou o manto púrpura em Burdígala (Bordéus, França) na Gália.[4][2]

Saindo dali, ele estava a caminho de Augusta dos Tréveros (Tréveris, Alemanha) quando foi forçado a repelir tribos germânicas que tentavam se aproveitar da confusão que se seguiu à morte de Vitorino para invadir a Gália.[4] No final do ano, Tétrico fez de Augusta dos Tréveros sua capital, estrategicamente próxima da vital fronteira do Reno,[2] e celebrou uma "Victoria Germânica", mas já em 272 teve que partir novamente para lidar com uma nova invasão que conseguiu chegar até o rio Loire.[4] Porém, as contínuas invasões ao longo de todo o curso do Reno e pela costa do Canal da Mancha forçaram Tétrico a abandonar as fortalezas na fronteira e usar suas guarnições para defender o interior da Gália.[5]

Apesar das dificuldades com os raides germânicos, Tétrico foi reconhecido como imperador em toda Britânia e maior parte da Gália, com exceção da Narbonense, onde Placidiano, o fiel general do imperador romano Cláudio II Gótico (r. 268–270), havia se estabelecido. Embora ele não tenha feito nenhuma tentativa de expandir seus domínios, Tétrico investiu tempo e recursos para recuperar algumas províncias que haviam sido reconquistadas pelo Império Romano, como a porção sudeste da Aquitânia e parte ocidental da Narbonense.[4] Seja como for, seu regime foi desestabilizado por revoltas em algumas áreas que tentaram alterar sua lealdade para o imperador Aureliano (r. 270–275), como a cidade de Argentorato (Estrasburgo, França) em 272.[5]

Foi para garantir o apoio interno ao seu regime que Tétrico acabou nomeando seu filho, Tétrico, como césar em algum momento de 273, depois de celebrar seu segundo consulado em 1 de janeiro de 273. Porém, os resultados foram pífios e, no final do mesmo ano ou no início do ano seguinte, Faustino, um praeses da Gália Bélgica, se revoltou em Augusta dos Tréveros. Para piorar, no meio de 273 o imperador Aureliano iniciou sua campanha para reconquistar as províncias ocidentais depois de conseguir subjugar Zenóbia (r. 267–274) e seu Império de Palmira no oriente. Preparando-se para a invasão iminente, Tétrico e seu filho celebraram o consulado conjunto em 1 de janeiro de 274 antes de marcharem para o sul para enfrentar Aureliano, que avançava para o norte da Gália.[4] A batalha decisiva ocorreu perto de Châlons-sur-Marne no final de fevereiro de 274, na qual o exército de Tétrico foi aniquilado num evento relembrado como "catástrofe cataláunica".[6] Em março, pai e filho se renderam[5] A propaganda imperial subsequente declarou que Tétrico teria concordado em se render em troca da vida, mas que o preço teria sido a traição de seu exército antes da batalha, que continuara a lutar mesmo depois de saber que seu comandante havia se rendido.[7][4] Alega-se que Tétrico teria citado Virgílio em sua carta para Aureliano (propondo a traição): "resgate-me invicto destas atribulações" ("eripe me his, invicte, malis").[5]

De acordo com as fontes, depois de ser paradeado em Roma como troféus no triunfo de Aureliano, Tétrico e o filho foram poupados pelo imperador.[4] O deposto imperador recebeu o título de "corretor da Lucânia e Brúcio (corrector Lucaniae et Bruttiorum), ou seja, de governador de uma região no sul da Itália.[7][8] Tétrico morreu em data desconhecida ali.[4]

Ele é um dos "Trinta Tiranos" da História Augusta.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Títulos de nobreza
Precedido por:
Vitorino
Imperadores do Império das Gálias
271-274
com Tétrico II (273-274)
Faustino
(usurpador) (274)
Fim do Império das Gálias
Precedido por:
Domiciano II
(usurpador)
Cargos políticos
Precedido por:
Flávio Antioquiano ,
Vírio Órfito ,
Vitorino
Cônsules do Império Romano
271-274
com Aureliano ,
Pompônio Basso,
Tito Flávio Póstumo Quieto,
Júnio Veldumniano,
Marco Cláudio Tácito,
Placidiano
Sucedido por:
Aureliano ,
Capitolino

Notas[editar | editar código-fonte]

[a] ^ Embora Martindale e Jones relatem o ano de seu governo como sendo 269, eles erraram em um ano em todas as suas indicações de anos referentes ao Império Gálico.[1]

Referências

  1. a b c Martindale 1971, p. 885.
  2. a b c Canduci 2010, p. 98.
  3. Potter 2004, p. 261.
  4. a b c d e f g h i Michel Polfer. «Tetricus I (AD 271-273)» (em inglês). Consultado em 20 de abril de 2015 
  5. a b c d e Southern 2001, p. 119.
  6. Potter 2004, p. 274.
  7. a b Canduci 2010, p. 100.
  8. Southern 2001, p. 120.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Fontes primárias[editar | editar código-fonte]

Fontes secundárias[editar | editar código-fonte]

  • Canduci, Alexander (2010). Triumph & Tragedy: The Rise and Fall of Rome's Immortal Emperors. Adelaide: Pier 9. ISBN 978-1-74196-598-8 
  • Martindale, J. R.; A. H. M. Jones (1971). The Prosopography of the Later Roman Empire, Vol. I AD 260-395. Cambridge e Nova Iorque: Cambridge University Press 
  • Potter, David Stone (2004). The Roman Empire at Bay AD 180–395. Londres: Routledge. ISBN 0-415-10057-7 
  • Southern, Pat (2001). «Beyond the Eastern Frontiers». The Roman Empire from Severus to Constantine. Londres: Routledge. ISBN 0-415-23943-5 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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