Lucrécia (Roma)

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O Suicídio de Lucrécia, por Jörg Breu, o Velho

Lucrécia (? — 509 a.C.) foi uma lendária dama romana, filha de Espúrio Lucrécio Tricipitino, prefeito de Roma, e mulher de Lúcio Tarquínio Colatino.

Os historiadores Tito Lívio e Dionísio de Halicarnasso referem que Lucrécia foi violada por Sexto, filho de Tarquínio, o Soberbo, e que se suicidou após ter relatado este facto ao marido e ao pai e pedido vingança.

Neste drama pessoal teria estado o pretexto para o movimento que conduziu à revolução que derrubou o regime monárquico e estabeleceu a república em Roma.

História[editar | editar código-fonte]

De acordo com Tito Lívio[1], um grupo de jovens romanos buscava formas de matar o tempo enquanto sitiavam a cidade vizinha de Ardea. Uma noite, bêbados, estavam competindo para ver quem tinha a melhor mulher, quando um deles, Lúcio Tarquínio Colatino (em latim: Lucius Tarquinius Collatinus), sugeriu que deveriam simplesmente voltar para casa (ficava a poucos quilômetros) e inspecionar as mulheres; isso iria demonstrar, afirmou ele, a superioridade de sua Lucrécia. O que de fato ficou provado: enquanto todas as demais esposas foram descobertas divertindo-se em festas na ausência de seus maridos, Lucrécia fazia exatamente o que se esperava de uma mulher romana virtuosa — trabalhava em seu tear, na companhia de suas criadas. Ela então, de modo submisso, ofereceu um jantar ao marido e a seus convidados.

Mas a consequência foi terrível, pois, durante essa visita, diz a história, Sexto Tarquínio [em latim: Sextus Tarquinius], filho do rei Tarquínio, o Soberbo, sentiu uma paixão violenta por Lucrécia, e poucas noites depois voltou à casa dela. Após ter sido gentilmente recebido, foi até o quarto de Lucrécia e exigiu-lhe que fizesse sexo com ele, ameaçando-a com uma faca. Quando viu que a simples ameaça de morte não a convencia a ceder, Tarquínio passou a explorar o medo dela de uma desonra: ameaçou matá-la e assassinar também um escravo para que ficasse a impressão de que havia sido flagrada na mais infame forma de adultério. Diante disso, Lucrécia cedeu, mas, depois que Tarquínio voltou para Ardea, mandou chamar o marido e o pai e contou-lhes o sucedido. Em seguida se matou.

O estupro de Lucrécia chocou o povo e o exército romanos, que liderados por Lúcio Júnio Bruto (em latim: Lucius Iunius Brutus) exilaram Tarquínio, o Soberbo e seus filhos e deram início a República romana.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Bloch, Raymond. Origens de Roma. Lisboa, Verbo, 1966.
  • Montanelli, Indro. Histoire de Rome. Paris, Éditions Mondiales, 1959.
    • Beard, Mary Ritter (2015). Spqr - Uma História da Roma Antiga. São Paulo: Planeta. pp. 123–124. ISBN 978-1631492228