Método do desaparecimento positivo

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O Método do Desaparecimento Positivo (do inglês: Disappearing Positive Methodology) foi o nome dado a um sofisticado esquema de manipulação do controle antidoping usado na Rússia entre 2011 e 2015 que escondia os resultados positivos de seus atletas das agências e federações internacionais.[1] Segundo a investigação, a fraude, que transformou em negativos pelo menos 312 amostras positivas de vinte esportes, era diretamente controlada e supervisionada pelo Ministério do Esporte da Rússia, com assistência de laboratórios de Sochi e Moscou e agências governamentais como a FSB, nome dado à antiga agência de espionagem KGB.[2]

Após este esquema ser descoberto, a Russia foi punida com a suspensão da participação nos Jogos do Rio, tanto o Olímpico quanto o Paralimpico.[2]

O Esquema[editar | editar código-fonte]

Em maio de 2016, a pedido da Agência Mundial Antidoping (Wada), Richard McLaren, um advogado de Toronto, realizou uma investigação para verificar as acusações de manipulação feitas pelo jornal The New York Times. Na época, o diretor da agencia anti-doping russa (RUSADA), Grigory Rodchenkov, revelou ao jornal um esquema de manipulação de amostras de atletas do país nos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi 2014. Em uma operação realizada durante as madrugadas ao longo da competição, frascos com urina “contaminada” eram esvaziados e preenchidos com urina “pura”, dos próprios atletas, colhidas meses antes. A estratégia teria sido armada pelo governo russo para garantir a hegemonia dos anfitriões no evento. Na ocasião, a Rússia liderou o quadro de medalhas, com 13 ouros e 33 pódios.[1]

Em junho de 2016, às vésperas dos Jogos do Rio, o advogado entregou um relatório, que foi chamado pela imprensa de Relatório McLaren. Sua conclusão: “O Estado russo, através de seu Ministério do Esporte, e com a assistência da polícia secreta (FSB), organizou entre o final de 2011 e agosto de 2015, pelo menos, um sistema que poderíamos chamar de ‘Método do Desaparecimento Positivo’ para proteger os atletas submetidos a doping organizado”.[3]

Segundo este relatório, as modalidades "contempladas" com este esquema foram:

*entre parentesis o número de atletas

  • Atletismo (139)
  • Levantamento de Peso (117)
  • Esportes não-olímpicos (37)
  • Desporto Paralímpico (35)
  • Luta Greco-Romana (28)
  • Canoagem (27)
  • Ciclismo (26)
  • Skating (24)
  • Natação (18)
  • Hoquéi no Gelo (14)
  • Skiing (13)
  • Futebol (11)
  • Remo (11)
  • Biathlon (10)
  • Bobsleigh (8)
  • Judo (8)
  • Volleyball (8)
  • Boxe (7)
  • Handball (7)
  • Taekwondo (6)
  • Esgrima (4)
  • Triathlon (4)
  • Pentatlo Moderno (3)
  • Tiro (3)
  • Voleibol de Praia (2)
  • Curling (2)
  • Basketball (1)
  • Vela (1)
  • Snowboard (1)
  • Tenis de Mesa (1)
  • Polo Aquático (1)

Rodchenkov afirmou que ao menos 100 amostras de urina teriam sido adulteradas em laboratório. Nenhum atleta russo foi flagrado em exames realizados durante os Jogos de Sochi. Mas, de acordo com o ex-diretor, pelo menos 15 russos que foram medalhistas teriam competido sob o efeito de substâncias proibidas.[4]

O esquema funcionava da seguinte maneira: As amostras vinham de controles fora de competição e chegavam ao laboratório de Moscou. Lá, o diretor, Grigory Rodchenkov, analisava e quando encontrava um resultado positivo consultava a agência antidoping, RUSADA, para saber a quem correspondia.[2] Depois, informava diretamente o vice-ministro de Esportes da Rússia, Yuri Nagornykh: “Tal atleta deu positivo”. O político só podia responder com uma palavra em código das duas que tinha: salva ou quarentena. Se respondesse “salva”, Rodchenkov devia informar que o controle era negativo no sistema informático ADAMS, pelo qual a AMA e as federações internacionais são informadas sobre os controles, e depois falsificar o relatório do laboratório. Se o dirigente respondesse “quarentena”, o caso continuava em frente. Os “salva”, que de acordo com as poucas contas que McLaren pôde fazer, classificaram 312 do 577 positivos que foram revisados, geralmente correspondiam aos melhores atletas russos, às esperanças de medalha.[2]

No dia 18 de junho de 2016, a Agência Mundial Antidoping (Wada) divulgou um relatório independente que aponta o envolvimento do Ministério do Esporte da Rússia neste esquema de fraude.[5]

A agência recomendou ao Comitê Olímpico Internacional (COI) e ao Comitê Paralímpico Internacional que os atletas russos sejam excluídos da Olimpíada e dos jogos paralímpicos, do Rio de Janeiro. Além disso, pede que oficiais do governo russo sejam proibidos de frequentar as competições.[5]

Referências

  1. a b globoesporte.globo.com/ Wada liga governo ao doping russo e recomenda banimento da Rio 2016
  2. a b c d brasil.elpais.com/ Assim a Rússia fazia desaparecer o doping positivo de seus melhores atletas
  3. brasil.elpais.com/ Relatório confirma que o Governo russo participava do doping de seus atletas
  4. jornalfloripa.com.br/ Wada confirma esquema de doping supervisionado pelo governo em Sochi
  5. a b radioagencianacional.ebc.com.br/ Agência antidoping sugere exclusão da Rússia da Olimpíada