Malba Tahan

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Ali Iezid Izz-Edim ibn Salim Hank Malba Tahan, ou simplesmente Malba Tahan (crente de Allah e de seu santo profeta Maomé) é o pseudônimo do escritor brasileiro Julio Cesar de Mello e Sousa.

Quando Julio Cesar de Mello e Souza criou o pseudônimo Malba Tahan, não queria apenas criar um pseudônimo, mas fazer com que ele parecesse real, como se houvesse realmente existido uma pessoa com esse nome, uma mistificação literária. Passou então a estudar a cultura e a língua árabes, para que pudesse inventar a biografia de Malba Tahan e para que seus contos árabes fossem convincentes em termos de estilo, linguagem e ambientação.

O primeiro livro escrito como Malba Tahan, Contos de Malba Tahan, logo na primeira página, aparece a ilustração de um árabe (de turbante e longas barbas brancas) escrevendo.

Assim, durante muitos anos o público acreditou que Malba Tahan fosse esse árabe de longas barbas brancas e turbante. Julio Cesar e Malba Tahan passaram a ser então duas pessoas diferentes, havendo aí uma fusão entre o real e o fictício. Por esse motivo, Julio César de Mello e Sousa foi autorizado pelo Presidente Getúlio Vargas a utilizar livremente o nome Malba Tahan, e esse nome é acrescentado em sua carteira de identidade.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Malba Tahan (crente de Allah e de seu santo profeta Maomé) é um “famoso escritor árabe”, que nasceu na Península Arábica, em uma aldeia conhecida como Muzalit, próxima do centro islâmico dos muçulmanos, a cidade de Meca, em 6 de maio de 1895.

Ainda muito jovem, ele foi convidado pelo emir Abd el-Azziz ben Ibrahim a ocupar o posto de queimaçã, ou seja, prefeito, de El-Medina, município da Arábia. Exerceu seu cargo, ou melhor, suas funções administrativas com inteligência e habilidade. Conseguiu também poupar incidentes entre peregrinos e autoridades locais e buscou dar amparo aos estrangeiros que visitavam os lugares sagrados do Islã.

Malba Seguiu seus estudos por Cairo (Egito) e Istambul (Turquia) até receber uma vultosa herança de seu pai e resolver viajar pelo mundo, passando pela China, Japão, Rússia e Índia, onde teria observado e aprendido os costumes e lendas desses povos. Teria estado, por um tempo, vivendo no Brasil. Morreu em batalha em 1921 na Arábia Central, lutando pela liberdade de uma minoria da região da Arábia Central.[1][2]

Seus livros teriam sido escritos originalmente em árabe e traduzidos para o português pelo também fictício Professor Breno Alencar Bianco (outro pseudônimo de Julio Cesar de Mello e Sousa).

O Personagem[editar | editar código-fonte]

Julio César criou o “famoso escritor árabe” Malba Tahan por acreditar que um escritor brasileiro não chamaria atenção escrevendo contos árabes. Para dar mais verossimilhança à história criou também um tradutor para os livros, o Professor Breno Alencar Bianco.

Malba Tahan significa “O Moleiro de Malba”, sendo Malba a denominação de um povoado ao sul da Arábia, e “Tahan” significa moleiro, aquele que prepara o trigo. A palavra Tahan foi tirada do sobrenome de uma de suas alunas (Maria Zachsuk Tahan).

Em entrevista concedida a Silveira Peixoto e a Monteiro Lobato e descrita no Terceiro Volume da obra “Falam os Escritores”[3] em 1941, Mello e Souza narra o nascimento de Malba Tahan

Obras[editar | editar código-fonte]

Julio Cesar escreveu ao longo de sua vida cerca de 120 livros (sendo 69 de contos e 51 de matemática recreativa, didática da matemática, história da matemática e ficção infanto-juvenil), tendo publicado com seu nome verdadeiro ou sob pseudônimo. Os livros assinados apenas como Malba Tahan trazem fábulas e lendas passadas no Oriente, à maneira dos contos de Mil e Uma Noites.

Ano de Lançamento Título Descrição
1927 Céu de Allah
  • Contos orientais.
  • Figuram nesse livro, além de vários outros, três contos famosos: “O livro do destino”, “Os três homens iguais” e “O mendigo das moedas de ouro”. Menção honrosa da ABL.
1929 Amor de beduíno Contos orientais. Prefácio do saudoso Prof. Jean Achar. Capa do professor Chamberland. Os contos foram incluídos em outros livros. É obra muito rara.
1929 Lendas do deserto Contos orientais.
1931 Mil Histórias Sem Fim, vols 1 e 2
1931 Mil Histórias Sem Fim, vols 1 e 2
1933 Lendas do céu e da terra
  • Lendas cristãs.
  • Livro aprovado pela igreja católica.
  • Alguns trechos desse livro já foram citados por ilustres e brilhantes pregadores brasileiros.
  • Adotado como livro de leitura em muitos colégios religiosos do Brasil.
1933 Lendas do oásis Contos orientais.
1935 Maktub Lendas orientais. Com uma carta-prefácio do General Turco Khara Ulugberg.
1935 Amigos Maravilhosos Novela infantil. Todos os episódios são ocorridos no interior do Ceará.
1936 Alma do oriente Contos orientais. Notas curiosas sobre a vida árabe e os nômades do deserto.
A pequenina luz azul Conto infanto-juvenil de origem árabe.
1937 Novas Lendas do Deserto Contos orientais.

Os contos que figuram neste livro passaram para outros do mesmo autor.

1938 O Homem que Calculava: aventuras de um singular calculista persa
1939 Paca, Tatu... Contos infantis. Com um apêndice no qual figuram sugestões e indicações metodológicas sobre a Arte de Contar Histórias. Foi incluída na parte final a história, “História da Onça que queria acordar cedo”, na qual são estudadas as vozes dos animais.
1941 A sombra do arco-íris, vols 1, 2 e 3 Obra em três volumes, com prefácio do autor. Novela oriental para adolescentes, na qual foram incluídos 870 poetas brasileiros e mais de 100 poetas estrangeiros. Figuram no livro os versos mais famosos da língua portuguesa.
1943 Lendas do povo de Deus
  • Contos yidsches. Preces, lendas, parábolas e alegorias israelitas extraídas do Talmude, da Bíblia, de livros santos e das principais antologias judaicas.
  • Figuram nessa obra lendas judaicas e algumas parábolas de Jesus.
1943 O Livro de Aladim Contos orientais, contendo várias notas sobre o Islam.
O Rabi, o Cocheiro e os Anjos de Deus. Contos idsche, para adolescentes, e adultos.
Os Sonhos do Lenhador Conto chinês. Como pode um juiz fazer justiça equiparando a realidade ao sonho.
1947 O Guia Carajá Lenda do sertão do Brasil.
1947 O Inferno de Dante (vols 1 e 2) Tradução anotada e Comentada sob a forma de narrativa. Com a biografia completa de Dante Alighieri.
1950 A Caixa do Futuro
1951 Lendas do bom rabi Seleção de contos.
1951 Minha vida querida Precedido do artigo Radia! Radia! (O Poeta das três Recusas) e biografia de Malba Tahan.
1954 Aventuras do rei Baribê Romance oriental infanto-juvenil. Nesse livro foi incluída a famosa lenda sobre a origem da palavra xibolete.
1954 Seleções Uma seleção dos melhores contos
1955 Meu Anel de Sete Pedras Estudos relacionados com o folclore da Matemática. Adivinhas populares. Unidades pitorescas. Problema da Besta do Apocalipse, etc...
1955 A Lua Astronomia dos Poetas Brasileiros. Estudo da Lua. Lendas e tradições sobre a Lua. A Lua e os mitos simbolismo da Lua. O folclore e a lua. A Lua e o luar na poética brasileira. Erros, crendices e superstições. A verdade sobre a lua.
1955 Sob o Olhar de Deus Romance. Problemas sociais e religiosos de alta profundidade são debatidos nesse romance que não poderá, de forma alguma, interessar às crianças. Mesmo em se tratando de obra estritamente moral, seus conceitos só podem ser assimilados por espíritos esclarecidos.
A Girafa Castigada Conto infantil inspirado no Evangelho.
Al-Karismi Assunto: Recreações Matemáticas.
Lilavati Assunto: Recreações Matemáticas.
1956 Mil Histórias sem Fim
1958 Caixa do futuro Novela infantil. Nesse curioso romance aparece um país chamado Brenan, onde tudo é brenan.
Contos de Malba Tahan 1925
  • Somente o primeiro volume foi assinado pelo Prof Mello e Souza. A partir do 2o, foi assinado por Malba Tahan
  • Com esse livro iniciou Malba Tahan a sua carreira literária.
1959 Novas Lendas Orientais Figuram nesse livro, as lendas mais curiosas do Oriente: “A Primeira Rúpia”, “Treze, Sexta Feira”, “Uma Aventura de amor no Reino do Sião”, etc...
1959 O Bom Caminho Compêndio para educação moral e religiosa. Para o Curso Ginasial. Livro aprovado pela Igreja Católica.
1962 Terceiro Motivo Conto e lendas orientais.
O Tesouro de Bresa Conto que vem relembrar a velha Babilônia.
1967 A Estrela dos Reis Magnos
1967 Romance do Filho Pródigo Romance baseado na parábola do filho pródigo, que é uma das páginas mais comoventes do Evangelho.
1967 Ainda não Doutor
1969 Numerologia Sete notáveis preceitos sobre o nome. A numerologia e seu segredo. O número da Besta do Apocalipse. Os números do Apocalipse. Como proceder ao estudo numerológico do nome.
1970 Iazul Seleção dos mais curiosos e atraentes contos orientais.
1970 Salim, o Mágico Novela ocorrida durante o califado El-Walid, de Damasco, na qual, mercê de acontecimentos dramáticos de absoluta singularidade, um crente de Allah atinge o apogeu do prestígio e da gloria ocupando os mais altos cargos da corte.
1970 O Mistério do Mackensista Estranho caso policial verídico. Trata-se de um livro profundamente humano cuja finalidade é lutar com desassombro por uma causa nobre (reabilitação dos hanseniano). É livro que encerra muitas curiosidades revestidas do mais alto espírito de veracidade.
1974 Belezas e Maravilhas do Céu
A História Da Onça Que Queria Acordar Cedo Conto para criança. A sua finalidade precípua é ensinar ao pequenino leitor mais de cem vozes de animais.

Referências

  1. '"Biografia de Malba Tahan". IN: Minha Vida Querida. Rio de Janeiro: Ed. Conquista, 1959. p. 5-6.
  2. Olegário Mariano. "Malba Tahan". IN: Lendas do Deserto. Rio de Janeiro: Ed. Conquista, 1959. p. 5-7.
  3. [PEIXOTO, Silveira. Falam os Escritores. 3.v. São Paulo: Conselho Estadual de Cultura, 1971-1976.

Links Externos[editar | editar código-fonte]