Martim Moniz

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Martim Moniz (morto em 1147) foi um personagem que participou na conquista de Lisboa, em 1147.

A lenda[editar | editar código-fonte]

De acordo com a lenda, terá sido um nobre cavaleiro que lutou com heroísmo durante aquele cerco, ao lado das forças cristãs sob o comando do rei D. Afonso Henriques (1112-1185).[1]

Ao perceber o entreabrir de uma porta no Castelo dos Mouros, atacou-a individualmente, sacrificando a vida ao atravessar o seu próprio corpo no vão da mesma, como forma de impedir o seu fechamento pelos defensores.

Esse gesto heróico permitiu o tempo necessário à chegada e o acesso dos nobres companheiros, que assim conseguiram penetrar o castelo. Em sua homenagem, esse acesso ficou conhecido como Porta de Martim Moniz. Com este gesto tornou-se assim um glorioso mártir cristão.

A história[editar | editar código-fonte]

Os dois únicos testemunhos coevos da conquista de Lisboa aos mouros são as cartas dos cruzados Osberno ("De expugnatione Lyxbonensi") e Arnulfo, que, em suas narrativas, não citam nem este personagem, nem este episódio. Historiograficamente, Alexandre Herculano considerou como lendário o episódio narrado pela tradição, embora pareça plausível no contexto, à época.

Embora existam controvérsias a nível de pesquisa genealógica, alguns autores acreditam que o personagem na realidade tenha sido filho de D. Monio Osórez de Cabrera e de Maria Nunes de Grijó, casado com Teresa Afonso[2][3][4][5] (que alguns genealogistas apontam como filha bastarda de D. Afonso Henriques e de Elvira Gualter),[6][7] com quem gerou três filhos:

  1. Pedro Martins da Torre (1160-1???), senhor da Torre de Vasconcelos (do qual provém a importante linhagem dos Vasconcelos), casado com D. Teresa Soares da Silva, filha esta do senhor da Domus Fortis, denominada Torre de Silva, D. Soeiro Pires da Silva;
  2. João Martins de Cabreira Salsa (1???-1???);
  3. Martim Martins de Cabreira (1???-12??) (Arcediago da Sé de Braga), que deixou testamento posterior a 1256, em que nomeou por herdeiro o seu sobrinho-neto, Estêvão Anes de Vasconcelos.

Os genealogistas apontam um outro personagem com o nome de Martim Moniz, que teria existido em 1149, casado com Ouroana Rodrigues. Filho de Moninho Viegas, senhor com possessões em Arouca, de onde era abadessa Mór Martins, filha (ou descendente) deste Martim.

Uma terceira versão, atribuída pelos genealogistas a Maria Moniz de Cabreira, irmã do herói de Lisboa, reporta que este teve um filho batizado, mas que nunca soube quem foi o pai.

Alfredo Pimenta, na obra A façanha de Martim Moniz de 1940, comenta a existência de documentos datados desde 1258 que fazem a primeira referência ao portão de Martim Moniz. O Nobiliário do Conde D. Pedro apenas menciona vagamente que se dizia um Martim Moniz ter morrido nesse portão, cujo nome pode advir doutro evento que não a reconquista de Lisboa, nomeadamente a Guerra Civil de 1245-1247.

O monumento[editar | editar código-fonte]

Próximo à Porta de Martim Moniz, na antiga cerca moura de Lisboa, ergue-se um busto do herói. Em uma placa epigráfica de mármore, sobre a porta, colocada por um descendente da família Vasconcelos em meados do século XVII, lê-se:

"El-Rei dõ Afonso Henriques mandou aqui colocar esta statua e cabeça de pedra em memória da gloriosa morte que dõ Marti Muniz progenitor da família dos Vasconcelos recebeu nesta porta quando atravessando-se nela franqueou aos seus a entrada com que se ganhou aos mouros esta cidade no ano de 1147."
"João Roiz de Vasconcelos e Sousa Conde de Castel Melhor seu décimo quarto neto por baronia fes aqui por esta inscrição no ano de 1646."

Martim Moniz é igualmente o nome de uma grande praça no sopé do Castelo de Lisboa (no coração da freguesia do Socorro), bem como da estação de metropolitano que a serve.

Referências

  1. Revista Municipal
  2. Memórias Histórico-Genealógicas dos Duques Portugueses do século XIX, João C. F. C. Castello Branco e Torres e Visc. Sanches de Baena, Academia Real das Sciencias, 1ª ed., Lisboa, 1883, p. 130
  3. Gaio, Manuel José da Costa Felgueiras, Nobiliário das Famílias de Portugal, Carvalhos de Basto, 2ª ed., Braga, 1989, vol. II p. 236 (Barbosas) e vol. X pg. 315
  4. Cristovão Alão de Morais, Pedatura Lusitana - 6 vols., Carvalhos de Basto, 2ª ed., Braga, 1997, vol. I-pg. 82
  5. D. António Caetano de Sousa, História Genealógica da Casa Real Portuguesa, Atlântida-Livraria Editora, Lda, 2ª ed., Coimbra, 1946, Tomo I, p. 38
  6. D. António Caetano de Sousa, História Genealógica da Casa Real Portuguesa, Atlântida-Livraria Editora, Lda, 2ª ed., Coimbra, 1946, Tomo I, p. 36.
  7. Nobreza de Portugal e Brasil, 3 vols, Direcção de Afonso Eduardo Martins Zuquete, Editorial Enciclopédia, 2ª ed., Lisboa, 1989, vol. I, p. 85.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]