Mesazonte

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Mosaico de Teodoro Metoquita (esquerda), o mesazonte do imperador Andrônico II, apresentando o modelo da renovada Igreja de São Salvador em Chora para Cristo Pantocrator

Mesazonte (em grego: μεσάζων; transl.: mesazōn , intermediário; plural:mesazontes) foi uma alta dignidade e oficio durante os últimos séculos do Império Bizantino, que atuou como o ministro chefe e principal assessor do imperador bizantino.

História e funções[editar | editar código-fonte]

A origem do termo remonta ao século X, quando ministros seniores foram às vezes referidos como os mesiteontes (em grego: μεσιτεύοντες; transl.: mesiteuontes), ou seja, "mediadores" entre o imperador bizantino e seus súditos (paradinástevo). O título tornou-se oficial no século XI, quando foi conferido para Constantino Leicuda, o futuro patriarca ecumênico de Constantinopla Constantino III.[1]

No período Comneno, foi concedido aos altos oficiais do governo que atuavam como primeiros-ministros, tal como o caníclio e o grande logóteta, mas ainda não tinha adquirido uma função permanente e específica, nem o poder que o caracterizou em anos posteriores.[1][2] Pelo contrário, foi um título concedido ao principal secretário imperial, que atuou precisamente como um "intermediário" entre o imperador bizantinos e outros oficiais.[3][4] Isto reflete a mudança do governo bizantino sob os Comnenos da antiga burocracia ao estilo romano para uma mais restrita à classe aristocrática dominante, onde o governo foi exercido dentro da família imperial, como na Europa Ocidental feudal.[5]

O ofício de mesazonte tornou-se formalmente institucionalizado no Império de Niceia,[6] quando o titular do mesastício (mesastikion; como a função tornou-se conhecida), serviu como ministro chefe do Império Bizantino, coordenando os outros ministros.[5] Como o historiador e imperador bizantino João Cantacuzeno (r. 1247–1254) registra, o mesazonte foi "necessário pelo imperador dia e noite". Este arranjo foi herdado pelo restaurado Império Bizantino dos Paleólogos e continuou em uso até a Queda de Constantinopla em maio de 1453. O ofício foi também usado com a mesma função nas cortes bizantinas do Epiro, Moreia e Trebizonda. Em último caso, adquiriu o epiteto megas ("grande").[1]

Lista de mesazontes[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c Kazhdan 1991, p. 1346.
  2. Magdalino 2002, p. 252; 258.
  3. Angold 1975, p. 147.
  4. Haldon 2009, p. 544.
  5. a b Haldon 2009, p. 545.
  6. Angold 1975, p. 149.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Angold, Michael (1975). A Byzantine Government in Exile: Government and Society under the Laskarids of Nicaea, 1204-1261. Oxford: Oxford University Press. ISBN 978-0-19-821854-8 
  • Kazhdan, Alexander Petrovich (1991). The Oxford Dictionary of Byzantium. Nova Iorque e Oxford: Oxford University Press. ISBN 0-19-504652-8 
  • Bartusis, Mark C. (1997). The Late Byzantine Army: Arms and Society 1204–1453. Filadélfia: University of Pennsylvania Press. ISBN 0-8122-1620-2 
  • Haldon, John F. (2009). «The State - 1. Structures and Administration». The Oxford Handbook of Byzantine Studies. Oxford: Oxford University Press. ISBN 978-0-19-925246-6 
  • Magdalino, Paul (2002). The Empire of Manuel I Komnenos, 1143–1180. Cambridge: Cambridge University Press. ISBN 0-521-52653-1