Mumbuca

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Mumbuca
Localização
País Brasil
Estado Tocantins
Município Mateiros
Características geográficas
População total 1,490 hab.

Mumbuca é um povoado localizado no município de Mateiros, no estado do Tocantins,[1] numa área próxima à rodovia TO-110 (trecho entre Mateiros e São Félix do Tocantins). A comunidade é formada por 165 moradores, em sua maioria descendentes de escravos que saíram da Bahia em 1909, buscando melhores condições de vida.

A expressão indígena "mumbuca" refere-se a um tipo de abelha azul muito comum nessa região.

Sobre a comunidade[editar | editar código-fonte]

Mumbuca é literalmente uma grande família que nasceu da miscigenação de índios e negros. As famílias se misturam e todos passam a ter algum grau de parentesco. O povoado é muito acolhedor e recebe os visitantes com música e alegria.

Homens e mulheres têm papéis definidos na comunidade. Os homens cuidam do plantio da mandioca, da batata, do feijão, do arroz, do milho, da banana, do maxixe e da abóbora. As mulheres realizam a colheita e a preparação da farinha, além de produzirem as peças artesanais de capim dourado.[2]

Existem hortas familiares e comunitárias. Também podem ser encontradas pequenas criações de porcos, galinhas e gado. Os peixes da região são: o piabanha, o jaú, o cachorra e o barbado.

Existe uma associação de artesãs que se organizam para produzir e comercializar as peças artesanais de capim dourado. A colheita do capim é feita de 20 de setembro até o início das chuvas em novembro. A comunidade de Mumbuca respeita as técnicas de manejo sustentável do capim, embora existam pessoas da região infringindo as leis e colhendo o capim fora de época. O desafio para eles é grande, já que são a comunidade pioneira na arte do capim dourado e sabem da importância da sua preservação.

É marcante em Mumbuca a presença feminina na liderança organizada. As mulheres presidem a Associação do Capim Dourado, realizando o controle da venda e da distribuição das verbas oriundas do artesanato.

A tradição do artesanato com o capim dourado tem sido passada de geração para geração. Guilhermina Ribeiro da Silva, a dona Miúda, conta que sua mãe aprendeu as técnicas com os índios. Além do capim dourado, as artesãs utilizam a palha de buriti (outra espécie local) para tecer os produtos.

A alternativa econômica está ajudando a população, uma das mais pobres de toda a região, mas precisa ser administrada com cuidado para preservar a natureza local. A venda de artesanato é a atividade que mais contribui para a geração de renda, mas eles também praticam a agricultura de subsistência e geram alguns recursos com o turismo.

Os problemas que a comunidade aponta estão relacionados à questão da educação, da energia e do asfaltamento das estradas da região.

Uma jovem da comunidade, a Ana Cláudia, neta de Dona Miúda lidera o Projeto Amiguinhos da Natureza. Este projeto ensina o respeito pela natureza e as tradições locais. Ela demonstra uma grande preocupação em preservar e resgatar a identidade do Povoado Mumbuca.

Histórico[editar | editar código-fonte]

No início do século XX a comunidade era bastante isolada e seus habitantes andavam quatro dias para chegar a cidade mais próxima, Porto Nacional.

O interessante é que esta comunidade foi formada a partir do encontro dos negros, que migraram do sertão baiano com os índios da região, provavelmente os Xerente. Ainda hoje, existe uma consciência étnica referenciada nos índios e nos negros. O artesanato em capim dourado, ao que tudo indica, surgiu dessa relação entre índios e negros. Pessoas locais contam que há muito tempo o capim dourado é uma fonte de geração de renda.

Em 2000, houve uma ameaça de Mumbuca ser desapropriada para o Parque Naturatins, mas a comunidade se mobilizou e mais uma vez resistiu as adversidades e permaneceu no Jalapão. A comunidade é reconhecida como comunidade Quilombola pela Fundação Palmares.

Nesta época, o Vô Dió, o senhor mais velho da comunidade, disse que só conseguiriam tirá-lo da terra de Mumbuca morto, pois ele perdeu os pais quando criança e, para ele seus pais são a terra e a natureza do Jalapão.

Pop: 1.490 pessoas (IBGE)

Referências

  1. SILVA, Ana Claudia Matos da. Uma escrita contra-colonialista do quilombo Mumbuca Jalapão - TO. 2019. 107 f., il. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Sustentável)—Universidade de Brasília, Brasília, 2019.
  2. «Mumbuca». Agência de Desenvolvimento Turístico do Estado de Tocantins. Consultado em 24 de novembro de 2012 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]