Mutum-do-nordeste

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Imagem do mutum-do-nordeste feita no século XIX.
Imagem do mutum-do-nordeste feita no século XIX.
Estado de conservação
Espécie extinta na natureza
Extinta na natureza (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Galliformes
Família: Cracidae
Género: Mitu
Espécie: M. mitu
Nome binomial
Mitu mitu
(Linnaeus, 1766)
Sinónimos
  • Pauxi mitu
  • Crax mitu (Linnaeus, 1766)

O mutum-do-nordeste ou mutum-de-alagoas (Mitu mitu) é uma ave da família Cracidae encontrada originariamente na Mata Atlântica brasileira.

Atualmente extinta na natureza devido à destruição de seu habitat para o plantio de cana-de-açúcar e pela caça desregrada, no Nordeste brasileiro, daí a sua denominação.

No início dos anos 70 havia registros de cerca de 20 indivíduos ou menos, em quatro fragmentos de floresta. Em 1976, Pedro Mário Nardelli obteve o primeiro exemplar, uma fêmea de seis anos, que morreu pouco depois. Em 1979, conseguiu cinco exemplares, dois machos e três fêmeas, sendo que um casal não se reproduziu[2]. Assim, todo o conjunto gênico da espécie é oriundo de apenas um macho e duas fêmeas. Trata-se de um dos primeiros casos de extinção de uma ave no Brasil devido à intervenção humana. Inicialmente, os exemplares estavam localizados em um aviário localizado no Rio de Janeiro (criatório Nardelli), os quais foram capturados em Alagoas, de 1976 em diante. Em 1979 a espécie chegou a contar com apenas cinco exemplares em cativeiro[3], hoje em dia, ultrapassa os 200. Os únicos sobreviventes estão em criadouros e descendem daqueles representantes salvos por Pedro Nardelli, alguns são híbridos do mutum-cavalo[4], espécie utilizada inicialmente para garantir a continuação da linhagem do mutum-do-nordeste. Com o sucesso da reprodução em cativeiro, os híbridos se tornaram um problema e tiveram que ser separados das aves puras.

A única chance de evitar sua definitiva extinção é reproduzi-lo em cativeiro e reintroduzi-lo na natureza, em áreas protegidas. Infelizmente em sua área de ocorrência (Mata Atlântica de Alagoas e Pernambuco) existem poucos remanescentes de mata e estes poucos trechos sofrem ainda grande pressão de caça pelos moradores da região. Outra grande ameaça a essa espécie é a consanguinidade, pois os exemplares restantes são parentes próximos.

Criadouros autorizados a criar o mutum-de-alagoas[5][editar | editar código-fonte]

  • CRAX - Sociedade de Pesquisa da Fauna Silvestre - MG (das 250 aves existentes hoje, 200 nasceram no CRAX)
  • Criadouro Científico e Cultural Poços de Caldas - MG
  • Instituto Pauxi Mitu – SP
  • Criadouro Fazenda Cachoeira – Entre Rios De Minas – MG
  • Zoológico Foz Do Iguaçu – Parque Das Aves – PR
  • Zooparque Itatiba – SP
  • Zoológico De Sorocaba – SP
  • Criadouro Onça Pintada – PR
  • Criadouro Guaratuba PR

Reintrodução à natureza[editar | editar código-fonte]

Em 22 de setembro de 2017, um casal da espécie foi reintroduzido em seu estado natal, onde está em processo de adaptação em um viveiro de 390m²[6].

O espaço será aberto ao público em 2020[7], e um contrato entre a Usina Utinga Leão e o IPMA, que durou 10 anos e foi prorrogado por mais 20 anos, permitirá que outros três casais da ave sejam levados à Alagoas e reintroduzidos na natureza.

Características[editar | editar código-fonte]

Mede cerca de 83 centímetros de comprimento e pesa entre 2,75 a 3,0 quilogramas.

Alimentação[editar | editar código-fonte]

Consta que se alimenta de frutos (Eugenia sp. e Phillocantus sp.), caídos no solo, sob as fruteiras e milho.

Reprodução[editar | editar código-fonte]

Em 1978, um ninho foi encontrado em árvore, a média altura, oculto pela folhagem. Em cativeiro, a postura, em geral, é de 2 ovos e a fêmea começa a botar ovos a partir dos 3 anos.

Hábitos[editar | editar código-fonte]

Seu habitat natural é a Mata Atlântica densa, onde vivia no chão.

Referências

  1. BirdLife International 2012 (2012). Mitu mitu (em Inglês). IUCN 2012. Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN de 2012 . . Página visitada em 19 de dezembro de 2012..
  2. «Reintrodução do mutum-de-Alagoas está próxima da realidade | ((o))eco». www.oeco.org.br. Consultado em 28 de abril de 2018 
  3. «Criados para a liberdade | ((o))eco». www.oeco.com.br. Consultado em 28 de abril de 2018 
  4. «A gaiola que salva | Revista Pesquisa Fapesp». revistapesquisa.fapesp.br. Consultado em 28 de abril de 2018 
  5. «Plano de Ação – Instituto Pauxi Mitu». institutopauximitu.com.br. Consultado em 28 de abril de 2018 
  6. «Depois de 30 anos extinto, mutum-de-alagoas é reintroduzido na natureza». Conexão Planeta. 21 de setembro de 2017 
  7. «Extinto na natureza, mutum-de-alagoas será exibido pela 1ª vez em cativeiro». Ambiente-se 
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