Niccolò Niccoli

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Niccolò Niccoli
(1364-1437)
Amostra de um manuscrito usando o tipo cursivo, desenvolvido por Niccolò Niccoli.
Nascimento 1364
Florença,  Itália
Morte 22 de janeiro de 1437 (73 anos)
Florença,  Itália

Niccolò Niccoli (1364-1437) (* Florença, 1364 - † Florença, 22 de Janeiro ou 3 de Fevereiro[1] de 1437), foi humanista, bibliófilo, literato e bibliotecário italiano. Junto com Petrarca, Luigi Marsili (1342-1394)[2], Coluccio Salutati, Poggio Bracciolini e Cosimo de' Medici (1389-1464) foi um dos maiores colecionadores de livros de sua época, e inventor da escrita cursiva. Foi amigo de Leonardo Bruni (1369-1444), Lorenzo Valla, Ambrogio Traversari, Paolo Toscanelli e Nicolau Cusano (1401-1464).

Biografia[editar | editar código-fonte]

Niccolò nasceu em Florença, filho de um comerciante de lãs, Bartolomeo Niccoli, e logo seguiu a arte do pai junto com os irmãos até quando, atraído pelo clima cultural florentino do fim do século, começou a frequentar o Círculo do Espírito Santo e a participar das reuniões acadêmicas dos literatos e frequentadores, como Luigi Marsili e Coluccio Salutati, tornando-se assim ferrenho defensor da nova corrente humanística.

Dedicou-se quase completamente aos estudos da Antiguidade tornando-se exímio colecionador e bibliófilo, contando com o apoio de Cosimo de' Medici e, sob a orientação de Poggio Bracciolini, adotou o uso de tipos minúsculos carolíngeos e enfileirando-se no rol dos refinados copistas da literatura clássica cuja divulgação se traduziu através de suas numerosas publicações.

Fez parte do círculo de estudiosos que o incentivaram ao estudo do grego primeiro com Manuel Crisolaras, de 1397 a 1440, seguido por Guarino Veronese, Giovanni Aurispa (1376-1459), e finalmente Francesco Filelfo (1398-1481)[3].

O seu classicismo intransigente e o seu caráter intolerante foram a causa das numerosas inventivas escritas pelos seus adversários como Guarino e Filelfo, e também de amigos como Leonardo Bruni, que também o acusou de falta de criatividade. Ele era visto principalmente como um esnobe apaixonado pela filologia latina, que muitas vezes criticava os mais experientes de usar o vulgarismo, fruto da contração de termos latinos: por isto não apreciava os autores de língua vulgar e várias vezes declarou sua aversão por Dante, Petrarca e Boccaccio, preferindo claramente Lucrécio, Plauto, Virgílio e Cícero. O seu rigor ortográfico se baseia frequentemente nas raízes do humanismo florentino, despertando um interesse pelo classicismo e pela pureza que logo se estenderam também às artes visuais.

Niccoli foi um grande pesquisador dos manuscritos gregos e latinos assim como seu amigo Nicolau de Cusa e frequentemente se erigia em promotor das pesquisas dos amigos, como no caso dos cardeais Niccolò Albergati (1375-1443) e Giuliano Cesarini (1398-1444) [4] para os quais ele preparou em 1431 o Itinerarium ou Commentarium que consistia em uma lista de autores latinos que deveriam ser pesquisados nos monastérios alemães.

Durante as duas viagens realizadas em 1424 e 1426 ele ficou impressionado com a quantidade e beleza das ruínas romanas e começou a colecionar com paixão obras de arte (pinturas, mármores, vasos, artigos de bronze, moedas, inscrições) que recolheu em sua casa.

Vespasiano da Bisticci (1421-1498) escreveu na sua obra Vite (Vidas) um perfil de Niccolò Niccoli definindo-o como uma pessoa de cultura refinada.

Interessou-se também pelo estudo da geografia e segundo testemunho de algumas pessoas, dentre eles Guarino, ele foi o autor de um tratado ortográfico, ainda inexistente, a única obra da qual se tem notícia[5].

Quando ele morreu em 22 de Janeiro de 1437, todos os manuscritos que ele possuía, por volta de oitocentos livros, dos quais cem eram em grego, foram entregues, (em obediência a disposição testamentária e confiados a dezesseis executores), a Cósimo de' Medici, que os doou à biblioteca dominicana do Convento de São Marcos. Foi sepultado na Basílica de Santa Maria do Espírito Santo, em Florença.

Referências[editar | editar código-fonte]

Veja também[editar | editar código-fonte]

Anexo:Lista de humanistas do Renascimento

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Encyclopedia Britannica.
  2. Ludovico Marsiglio (1342-1394) , agostiniano e erudito italiano. Foi duas vezes indicado para o bispado de Florença, porém não chegou a assumir. Foi amigo de Petrarca.
  3. Francesco Filelfo (1398-1481) (* Tolentino, 25 de Julho de 1398 - † Florença, 31 de Julho de 1481), foi humanista e pedagogo italiano.
  4. Giuliano Cesarini (1398-1444) (* Roma, 1398 - † Varna, 10 de Novembro de 1444) foi um cardeal italiano.
  5. Infelizmente, ele retirou essa obra de circulação depois de um crítica feita por Guarino.