Cosme de Médici

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Question book.svg
Esta página ou secção não cita fontes confiáveis e independentes, o que compromete sua credibilidade (desde agosto de 2015). Por favor, adicione referências e insira-as corretamente no texto ou no rodapé. Conteúdo sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)
Cosme de Médici
Senhor de Florença
Cosmo de Médici, um dos mais importantes mecenas do Renascimento.
Reinado 5 de setembro de 1434 - 1 de agosto de 1464
Consorte Contessina de Bardi
Antecessor(a) Rinaldo degli Albizzi
Casa Médici
Nome completo
Còsimo di Giovanni degli Mèdici
Nascimento 27 de setembro de 1389
  Flag of Florence.svg República de Florença
Morte 1 de agosto de 1464 (74 anos)
  Villa Medicea di Careggi, Florença
Ocupação Banqueiro, político
Filho(s) Pedro Cosme
João Cosme
Carlos
Pai João de Médici
Mãe Piccarda Bueri
Religião Católico romano

Cosme de Médici (em italiano: Cosimo de' Medici), dito o Velho (il Vecchio; Florença, 27 de setembro de 1389Careggi, 1 de Agosto de 1464) foi um banqueiro e político do século XV, fundador da dinastia política dos Médici, tendo sido governante de Florença de 1429 a 1464.

Filho de João de Bicci de Médici, embrenhou-se na condução do Banco Médici, fundado pelo pai em 1397, que viria a se tornar uma das principais instituições bancárias da Europa.

Herdou a riqueza e a popularidade enorme do pai, mas sua própria generosidade fez com que estivesse sob suspeita.

Os chefes das corporações mais poderosas, especialmente os da família Albizzi, o acusaram de querer derrubar o governo e agir contra as famílias oligárquicas de Florença. Foi exilado em Pádua e Veneza em 1433. Em 1434 a nova Signoria, favorável a Cosme, o chamou de volta e deu-lhe o título de Pater Patriae. Verdadeiro fundador do poder da família, obteve o senhorio virtual da cidade a partir de 1434, quando expulsou os líderes da facção oligárquica dos Albizzi. Com isso encontrou caminho livre, embora tenha respeitado a forma antiga de governo e evitado medidas arbitrárias.

Através do controle das eleições, do sistema tributário e da criação de novas magistraturas, lançou as bases para o poder da família Médici, mesmo apenas formalmente respeitador das liberdades republicanas. Mantendo formas e instituições republicanas, baniu seus inimigos e oponentes e concentrou as principais magistraturas nas mãos de seus partidários.

Na política externa, rompeu com a República de Veneza e aliou-se a Francesco Sforza. Sua política externa se tornou tradicional nos Médici até à invasão francesa em 1494: queria estabelecer a balança de poder entre os cinco Estados da península, aliando Florença a Milão e Nápoles contra um entendimento Roma-Veneza. A República anexou o distrito de Casentino, tirado dos Visconti por meio da Paz de Gavriana em 1441.

Homem culto e mecenas, patrono imenso, sempre em companhia de literatos e humanistas, formou bibliotecas e mandou construir em Florença palácios e vilas, entre eles sobretudo o Palácio Médici e a Basílica de São Lourenço. Por meio de Marsilio Ficino, ajudou a fundar a famosa academia neo-platônica. Sinceramente religioso no fim da vida, associado a S. Antonino e aos frades dominicanos de S. Marco, sua igreja favorita. Sua biblioteca imensamente cara estava aberta a todos. Sob seu governo viveu-se a era de ouro dos Médici.

Primeiros anos e negócio da família[editar | editar código-fonte]

Cosme de Médici nasceu em Florença, filho de João de Médici e de Piccarda Bueri em 10 de abril de 1389. Ao mesmo tempo, nasceu um irmão gémeo, Damião, que morreu no ano seguinte. Os gémeos receberam o seu nome em honra dos santos Cosme e Damião, cuja festa litúrgica se realiza em 27 de setembro. Mais tarde, Cosme passou a celebrar o seu aniversário neste dia e não no dia da sua data de nascimento.[1] Cosmo teve mais um irmão, Lourenço, conhecido como "Loureço, o Velho" que era seus anos mais novo e também participou no negócio da banca da família.

Cosmo herdou a sua riqueza e habilidade para a banca do seu pai, João, que tinha passado de agiota a líder do banco do seu familiar Vieri do Cambio de Médici. João geriu um dos três ramos deste banco em Roma até regressar a Florença e fundar o seu próprio banco, o Banco Médici. Nas duas décadas que se seguiram, o Banco Médici abriu sucursais em Roma, Génova, Veneza e temporariamente em Nápoles, mas a maioria do lucro vinha de Roma. O gestor da sucursal em Roma era um depositario generale papal que geria as finanças da Igreja a troco de uma comissão.[2] Mais tarde, Cosmo expandiu o banco por toda a Europa Central e abriu sucursais em Londres, Pisa, Avinhão, Bruges, Milão[3] e Lübeck.[4] As sucursais distantes dos Médici faziam do seu banco o melhor para tratar dos negócios do papado, uma vez que permitia que os bispados em várias partes a Europa pagassem os seus impostos na sucursal mais próxima, onde o gestor emitia uma licença papal. Além disso, facilitava a encomenda de vários produtos como especiarias, têxteis e relíquias através do comércio grossista do banco.[4] João chegou a ter lucros de 290.791 florins.[3]

Em 1410, João de Médici emprestou ao Antipapa João XXIII (na altura conhecido apenas como Baldassare Cossa) o dinheiro para ele comprar o cargo de cardeal, um favor que ele pagou fazendo o Banco Médici responsável pelas finanças do papado quando ele se tornasse Papa. Isto deu aos Médici um poder tremendo, permitindo-lhes ameaçar os devedores com a excomunhão, por exemplo. Porém, os Médici passaram por um infortúnio em 1415 quando o Concílio de Constança destituiu o Papa João XXIII, retirando assim o quase monopólio que a família tinha sobre as finanças da Cúria romana. Depois deste episódio, o Banco Médici viu-se forçado a enfrentar a concorrência de outros bancos. Porém, depois da insolvência do Banco de Florença em 1420, a família conseguiu assegurar a prioridade da Igreja.

No mesmo ano da destituição de João XXIII (1415), Cosmo foi eleito Priore da República [de Florença]. Mais tarde, ele assumiu frequentemente o papel de embaixador de Florença e demonstrava grande prudência, característica pela qual ficou conhecido.

João de Médici retirou-se do banco em 1420, deixando os seus dois filhos a cargo da liderança. Deixou-lhes 179.221 florins de herança depois da sua morte em 1429.[5] Dois terços desta fortuna vieram dos negócios em Roma e apenas um décimo de Florença. Até Veneza dava mais lucros do que Florença. Os irmãos ficaram com dois terços dos lucros do banco e a terceira parte foi para um sócio. Para além do banco, a família era proprietária de muitas terras nas zonas circundantes de Florença, incluíndo Mugello, o local de origem da família.[6]

Descendência[editar | editar código-fonte]

Por volta de 1416, casou com Contessina de Bardi (?- 1472), filha de Alessandro de Bardi, Conde de Vernio. Tiveram dois filhos:

  1. João de Cosme de Médici (1421-1462 ou 1463), casado em 20 de janeiro de 1453 com Maria Ginevra degli Albizzi, filha de Nicolau degli Alexandri.
  2. Pedro de Cosme de Médici (Florença 1416-Florença 1469), dito "o Gotoso". Em 1464-9 governante de Florença. Casou em 3 de junho de 1444 com Lucrécia Tornabuoni (1425-1482); tiveram quatro filhos. Magnânimo, mas enfraquecido e aleijado, teve que seguir apenas os passos do pai. Seus filhos Lourenço, o Magnífico, e Juliano o sucederam.

Teve também um filho ilegítimo com uma escrava circassiana: Carlos de Cosme de Médici arcipreste de Prato ou Arcebispo de Pisa.

Ver também[editar | editar código-fonte]

  • Dale Kent: Medici, Cosimo de’. In: Dizionario Biografico degli Italiani, Vol. 73, Rome 2009, pg. 36–43, here: 36; Susan McKillop: Dante and Lumen Christi: A Proposal for the Meaning of the Tomb of Cosimo de’ Medici. In: Francis Ames-Lewis (Ed.): Cosimo ‘il Vecchio’ de’ Medici, 1389–1464, Oxford 1992, pg. 245–301, here: 245–248.
  • George Holmes: How the Medici became the Pope’s Bankers. In: Nicolai Rubinstein (Ed.): Florentine Studies. Politics and Society in Renaissance Florence, London 1968, pp. 357–380; Raymond de Roover: The Rise and Decline of the Medici Bank 1397–1494, Cambridge (Massachusetts)/London 1963, p. 46 f., 198, 203; Volker Reinhardt: Die Medici, 4., revised edition, Munich 2007, S. 21; John R. Hale: Die Medici und Florenz, Stuttgart 1979, p. 13; Alison Williams Lewin: Negotiating Survival, Madison 2003, p. 210 f.
  • a b Setton, Kenneth M. [ed.] (1970). The Renaissance: Maker of Modern Man. National Geographic Society. p. 46.
  • a b Hallam, Elizabeth (1988). The War of the Roses. New York: Weidenfeld & Nicolson. p. 111.
  • Burckhardt, Jakob (1960). The Civilization of the Renaissance in Italy. The New American Library, inc. p. 900.
  • Heinrich Lang: Zwischen Geschäft, Kunst und Macht. In: Mark Häberlein et al. (Ed.): Generationen in spätmittelalterlichen und frühneuzeitlichen Städten (ca. 1250–1750), Konstanz 2011, pp. 43–71, here: 48 f.; Volker Reinhardt: Die Medici, 4., revised edition, Munich 2007, p. 21; Raymond de Roover: The Rise and Decline of the Medici Bank 1397–1494, Cambridge (Massachusetts)/London 1963, S. 52; John R. Hale: Die Medici und Florenz, Stuttgart 1979, p. 14.