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Os Detetives Selvagens

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Os detetives selvagens
Autor(es) Roberto Bolaño
IdiomaEspanhol (publicação original)
GêneroRomance
Localização espacialCidade do México; Barcelona
EditoraAnagrama
Lançamento1998
Páginas622
ISBN84-339-1086-8
Edição portuguesa
TraduçãoMiranda das Neves
EditoraCompanhia das Letras
Lançamento2008
ISBN978-972-695-764-5
Edição brasileira
TraduçãoEduardo Brandão
EditoraCompanhia das Letras
Lançamento2006
ISBN8535908749
Cronologia
Estrella distante (1997)
Amuleto (1999)

Os Detetives Selvagens (em castelhano: Los detectives salvajes) é um livro do gênero romance publicado em 1998, de autoria do escritor chileno Roberto Bolaño.[1] O autor ganhou por essa mesma obra o prêmio Prémio Rómulo Gallegos.

[2]

Temos que viver a vida, tudo consiste nisso, simplesmente. Quem disse isso foi um bêbado que encontrei outro dia ao sair do bar La Mala Senda. A literatura não vale nada.

— Os detetives selvagens (1998).


Os Detetives Selvagens é narrado em primeira pessoa por muitos narradores e estruturado em três partes. A primeira, intitulada "Mexicanos perdidos no México", é composta pelo diário do jovem poeta Juan García Madero, de 17 anos, que narra os últimos meses de 1975 na Cidade do México. Recém-ingresso no grupo dos real-visceralistas - movimento literário de vanguarda fundado pelos poetas Arturo Belano e Ulises Lima -, García Madero abandona a faculdade e mergulha na vida boêmia do grupo, sem jamais compreender todos os propósitos do movimento.

A segunda parte, "Os Detetives Selvagens", ocupa cerca de dois terços do romance e é a mais ambiciosa formalmente. Construída como uma série de depoimentos colhidos entre 1976 e 1996 em países da América do Norte, Europa, Oriente Médio e África, reúne mais de quarenta narradores que, em momentos distintos de suas vidas, cruzaram o caminho de Belano e Lima. A parte central do romance situa-se numa série longa e fragmentada de registros sobre as viagens e aventuras de Arturo Belano - alter ego do próprio Bolaño - e Ulises Lima, inspirado no poeta mexicano Mario Santiago Paspasquiaro. O consenso que emerge dos depoimentos é o de dois poetas errantes, elitistas e incômodos, cuja passagem costuma deixar marcas amargas nos que os conheceram. Cabe ao leitor-detetive fazer a reconstituição de suas trajetórias a partir dos fiapos que vai colhendo dos depoentes.

A terceira parte, "Os Desertos de Sonora", retoma o diário de García Madero em janeiro de 1976, cronologicamente imediatamente após a primeira seção. Agora no deserto de Sonora, no norte do México, o jovem poeta acompanha Belano, Lima e a prostituta Lupe na busca por Cesárea Tinajero, poetisa desaparecida nos anos 1920 e considerada a fundadora original do real-visceralismo. A perseguição é dupla: enquanto os quatro rastreiam a poetisa, eles próprios são perseguidos por um cafetão e um policial corrupto mexicano.

Bolaño definiu Os Detetives Selvagens como "uma carta de amor à minha geração".

Críticas

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Os detetives selvagens foi comparado por Jorge Edwards, a Rayuela, de Julio Cortázar, e a Paradiso, de José Lezama Lima.

Em uma resenha no jornal espanhol El País, o crítico Ignacio Echevarría declarou ser este "o romance que Jorge Luis Borges teria escrito". (Um ávido leitor, Bolaño sempre expressou seu amor pela obra de Borges e Julio Cortázar, e concluiu um balanço da literatura argentina contemporânea dizendo que "deveriam ler mais Borges").

"O gênio de Bolaño não está somente só na extraordinária qualidade da sua escrita, mas também no fato de ele não se assentar no paradigma de escritor latino-americano", disse Ignacio Echeverria, ex-editor literário do El País, o maior jornal da Espanha. "Seus escritos não se enquadram nem realismo mágico, nem no barroco, nem regionalista, sendo um espelho imaginário e extraterritorial da América Latina, sendo mais um certo estado de consciência que um lugar específico".

Personagens

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Personagem Descrição Baseado em
Arturo Belano Um dos fundadores do real-visceralismo. Mais extrovertido, chileno, romântico, disciplinado e hábil socialmente (alter-ego do Bolaño). Roberto Bolaño
Ulises Lima Um dos fundadores do real-visceralismo. Mais introvertido, imprevisível, mais baixo e mais corpulento que Belano. Mario Santiago Papasquiaro
Juan García Madero 17 anos, estudante de Direito que abandona a faculdade para se dedicar à poesia. Narrador-diarista das partes 1 e 3 do romance. Detentor de conhecimento enciclopédico de métrica e formas poéticas clássicas medievais. Juan García Ponce

e Juan Esteban Harrington

Lupe Jovem prostituta perseguida pelo cafetão. Amiga de María e Angelica Font, tem um relacionamento com Quim Font.
Alberto Cafetão de Lupe, gângster que mede o próprio pênis com uma faca (grande) todos os dias e que a persegue pelo deserto de Sonora.
Octavio Paz Poeta mexicano real (Nobel de Literatura), retratado na ficção como o grande antagonista literário do grupo real-visceralista. Funciona no romance como símbolo do establishment poético mexicano oficial, contra o qual o realismo visceral se define por oposição. Octavio Paz
María Font Estudante de dança, irmã mais velha de Angélica Font, filha de Quim Font. Feminista e de espírito livre. Amiga próxima de Lupe, a quem ajuda e protege da perseguição do cafetão. Alta, morena, cabelos negros e lisos. Mara Larrosa
Angélica Font Poeta premiada - vence o prêmio Laura Damián de poesia aos dezesseis anos. Relação de proximidade e rivalidade afetiva com María, com quem divide quarto e confidências. Vera Larrosa
Joaquín (Quim) Font O pai das irmãs Font. Arquiteto, mentalmente instável ao longo do romance - passa por diversas internações em hospitais psiquiátricos. É dele o Ford Impala branco usado na fuga final para Sonora. Manolo Larossa
Cesárea Tinajero Poeta mítica considerada a "mãe do realismo visceral". Objeto de busca de toda a viagem final ao deserto de Sonora. Na juventude, segundo relatos, alta, atraente, magra e de traços indígenas; décadas depois, está obesa, cabelos até a cintura, ex-professora rural que abandonou o magistério e viveu isolada, escrevendo obsessivamente em cadernos de capa preta. Concha Urquiza
Julio César Álamo Poeta mexicano medíocre. É em sua oficina que ocorre o confronto inaugural com Belano e Lima, que culmina ao convite a García Madero para integrar o grupo real-visceralista. Aparece anos depois, já figura estabelecida do establishment literário mexicano, como chefe da delegação que vai a Nicarágua, onde Lima desaparece. Juan Bañuelos
Amadeo Salvatierra Antigo poeta estridentista dos anos 1920, testemunha na busca por Cesárea Tinajero. Idoso, mora sozinho e guarda o único exemplar sobrevivente de Caborca, a revista que Cesárea Tinajero dirigiu na década de 1920. Rodolfo Sanabria
Perla Avilés Colega de adolescência de Arturo Belano, com quem mantém uma amizade intensa e platônica marcada por uma admiração unilateral dela.
Laura Jáuregui Ex-namorada de Arturo Belano, estudante de Biologia na Unam. Diz que Belano criou o movimento real-visceralista para impressioná-la. Lisa Johnson
Rafael Barrios Poeta membro fundador do grupo real-visceralista. Um dos primeiros amigos de García Madero no grupo. Descrito por San Epifanio como "olhos árabes, de tendas e oásis". Emigra para os Estados Unidos, onde vive dos anos 1980 em diante com sua namorada Barbara Patterson. Rubén Medina
Felipe Müller Poeta chileno, o membro mais jovem do grupo original. Chega ao méxico com Belano após o golpe de Pinochet. Alto e louro. Se muda para Barcelona, onde se estabelece. Tem envolvimento amoroso com Angélica Font antes da partida ao exterior. Bruno Montané
Fabio Ernesto Logiacomo Poeta argentino radicado no México, ganha o prêmio de poesia da Casa de las Américas. Editor/colaborador da revista La Chispa. Participa da comitiva mexicana enviada a Nicarágua quando Ulises Lima desaparece. Jorge Boccanera
Luis Sebastián Rosado Poeta mexicano, colega ocasional do círculo real-visceralista, apresenta-se como defensor do establishment literário (admirador declarado de Octavio Paz). Homossexual, ligado por amizade a Ernesto San Epifanio. José Joaquín Blanco
Pancho Rodríguez Poeta membro do grupo real-visceralista. Falador compulsivo, autoproclamado um dos dois melhores jovens poetas mexicanos, namorado de Angélica Font. Ramon Méndez Estrada
Moctezuma Rodríguez Irmão mais novo de Pancho Rodríguez, também poeta do grupo real-visceralista. Trotskista, envolve-se sexualmente com Angélica Font. Cuauhtémoc Méndez Estrada
Pele Divina Poeta do grupo real-visceralista, apelidado assim por sua beleza. Bissexual, figura carismática mas sem recursos financeiros, vivendo de pequenos furtos e favores. Jorge Hernández Pieldivina
Carlos Monsiváis Críticos e cronista respeitado. Autor da antologia de referência da poesia mexicana do século XX, citada pelos real-visceralistas como parâmetro de rigor - e por eles mesmos desafiada. Carlos Monsiváis
Manuel Maples Arce Poeta estridentista histórico, fundador do movimento de vanguarda mexicano dos anos 1920. Entrevistado por Belano décadas depois, já idoso. Manuel Maples Arce
Barbara Patterson Namorada americana de Rafael Barrios. Estudante de pós-graduação sobre Juan Rulfo. Engraçada e "boca-suja".
Ernesto San Epifanio Poeta homossexual do grupo real-visceralista, amigo próximo de Belano na juventude. Fotógrafo. Darío Galicia
Catalina O'Hara Pintora americana radicada no México. Anfitriã recorrente de festas do grupo real-visceralista, objeto de desejo geral, inclusive de Belano e Lima. Carla Rippey
Jacinto Requena Poeta do grupo real-visceralista, companheiro de Xóchitl García, com quem tem um filho. José Peguero
Xóchitl García Companheira de Jacinto Requena, mãe de Franz. Objeto de desejo de quase todos os homens do grupo real-visceralista. Escreve poesia com regularidade, trabalha em revistas e suplementos dominicais da imprensa. Amiga de todos, principalmente Maria. Guadalupe Ochoa
Auxilio Lacouture Poeta uruguaia, autoproclamada "mãe da poesia mexicana", presente na cena literária do DF desde os anos 1960. Famosa por sua lenda pessoal: ter ficado sozinha, escondida numa latrina na UNAM, durante mais de dez dias, quando o exército invadiu a universidade em 1968. (ela também é a narradora do romance Amuleto de Bolaño) Alcira Soust Scaffo
Joaquín Vázquez Amaral Tradutor mexicano, gosta dos real-visceralistas.
Lisandro Morales Editor mexicano, dono da editora que publica o único livro de Belano, intermediado pelo romancista equatoriano Vargas Pardo.
Vargas Pardo Romancista equatoriano, revisor na editora de Lisandro Morales e intermediário que apresenta Belano a Morales. Miguel Donoso Pareja
Simone Darrieux Francesa que estudou brevemente antropologia na Cidade do México, sustentando-se ao posar para o fotógrafo local Jimmy Cetina, especializado em nus artísticos. Namorou Arturo por três meses e o iniciou nas práticas sadomasoquistas. Voltou depois para Paris, onde recebeu a visita de Ulises Lima, que tomava banho regularmente em sua casa
Hipólito Garcés Poeta peruano radicado em Paris, recebe Ulises na chegada dele à cidade, alugando-lhe um quarto vizinho. Fama de embusteiro compulsivo entre a comunidade de exilados latino-americanos.
Roberto Rosas Poeta peruano exilado, morador da mansarda coletiva de latino-americanos em Paris. José Rosas Ribeyro
Sofía Pellegrini Poeta argentina exilada. Amiga de Ulises em Paris.
Michel Bulteau Poeta francês contatado por Ulises logo após sua chegada em Paris. Michel Bulteau
Mary Watson Estudante inglesa de literatura em Oxford, cruza com Belano em uma viagem de carona pela França.
Alain Lebert Pescador francês do barco Isobel. É quem, a pedido de Belano, arruma um lugar temporário na tripulação do Isobel para Ulises Lima.
Norman Bolzman Juseu mexicano radicado em Israel, ex-namorado de Claudia, amiga de infância de Ulises Lima. Recebe Lima em sua casa em Tel-Aviv quando este viaja atrás de Claudia, apaixonado. Norman Sverdlin
Claudia Argentina radicada em Israel, amiga de infância de Ulises Lima no DF. Recebe Lima quando ele viaja até lá apaixonado por ela. É também amiga de Belano, a quem apresenta à jovem Edith Oster. es
Daniel Grossman Judeu mexicano, colega de apartamento de Claudia e Norman Bolzman em Tel-Aviv. Daniel Goldin
Heimito Künst Gigante austríaco (quase dois metros), conhecido por Ulises Lima na prisão em Beersheba, Israel. Paranoico, possivelmente louco. Possivelmente neo-nazista Heimito von Doderer
José "Zopilote" Colina Jornalista mexicano do El Nacional. José de la Colina
Verónica Volkow Poeta mexicana. Bisneta de Trotsky. Verónica Volkow
Alfonso Pérez Camarga Pintor mexicano, cliente refular de maconha e cogumelos vendidos por Belano e Lima
Hugo Montero Responsável por organizar a delegação mexicana de escritores à Nicarágua sandinista em homenagem à revolução. Inclui Ulises Lima na viagem como favor pessoal. Vive o pesadelo burocrático do desaparecimento de Lima em Manágua durante a viagem.
Andrés Ramírez Chileno exilado, dono de restaurante em Barcelona, onde emprega Belano como lavador de pratos. Vence a loteria após ficar obcecado por números.
Susana Puig Enfermeira que torna-se amante ocasional de Belano. Assiste o duelo de espadas de Belano com Iñaki
Edith Oster Um amor que partiu o coração de Arturo em Barcelona Edna Lieberman
Xosé Lendoiro Advogado e editor de poesia catalão, mecenas literário pomposo e latinizante (intercala constantemente aforismos em latim no próprio discurso). Emprega Belano como resenhista ocasional de sua revista jurídico-literária. Descobre a filha mais velha, também poeta, tendo um caso com Belano em sua própria casa e cama, o que desencadeia perseguição obsessiva ao casal por semanas.
Iñaki Echavarne Crítico literário espanhol, alvo do desafio de duelo lançado por Belano depois de suspeitar que Echavarne pretende demolir seu novo romance numa resenha. Ignacio Echevarría

Referências

  1. ↑ «Os detetives selvagens». Companhia das Letras. Consultado em 1 de novembro de 2014
  2. ↑ «Os labirintos de Bolaño». Gazeta do Povo. Consultado em 1 de novembro de 2014
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