Paulo Costa Lima

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Paulo Costa Lima (Salvador, 26 de setembro de 1954) é um premiado compositor brasileiro, que ocupa a cadeira 21 da Academia Brasileira de Música[1], e que tem como principal foco de interesse a aproximação entre composição e cultura, gerando diálogos entre o que se chama de erudito e de popular, entre o ancestral e o contemporâneo.[2] Sua obra tem sido associada à pluralidade cultural recorrente nas composições da música erudita brasileira contemporânea, também presente nas obras de Mário Ficarelli, Marlos Nobre, Ernst Widmer e Lindembergue Cardoso.[1] Seu catálogo tem 113 obras e registra 432 performances em mais de 20 países.[2] Pesquisador pelo CNPq, sua produção gira em torno de temas como a teoria e a pedagogia do compor, a análise da música contemporânea produzida na Bahia, análise de canções populares brasileiras, e a aproximação entre música, psicanálise e semântica cultural. Em 2015, conquistou o primeiro lugar nas indicações de seus pares para o Prêmio Nacional de Composição da FUNARTE,[3] ganhando o direito de ter sua composição executada na abertura solene da XXI Bienal de Música Brasileira Contemporânea.[4]

Naturalmente influenciado pelos ritmos afro-brasileiros tão típicos de sua terra natal, descobre neste universo caminhos de criação e de sistematização que permitem associar às suas experiências regionais "toda uma gama diferenciada de vivências", levando o diálogo com o formalismo composicional europeu a situações de miscigenação, conflito ou mesmo de impasse e ‘non-sequitur’, justamente a partir da fricção com os contextos culturais baianos. Resulta daí um discurso que não desiste do pertencimento à rede discursiva internacional do movimento de música contemporânea, mas que pode, ocasionalmente, ignorar proibições e pseudo-tabus na construção de um ‘lugar de fala’.[3] Sendo assim, trabalha com categorias que se aproximam naturalmente do campo do humor e da ironia, sem perder a consciência de desenho dramático, tal sendo, por exemplo, o caso da obra Atotô do L'homme armé op. 39 (1993) para orquestra de câmara, que se nutre de um diálogo travesso entre essa melodia medieval e o padrão rítmico Alujá de Xangô com sua timeline característica (projetando as proporções de 2+2+1+2+2+2+1). Chega a afirmar em artigo publicado na SONUS-USA (Composition and Cultural identity in Bahia, 2001) que esse jogo binário de proporções dava à África o mérito de ter pensado em serialização do ritmo muitos séculos antes da noção ser 'reinventada' pela música ocidental.

Além dos estudos na Universidade Federal da Bahia - com Lindembergue Cardoso e Ernst Widmer -, também estudou composição na University of Illinois, sob orientação de Herbert Brün e Ben Johnston. Professor da Escola de Música da Universidade Federal da Bahia desde 1979[2], foi diretor da escola, Pró-Reitor da Universidade Federal da Bahia e presidente da Fundação Gregório de Mattos.[5] Nesta função de gestor da cultura da cidade de Salvador enfrentou o desafio de elaborar políticas públicas de cultura e de diálogo entre agentes representativos de segmentos diferenciados. Também é membro da Academia de Letras da Bahia[6] e membro da Academia de Ciências da Bahia.[7]Seu nome está incluído no The New Grove Dictionary of Music and Musicians. Em teoria da composição elaborou a noção de composicionalidade, a qualidade daquilo que é composto, a partir de instâncias como a criticidade, a reciprocidade e a invenção de mundos, sempre apontando para a indissociabilidade de teoria e prática, e para o papel fundamental do campo de escolhas, como lugar onde todos esses vetores incidem.

Outros prêmios e comissionamentos incluem: VI Bienal de Música Brasileira Contemporânea - RJ (1985, Quarteto Brasiléia, op. 16), Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo (1994, Xirê op. 40 para grupo de percussão), Max Feffer-SP (1995, Ibejis op. 41), American Composers Orchestra - New York (1996, Atotô do l'homme armé, op. 39), Prêmio Copene - Salvador (1996, CD Outros Ritmos), Prêmio Copene - Salvador (1999, Livro "Ernst Widmer e o ensino de composição musical na Bahia"), Criadores do Brasil - OSESP (2000, Serenata Kabila para orquestra, op. 54), XX Bienal de Música Brasileira Contemporânea - RJ (2013, Bahia Concerto op. 98), OSESP - SP (2015, Cabinda: nós somos pretos, op. 104 para orquestra), III FMCB na UNICAMP (março de 2016, dedicado à vida e obra de Paulo Costa Lima e Ronaldo Miranda), além da já mencionada XXI Bienal de Música Brasileira Contemporânea - RJ (2015, Sete Flechas: um batuque concertante op. 102 para piano e orquestra). Foi o mentor de toda uma nova geração de compositores baianos, tais como Paulo Rios Filho, Guilherme Bertissolo, Alex Pochat, Joélio Santos, Vinicius Amaro, Juliano Seravale, Paulo Cesar Santana, Danniel Ferraz, entre outros, tendo participado da criação da OCA-Oficina de Composição Agora, e do MAB-Música de Agora na Bahia, programa de música contemporânea vencedor do Edital Petrobrás em 2014.

Referências

  1. A pluralidade cultural revelada em obras para piano de Marlos Nobre, Paulo Costa Lima e Mario Ficarelli compostas no século XXI. Zélia Chueke. "Congresso da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Música–ANPPOM, XVII, São Paulo. Anais eletrônicos (CD). São Paulo: PPGMUS UNESP. 2007.
  2. a b Página de Paulo Costa Lima na Academia Brasileira de Música - Acesso em 23 de dezembro de 2015
  3. http://maisbahia.com.br/index.php/2014/03/compositor-baiano-paulo-costa-lima-ganha-premio-nacional/ Compositor baiano Paulo Costa Lima ganha prêmio nacional] - MaisBahia, 13/03/2015 - Acesso em 23 de dezembro de 2015
  4. Composição de Paulo Costa Lima abre a Bienal de Música Contemporânea - BahiaJá, 03/10/2015 - Acesso em 22 de dezembro de 2015
  5. Professor Paulo Costa Lima amplia ala baiana na Academia Brasileira de Música - APUB, 15/01/2014 - Acesso em 22 de dezembro de 2015
  6. Paulo Costa Lima é o mais novo membro da Academia Brasileira de Música - EBC Rádios, 19/08/2014 - Acesso em 23 de dezembro de 2015
  7. Academia de Ciências da Bahia

Ver Também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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