Paulo de Tarso Celestino

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Paulo de Tarso Celestino
Nascimento 26 de maio de 1944
Morrinhos, Brasil
Morte julho de 1971 (?)
Rio de Janeiro, Brasil
Nacionalidade Brasil brasileiro
Cônjuge Heleny Guariba
Ocupação advogado, guerrilheiro
Influências

Paulo de Tarso Celestino da Silva (Morrinhos, 26 de maio de 1944 – ? de ? de 1971) foi um advogado, ativista politico e guerrilheiro que participou da luta armada durante o Regime Militar do Brasil. Desapareceu após ser preso pelas autoridades em 12 de setembro de 1971 e é considerado morto graças à Lei 9.140/95.[1] Foi um dos casos investigados pela Comissão da Verdade, que apurou mortes e desaparecimentos na ditadura militar brasileira.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nascido em Morrinhos, um pequeno município no interior de Goiás era filho do ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado de Goiás (TCE-GO) Pedro Celestino da Silva Filho. Estudou no Colégio Universitário da Universidade Federal de Goiás e se formou em direito na Universidade de Brasília (UnB), em 1967.

Começou a militância politica ainda na universidade, sendo presidente da Federação dos Estudantes Universitários de Brasília (Feub). Em 1968, através de uma bolsa de estudos do Consulado da França, se especializou na Universidade de Sorbonne, em Paris.[2] Começou na luta armada em 1969 na Aliança Libertadora Nacional (ALN), um grupo armado de extrema esquerda comandado por Carlos Marighella. Fez curso de guerrilha em Cuba, retornando clandestinamente ao Brasil em 1971.

Desaparecimento[editar | editar código-fonte]

Depois de ser preso em 12 de julho de 1971 com sua companheira Heleny Guariba, Paulo de Tarso nunca mais foi visto.

Em 20 de fevereiro de 1975, o então ministro da Justiça Armando Falcão, em pronunciamento na televisão, diz que 27 desaparecidos políticos, dentre esses Paulo de Tarso, eram foragidos da justiça. Em resposta, Pedro Celestino, pai de Paulo de Tarso, redigiu uma declaração ao ministro, que foi publicada no Jornal do Brasil no dia seguinte : “Como cidadão e chefe de família é que dirijo-me a Vossa Excelência, rogando fazer chegar ao presidente da República o meu apelo extremo, depois de ver frustrados todos os recursos judiciais e extra judiciais permitidos pela ordem jurídica vigente no país (...) para encontrar meu filho. Não venho pedir-lhe que o solte, mas o mínimo que se deve garantir à pessoa humana, isto é, seja processado oficialmente, com o direito de sua família dar-lhe assistência jurídica e principalmente humana”.[2]

Segundo a ex-guerrilheira e presa política Inês Etienne Romeu, única sobrevivente do centro de tortura e execução do Exército em Petrópolis, a Casa da Morte, Paulo de Tarso e Heleny teriam sido levados àquele local, onde foram torturados e executados. O paradeiro de seus restos mortais são desconhecidos.[3]

Paulo de Tarso pode ter sido enterrado no Cemitério Municipal de Petrópolis em uma vala comum com o nome de Ari Barbosa ou Geraldo Deonidio Silva.[4]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «LEI Nº 9.140, DE 04 DE DEZEMBRO DE 1995.». Presidência da República. Consultado em 11 de dezembro de 2014 
  2. a b «ACERVO - MORTOS E DESAPARECIDOS POLÍTICOS». Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Consultado em 11 de dezembro de 2014 
  3. Loyola, Leandro. «Parecia casa. Era o inferno». Revista Época. Consultado em 26 de junho de 2011 
  4. http://femehnacional.wordpress.com/2011/04/04/na-pista-dos-desaparecidos-na-revista-epoca/