Perspectiva

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Xilogravura do Século 16 de Albrecht Dürer.
Diferentes sistemas de perspectiva.

Perspectiva (português brasileiro) ou perspetiva (português europeu) é um campo de estudo da geometria e, em especial, da geometria projetiva. Suas aplicações estendem-se para: arte, arquitetura, design, engenharia etc. Trata-se de uma ciência que abarca os métodos de representação dos objetos em seus tamanhos e posições "corretas", tal qual a visão humana supostamente os compreenderia, a partir de um observador. A perspectiva subdivide-se em várias modalidades como: cônica, isométrica, cavaleira, militar, entre outras, e foi desenvolvida pelos artistas e geômetras na transição da Idade Média para o Renascimento, na sua forma estrita de entendimento.[1]

Perspectivas com pontos de fuga[editar | editar código-fonte]

Perspectiva com um ponto de fuga[editar | editar código-fonte]

Um ponto de fuga.

A perspectiva com um ponto de fuga, também conhecida como perspectiva renascentista, foi o primeiro método de perspectiva exata, que se baseia em um ponto de fuga situado na linha do horizonte, para o qual convergem as retas paralelas, que ao serem transformadas em diagonais no quadro, provocam a sensação de profundidade.[2]

Perspectiva com dois pontos de fuga[editar | editar código-fonte]

Dois pontos de fuga.

A perspectiva com dois pontos de fuga é um método de perspectiva exata desenvolvido por Brook Taylor em 1715, que abarca os processos: das dominantes, das fugantes, dos arquitetos, entre outros.[3] Em 1719, Taylor lançou uma versão melhorada do trabalho em New Principles of Linear Perspective.[4]

Perspectiva com três pontos de fuga[editar | editar código-fonte]

Três pontos de fuga.

A perspectiva com três pontos de fuga é um processo de projeção central, em que um ponto de fuga está situado fora da altura dos olhos (linha do horizonte). É muito usado para ilustrar, com "exagero",[5] uma cena observada de baixo para cima ou de cima para baixo, embora possa abrigar outras relações entre os elementos do sistema projetivo.[6]

Perspectiva curvilínea[editar | editar código-fonte]

Pintura de Jan van Eyck na qual o espelho do fundo foi desenhado com um sistema de perspectiva curvilínea.

O processo gráfico de perspectiva curvilínea foi usado para desenhar objetos em uma superfície plana, com a intenção de criar a sensação de que se está a observar uma superfície curva. Artistas como Jan van Eyck e Escher desenvolveram trabalhos com esse tipo de representação. Em 1968 um processo curvilíneo foi codificado pelos artistas e historiadores André Barre e Albert Flocon, no livro La Perspective curviligne[7] , que foi traduzido em Inglês em 1987 como Curvilinear Perspective: From Visual Space to the Constructed Image.[8]

Perspectiva quadridimensional[editar | editar código-fonte]

Perspectiva quadridimensional.

A perspectiva quadridimensional é um processo contemporâneo, desenvolvido em 1997, que cria cenas com diferentes pontos de vista, os quais foram "capturados" por um observador móvel (o desenhista) e que são desenhados em superfícies planas ou curvilíneas.[9]

Perspectivas axonométricas[editar | editar código-fonte]

Perspectiva cavaleira e militar[editar | editar código-fonte]

Perspectiva cavaleira de 45º (cabinet).

A perspectiva cavaleira é um tipo de projeção cilíndrica obliqua, estando o objeto com uma face paralela ao quadro (plano de projeção). Ela é considerada um método de perspectiva rápida, em virtude da facilidade com que se pode obter o desenho de objetos de dimensões reduzidas, principalmente se este tiver superfícies planas. Geralmente, o quadro é posicionado na vertical, mas se for colocado na horizontal, constituirá a projeção cilíndrica obliqua uma variedade da perspectiva cavaleira, a qual os autores franceses,[10] no começo do século XIX, denominaram de perspectiva militar.[11]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Andrea Mantegna, A Lamentação sobre o Cristo Morto , um brilhante exemplo da técnica de escorço.
A ilustração do Codex Manesse (séc. XIV) usa a perspectiva hierárquica.
  • Escorço. Técnica de representação gráfica, na qual um objeto ou uma distância parecem mais curtos do que são na realidade. O termo deriva do verbo italiano scorciare que significa encurtar.[12]
  • Perspectiva atmosférica. Técnica de pintura na qual a atmosfera altera as tonalidades dos objetos mais distantes, diminuindo a saturação dos matizes. É o mesmo que perspectiva aérea ou perspectiva tonal.
  • Perspectiva Pictorum et Architectorum. O tratado Perspectiva Pictorum et Architectorum foi escrito, por Andrea Pozzo, com o intuito de oferecer aos pintores e arquitetos, o estado da arte da perspectiva. Os dois volumes que compõem a obra foram publicados em 1693 e 1700, respectivamente.
  • Perspectiva hierárquica. A perspectiva hierárquica, usada desde a antiguidade, alterava o dimensionamento das figuras de acordo com a hierarquia dos personagens. Ela foi, por vezes, chamada de 'simbólica', embora toda representação em perspectiva passe por um processo de simbolização. É um tipo de representação, na qual os personagens têm uma dimensão que varia de acordo com a sua importância ou dignidade.[1]

Referências

  1. a b Panofsky, Erwin - A perspectiva como forma simbólica (1927). Trad. Elisabete Nunes. Lisboa: Edições 70, 1993.
  2. Witting, F. - Von Kunst und Christentum, Estrasburgo, 1903, vol. 8.
  3. Capozzi, Delton. Desenho Técnico Vol. 2. Universitária, São Paulo, 2006, p. 79-80.
  4. Machado, Ardevan, Perspectiva. Ed. Grêmio Politécnico, São Paulo: 1983.
  5. Otto G. Ocvirk. Fundamentos de Arte. [S.l.]: Mc Graw Hill, 2014. ISBN 978-85-8055-375-8 p.234.
  6. Gill, Robert W.. Desenho de perspectiva. [S.l.]: Colecção Dimensões, 1989. 115 p. p. 24
  7. Albert Flocon and André Barre, La Perspective curviligne, Flammarion, Éditeur, Paris, 1968
  8. Albert Flocon and André Barre, CurvilinearPerspective: From Visual Space to the Constructed Image, Tradução: Robert Hansen, University of California Press, Berkely and Los Angeles, Califórnia, 1987 ISBN 0520059794
  9. Androniki, Katiki. Featured Artists Vol IV. Winchester: Mediaplan Publisher, 2013. ISBN 9789609877466 (pp. 20-23)
  10. Audibert, Gérard. La Perspective Cavalière. Paris: Association des Profresseurs de Mathématiques de l'Enseignement Publique, 1990. (em francês)
  11. Dozzi, Antonio & Francisco, Daniel. Desenho técnico. [S.l.]: Escola de Engenharia Mackenzie, 1987. Cap. 8 - p. 16
  12. Andrew Graham-Dixon. Arte, o guia visual definitivo. [S.l.]: Publifolha, 2012. 612 p. p.20
Ícone de esboço Este artigo sobre arte ou história da arte é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.
Ícone de esboço Este artigo sobre geometria é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.