Profilaxia pré-exposição

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Profilaxia pré-exposição (PrPE ou em sua versão inglesa PrEP) é qualquer procedimento médico ou sanitário usado antes da exposição a um patógeno capaz de provocar uma doença, com o propósito de prevenir, e não tratar ou curar, essa doença; especialmente referido ao de VIH.[1] Trata-se de um procedimento opcional para pessoas sãs HIV-negativas, mas que têm um risco substancial, mais alto que a média, de contrair uma infecção por HIV.[2]

Na actualidade, o único fármaco recomendado para a profilaxia pré-exposição do HIV é Truvada, uma combinação de emtricitabina e tenofovir. Conforme os Centros para o Controle e Prevenção de Doenças a PPrE pode ser uma poderosa ferramenta de prevenção do VIH ao combinar-se com preservativos e outros métodos de prevenção para proporcionar uma protecção ainda maior que quando se utilizam por separado. No entanto, as pessoas que usam PrEP devem se comprometer a tomar o medicamento todos os dias e manter um rastreamento ao menos a cada 3 meses.[3] PPrE está recomendado para o uso combinado com preservativos, de maneira que cada método pode compensar os déficits de eficácia ocasionais do outro.[3]

Existe uma divisão social entre o apoio e a oposição ao uso da profilaxia pré-exposição como método de prevenção da infecção por VIH. Em fevereiro de 2016 documentou-se o primeiro caso de uma pessoa que, tomando adequadamente a PPrE, contagiou-se de uma cepa multirresistente ao tratamento,[4] seguido por um segundo caso em outubro do mesmo ano.[5]

Ingredientes[editar | editar código-fonte]

Um dos ingredientes ativos da preparação é o disoproxil fumarato de tenofovir, que é um análogo de nucleotídeo que inhibe a transcriptase reversa, bloqueando eficazmente a incorporação do material genético do VIH no genoma do hóspede, e portanto, evitando a infecção por HIV.[6]

Pesquisa[editar | editar código-fonte]

A maioria dos estudos de PrPE utiliza o medicamento que é administrado por via oral. Mas muitas pessoas que iniciam a PrPE não aderem a ela ou tomam as pílulas apenas intermitentemente, prejudicando sua eficácia. Um implante de liberação lenta de um medicamento anti-retroviral experimental fornece uma proteção eficaz contra o HIV por um ano ou mais. É uma estratégia de ARV que oferece uma opção mais simples para tratar ou prevenir o HIV e, se for amplamente usada, pode mudar o curso da epidemia de AIDS.[7]

Vantagens e Desvantagens[editar | editar código-fonte]

Vantagens[editar | editar código-fonte]

  • Dupla proteção - para casos em que os usuários combinavam com o uso de preservativos
  • Menor preocupação em relações sexuais sem preservativos
  • Possibilidade de ter relações sexuais sem preocupação com soropositivos ou pessoas de sorologia desconhecida.
  • Gratuidade na medicação (no caso do Brasil, em que é distribuído pelo SUS) [8]
  • Liberdade sexual [9]

Desvantagens[editar | editar código-fonte]

  • Efeitos colaterais
  • Medo da medicação não ter eficácia
  • Dificuldade em conseguir o medicamento - tanto pela burocracia quanto pela carência de locais em que o medicamento esteja disponível
  • Falta de informação sobre a PrEP
  • Necessidade de tomar todos os dias
  • Preconceito por ser um medicamento relacionado ao HIV
  • Não ter proteção contra outros tipos de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) [8]
  • Receio de que a PrEP diminua o uso de preservativo não apenas entre usuários, mas também em não usuários, por se sentirem seguros quando seus parceiros usam utilizam[10]
  • Necessidade de mais dias de uso para obter proteção em relação vaginal (20 dias) que em relações anais (7 dias)[11]
  • Poucos participantes dos estudos continuavam a utilizar a PrEP após 6 meses, e a desistência aumentava ao longo de 1 ano.

Em Portugal[editar | editar código-fonte]

Um estudo académico levado a cabo por Rui Baptista Gonçalves, estudante do Mestrado Integrado em Medicina da Universidade do Algarve demonstra que três em cada quatro profissionais de saúde que trabalham na área do VIH em Portugal concordam com a implementação da PrEP - Profilaxia Pré-Exposição, em Portugal.[12]

No Brasil[editar | editar código-fonte]

Profilaxia Pré Exposição no Sistema Único de Saúde[editar | editar código-fonte]

Em 25 de Maio de 2017, foi aprovada pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos estratégicos, a portaria n° 21, que permite incorporar no Único de Saúde (SUS) a combinação de Tenofovir (300mg) associado a entricitabina (200mg) como Profilaxia Pré Exposição para populações mais vulneráveis ao HIV.[13]

Distribuição e acesso[editar | editar código-fonte]

No Brasil, o medicamento é distribuído pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os locais cadastrados para disponibilizar a PrEP podem ser consultados no site aids.gov.br[13]

Esses pontos de distribuição ainda estão concentrados nas capitais e cidades mais habitadas. A baixa cobertura de serviços e falta de acesso às pessoas em vulnerabilidade prejudicam muito a adesão e constância ao tratamento.[14]

A quem é indicado[editar | editar código-fonte]

A PrEP não está disponível e nem é indicada para qualquer pessoa. Há populações-chave que têm maior risco de infecção, as quais têm prioridade na hora de receberem a medicação. A OMS e a UNAIDS reconhecem essas populações como:

  • Homens que fazem sexo com outros homens
  • Profissionais do sexo
  • Pessoas trans
  • Pessoas que fazem sexo desprotegido com frequência
  • Casais sorodivergentes[13]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Profilaxia pré-exposição. SERES.
  2. (em castelhano) Profilaxis por exposición (PPRE) para el VIH. Infosida.
  3. a b (em inglês) Pre-Exposure Prophylaxis (PrEP) Clinical Trials. Centers for Disease Control and Prevention.
  4. (em inglês) Almost-certain case of PrEP failure due to drug resistance reported at CROI 2016. AIDS map. 25 de febrero de 2016.
  5. (em inglês) Second case report of PrEP failure due to drug-resistant virus. AIDS Map. 18 de octubre de 2016.
  6. (em inglês) Pre-exposure prophylaxis of HIV. Indian Journal of Sexually Transmited Diseases and AIDS. 2011.
  7. CohenJul. 24, Jon; 2019; Am, 11:00 (23 de julho de 2019). «Simpler HIV treatment and prevention strategies take center stage». Science | AAAS (em inglês). Consultado em 24 de julho de 2019 
  8. a b Batista, Amanda Trajano; Saldanha, Ana Alayde Werba; Furtado, Francisca Marina Freire. «Vantagens e desvantagens percebidas pelas populações chaves no uso da profilaxia pré-exposição». Instituto Metodista de Ensino Superior. Mudanças 
  9. Silva, Rodrigo Augusto T. M. L. da. «Diversidade e liberdade sexual: Defensoria Pública, movimentos sociais e a PrEP no SUS». Serviço Social e Saúde 
  10. Queiroz, Artur Acelino Francisco Luz Nunes; Sousa, Alvaro Francisco Lopes de. «Fórum PrEP: um debate on-line sobre uso da profilaxia pré-exposição no Brasil». Cadernos de Saúde Pública 
  11. «Profilaxia Pré-Exposição (PrEP)». Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Consultado em 3 de Outubro de 2021 
  12. Estudo: Profissionais de saúde concordam com a PrEP em Portugal, dezanove.pt, 24.10.2016
  13. a b c «Profilaxia Pré-Exposição (PrEP)». Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Consultado em 3 de Outubro de 2021 
  14. Zucchi, Eliana Miura; Grangeiro, Alexandre; Ferraz, Dulce; Pinheiro, Thiago Félix Pinheiro; Alencar, Tatianna; Ferguson, Laura; Estevam, Denize Lotufo; Munhoz, Rosemeire. «Da evidência à ação: desafios do Sistema Único de Saúde para ofertar a profilaxia pré-exposição sexual (PrEP) ao HIV às pessoas em maior vulnerabilidade». Cadernos de Saúde Pública. Cadernos de Saúde Pública