Rio Sarasvati

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Curso do rio Gagghar-Hakra védico e atual como proposto por Clift et al. (2012) e Khonde et al. (2017)

O rio Sarasvati é um rio deificado mencionado no Rigueveda[1] e em textos védicos e pós-védicos posteriores. Ele desempenhou um papel importante na religião védica, aparecendo em todos, exceto no quarto livro do Rigueveda. Como um rio físico, nos textos mais antigos do Rigueveda ele é descrita como um "grande e sagrado rio no noroeste da Índia",[2] mas nos livros intermediários e tardios do Rigueveda ele é descrito como um pequeno rio que termina em "um lago terminal (samudra)."[3] Assim como a deusa Sarasvati, a outra referência para o termo "Sarasvati" que se desenvolveu em uma identidade independente nos tempos pós-védicos,[4] o rio também é descrito como uma entidade poderosa.[5] O Sarasvati também é considerado pelos hindus como existindo em uma forma metafísica, na qual formou uma confluência com os rios sagrados Ganges e Yamuna, no Triveni Sangam.[6] De acordo como indologista estadunidense Michael Witzel, sobreposto ao rio védico Sarasvati está o rio celestial Via Láctea, que é visto como "uma estrada para a imortalidade e vida celestial após a morte".[7]

Textos rigvédicos e posteriores védicos têm sido usados para propor uma identificação com os rios atuais, ou leitos de rios antigos. O hino Nadistuti no Rigueveda (10.75) menciona o Sarasvati entre o Yamuna no leste e o Sutlej no oeste, enquanto RV 7 .95.1-2 descreve o Sarasvati fluindo para o "samudra", uma palavra agora geralmente traduzida como 'oceano', mas que também pode significar "lago".[3][8][9][10] Textos védicos posteriores, como o Tandya Brahmana e o Jaiminiya Brahmana, bem como o Mahabharata, mencionam que o Sarasvati secou no deserto.

A civilização do Vale do Indo declinou em comunidades agrícolas menores há cerca de 4 mil anos, quando o Ghaggar-Hakra secou devido ao recuo das monções.[11][12] [13][14]Chatterjee et al. (2019) Mas, os primeiros Riguevedas foram compostos apenas por volta da segunda metade do segundo milênio a.C.; logo os cronogramas hidrogeológicos não correspondem.[15][16]}[12][13][14][17] Pesquisas recentes indicam que os paleocanais de Ghaggar-Hakra são do antigo Sutlez (abandonado cerca de 10.000-8.000 anos atrás, deixando Ghagghar-Hakra alimentado pela chuva) e as descrições do Sarasvati também não se encaixam no curso ou linha do tempo hidrográfica do Ghaggar-Hakra.[11][13][12][14][18][19]

"Sarasvati" também foi identificado com o rio Helmand ou Haraxvati no sul do Afeganistão,[20] cujo nome pode ter sido reutilizado em sua forma sânscrita como o nome do rio Ghaggar-Hakra, depois que as tribos védicas se mudaram para o Punjabe.[20][18] O Sarasvati do Rigueveda também pode se referir a dois rios distintos, com os livros de família se referindo ao rio Helmand e a 10ª mandala mais recente referindo-se ao Ghaggar-Hakra.[20] A identificação com o sistema Ghaggar-Hakra assumiu um novo significado no início do século XXI, [21] com alguns sugerindo uma datação anterior do Rig Veda; renomeando a Civilização do Vale do Indo como a "cultura Sarasvati",[22] [23][24] sugerindo que as civilizações do Vale do Indo e védica podem ser equiparadas;[25] e rejeitando a teoria das migrações indo-arianas, que postula um período extenso de migrações de pessoas que falam indo-europeu para o sul da Ásia entre ca. 1900 e 1400 a.C..

Referências

  1. Kinsley 1998, p. 11, 13.
  2. Wilke & Moebus 2011, p. 310.
  3. a b Witzel 2001, p. 93.
  4. Kinsley 1998, p. 10, 55-57.
  5. Ludvík 2007, p. 11-13.
  6. «Sarasvati | Hindu deity». Encyclopedia Britannica 
  7. Witzel (2012): "It can easily be understood, as the Sarasvatī, the river on earth and in the nighttime sky, emerges, just as in Germanic myth, from the roots of the world tree. In the Middle Vedic texts, this is acted out in the Yātsattra... along the Rivers Sarasvatī and Dṛṣadvatī (northwest of Delhi)..."
  8. Klaus, K. Die altindische Kosmologie, nach den Brāhmaṇas dargestellt. Bonn 1986
  9. Samudra, XXIII Deutscher Orientalistentag Würzburg, ZDMG Suppl. Volume VII, Stuttgart 1989, 367–371
  10. Bhargava, M.L. (1964). The Geography of Rigvedic India. [S.l.]: Lucknow 
  11. a b Giosan et al. 2012.
  12. a b c Clift et al. 2012.
  13. a b c Maemoku et al. 2013.
  14. a b c Singh 2017.
  15. Wilke & Moebus 2011.
  16. Giosan et al. 2012, p. 1688-1689.
  17. Mukherjee 2001, p. 2, 8-9.
  18. a b Romila Thapar (2004). Early India: From the Origins to AD 1300. [S.l.]: University of California Press. ISBN 978-0-520-24225-8 
  19. Kocchar, Rajesh. «The rivers Sarasvati: Reconciling the sacred texts». RajeshKochhar.com (blog post);  based on The Vedic People: Their history and geography. [S.l.: s.n.] 
  20. a b c Kochhar, Rajesh (1999), «On the identity and chronology of the Ṛgvedic river Sarasvatī», in: Roger Blench; Matthew Spriggs, Archaeology and Language III; Artefacts, languages and texts, ISBN 978-0-415-10054-0, Routledge 
  21. Encyclopædia Britannica, Sarasvati
  22. Upinder Singh (2008). A History of Ancient and Early Medieval India: From the Stone Age to the 12th Century. [S.l.]: Pearson Education India. pp. 137–8. ISBN 978-81-317-1677-9 
  23. Charles Keith Maisels (16 de dezembro de 2003). «The Indus/'Harappan'/Sarasvati Civilization». Early Civilizations of the Old World: The Formative Histories of Egypt, The Levant, Mesopotamia, India and China. [S.l.]: Routledge. ISBN 978-1-134-83731-1 
  24. Denise Cush; Catherine A. Robinson; Michael York (2008). Encyclopedia of Hinduism. [S.l.]: Psychology Press. ISBN 978-0-7007-1267-0 
  25. Danino 2010, p. 258.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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