Rouxinol

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaRouxinol-comum
Nachtigall (Luscinia megarhynchos)-2.jpg

Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Passeriformes
Família: Muscicapidae
Género: Luscinia flaba
Espécie: L. megarhynchos
Nome binomial
Luscinia megarhynchos
Brehm, 1831
Luscinia megarhynchos MHNT

O rouxinol (Luscinia megarhynchos), também conhecido como rouxinol-comum, é um pequeno pássaro anteriormente classificado como um membro da família Turdidae mas pertencente à família dos Muscicapideos que são restritos ao Velho Mundo.

O rouxinol foi catalogado como "Pouco Preocupante" pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN).[1]

O canto do rouxinol,[2] tem sido descrito como um dos sons mais bonitos na natureza, inspirando canções, contos de fadas, ópera, livros e uma enorme quantidade de poesia.[3]

Descrição[editar | editar código-fonte]

É uma espécie insectívora e migratória, procriando em florestas e moitas na Europa e no sudoeste da Ásia. A sua distribuição estende-se mais a sul do que o seu parente próximo Luscinia luscinia. Nidifica no chão, dentro ou perto de densos arbustos. Inverna no sul de África. Pelo menos na Renânia (Alemanha), o habitat de reprodução dos rouxinóis está de acordo com certo número de parâmetros geográficos.[4]

  • menos de 400 m (1300 ft) acima do nível do mar
  • temperatura durante a época de crescimento acima de 14°C (57°F)
  • mais de 20 dias/ano em que a temperatura excede 25°C (77°F)
  • precipitação anual menor que 750mm
  • índice de aridez inferior a 0.35
  • longe de dosseis florestais

Aparência e canto[editar | editar código-fonte]

O rouxinol é um pouco menor que o pisco-de-peito-ruivo, com 15–16,5 cm (5,9–6,5 in) de comprimento. É castanho claro em cima, excepto a cauda ligeiramente avermelhada e branco sujo em baixo. Os sexos são similares.

O rouxinol canta geralmente de noite, mas também às vezes durante o dia. Escritores antigos afirmavam que era a fêmea que cantava, quando é de facto o macho a fazê-lo. O canto é muito alto, com uma impressionante variedade de assobios, trinados e gorgolejos e é particularmente audível à noite, porque sendo uma ave tímida, poucas aves estão cantando. É por essa razão que o seu nome inclui a palavra "noite" em muitos idiomas. Também por ser tímida, esta espécie esconde-se geralmente no meio de vegetação densa e raramente se deixa ver.

Apenas os machos sem par cantam regularmente de noite, e o canto nocturno serve para atrair uma parceira. O canto de madrugada, um pouco antes do nascer do sol, é assumido como sendo importante na defesa do território da ave. Os rouxinóis cantam ainda mais alto em zonas urbanas, para superarem o ruído de fundo. O traço mais característicos do canto é o seu alto e continuo crescendo ao contrário do seu parente próximo Luscinia luscinia, que tem um canto parecido com o som de alarme de um sapo.

O corruíra (Troglodytes musculus) é chamado rouxinol em algumas partes do Brasil, mas na verdade, ele é da família Troglodytidae, uma outra família do que do rouxinol-comum (Luscinia megarhynchos).

Simbolismo[editar | editar código-fonte]

O rouxinol é um símbolo importante para poetas de várias idades, acabando por assumir uma série de conotações simbólicas. Homero evoca o rouxinol na Odisseia, sugerindo o mito de Filomela e Progne (onde uma das duas, dependendo da versão do mito, se transforma num rouxinol[5]).[6] Este mito é também foco na tragédia de Sófocles, Tereus, onde apenas alguns fragmentos se mantêm. Ovídio, também, na sua Metamorfoses, inclui a versão mais popular deste mito, imitado e alterado por outros poetas, incluindo Chrétien de Troyes, Geoffrey Chaucer, John Gower, e George Gascoigne. "The Waste Land" de T.S. Eliot, também evoca o canto do rouxinol (e o mito de Filomela e Progne).[7] Por causa da violência associada ao mito, o canto do rouxinol foi durante longo tempo associado a um lamento.

O rouxinol também tem sido usado como um símbolo dos poetas ou da sua poesia.[8] Os poetas escolheram o rouxinol como um símbolo por causa da sua música criativa e aparentemente espontânea.

Canto de um rouxinol macho.

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Aves de Aristófanes e também Calímaco, ambos evocam o canto da ave como uma forma de poesia. Virgílio compara o luto de Orfeu com o "lamento do rouxinol".[9]

No soneto "Sonnet 102", Shakespeare compara a sua poesia de amor ao canto do rouxinol (Filomela):

"Nosso amor era novo, e, em seguida, na Primavera,
Quando eu estava acostumado a saudá-la com a minha disposição;
Como Filomela canta no acaso do Verão,
E pára de assobiar no crescimento de dias mais maduros:"

Durante a era do Romantismo o simbolismo da ave voltou de novo a mudar: os poetas viam a ave não apenas como um poeta no seu pleno direito, mas também como "mestre na arte superior que conseguia inspirar qualquer poeta humano".[10]

Para alguns poetas românticos, o rouxinol começou a ter mesmo as qualidades de uma musa. Coleridge e Wordsworth viam o rouxinol como um exemplo singular de criação poética: o rouxinol tornava-se a voz da natureza. No seu poema "Ode ao Rouxinol", John Keats imagina o rouxinol como o poeta ideal que alcançou a poesia que Keats ansiava por escrever. Invocando uma concepção semelhante do rouxinol, Percy Bysshe Shelley escreveu no seu "Uma Defesa da Poesia":

"Um poeta é um rouxinol que se senta na escuridão e canta com doces sons para alegrar a sua própria solidão; os seus ouvintes são como homens encantados com a melodia de um músico invisível, que sentem que estão a ser movidos e suavizados, mas não sabem de onde ou porquê".

Cultura popular[editar | editar código-fonte]

Rouxinol.
  • O "Mocho e o Rouxinol" (século XII ou XIII), é um poema em Inglês médio sobre um diálogo entre estas duas aves.
  • O soneto de John Milton "Ao Rouxinol" contrasta com o simbolismo do rouxinol como uma ave para apaixonados, com o cuco como um pássaro que era chamado quando esposas eram infiéis (ou "traídas") pelos seus maridos.
  • O amor do rouxinol pela rosa é muito usado, muitas vezes metaforicamente, na literatura persa.[13]
  • Em "A Ave das Sombras e a Ave-Sol", um conto de fadas de Maud Margaret Key Statwell, uma jovem menina deseja ser um rouxinol.
  • Um rouxinol está representado no reverso de uma moeda de 1 kuna na Croácia desde 1993.[15]
  • Uma gravação de um canto de um rouxinol está incluído em "The Pines of Janiculum", o terceiro movimento do poema sinfónico de Ottorino Respighi "Pini di Roma" (Pináculos de Roma) (1924).

Referências

  1. The IUCN List of Threatenet Species. «Luscinia megarhynchos». IUCN. Consultado em 9 de maio de 2012 
  2. British Library Sound Archive. British wildlife recordings: Nightingale, acedido a 29-5-2013
  3. Maxwell, Catherine. "The Female Sublime from Milton to Swinburne: Bearing Blindness", Manchester University Press, 2001, pp. 26–29 ISBN 0719057523
  4. (em alemão) Wink, Michael (1973): " Die Verbreitung der Nachtigall (Luscinia megarhynchos) im Rheinland". Charadrius 9(2/3): 65-80. (PDF)
  5. Salisbury, Joyce E. (2001), Women in the ancient world, ISBN 9781576070925, ABC-CLIO, p. 276 
  6. Chandler, Albert R. (1934), «The Nightingale in Greek and Latin Poetry», The Classical Association of the Middle West and South, Inc., The Classic Journal, XXX (2): 78–84 
  7. Eliot, T.S. (1964), The Waste Land and Other Poems, ISBN 978-0-451-52684-7 Signet Classic ed. , New York, NY: Penguin Group, pp. 32–59 
  8. Shippey, Thomas (1970), «Listening to the Nightingale», Duke University Press, Comparative Literature, XXII (1): 46–60 
  9. Doggett, Frank (1974), «Romanticism's Singing Bird», Rice University, Studies in English Literature 1500-1900, XIV (4) 
  10. Doggett, Frank (1974), «Romanticism's Singing Bird», Rice University, Studies in English Literature 1500-1900, XIV (4) 
  11. Stedman, Edmund C. (1884), «Keats», The Century, XXVII 
  12. Swinburne, Algernon Charles (1886), «Keats», Miscellanies, New York: Worthington Company, consultado em 8 de outubro de 2008  |contribuição= e |capítulo= redundantes (ajuda). da Encyclopædia Britannica.
  13. «The Rose and nightingale in Persian literature». Cópia arquivada em 22 de janeiro de 2008 
  14. The Nightingale
  15. Croatian National Bank. Kuna and Lipa, Coins of Croatia: 1 Kuna. – Recuperado em 31 Março 2009.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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