Sílvia Serafim Thibau

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Sílvia Thibau

Sílvia Serafim Thibau[nota 1] (Rio de Janeiro, 27 de julho de 1902 - Niterói, 27 de abril de 1936) foi uma jornalista e escritora brasileira.

O crime[editar | editar código-fonte]

Filha de Augusto Serafim, auxiliar de Oswaldo Cruz, casada com o médico João Thibau Júnior, e mãe de dois filhos, Sílvia foi acusada pelo jornal carioca A Crítica de ter traído o marido, mantendo um caso com o também médico Manuel Dias de Abreu, mais tarde inventor da abreugrafia.[1] A matéria de capa do jornal no dia 26 de dezembro de 1929, "Entra hoje em juízo nesta capital um rumoroso pedido de desquite!"[1], sugeria que o verdadeiro motivo de seu desquite seria o adultério. Nela, Sylvia aparecia em uma ilustração de Roberto Rodrigues sendo acariciada pelo médico.

Irritada, ela tentou cometer suicídio, mas foi impedida pela família, e então disse que ia dar uma volta para desanuviar a cabeça, e foi até a loja Espingarda Mineira, onde comprou uma arma,[2] e foi à redação do jornal procurando por Mário Rodrigues no dia 26 de dezembro de 1929.[3] Como Mário não estava no jornal, Sílvia acabou atirando no filho dele, o também jornalista Roberto. No local, assistindo ao crime, estava o irmão da vítima, Nelson Rodrigues, então com 17 anos.[4][2] O crime marcaria a vida de Nelson, que posteriormente declarou que "o meu teatro não seria como é, nem eu seria como sou, se eu não tivesse sofrido na carne e na alma, se não tivesse chorado até a última lágrima de paixão o assassinato de Roberto."[5]

O processo criminal foi acompanhado por uma feroz campanha promovida pelo jornal, que chamava a ré de "literata do Mangue" e "cadela das pernas felpudas". Seu julgamento foi o primeiro no Brasil a ser transmitido ao vivo pelo rádio, e se tornou palco de uma disputa político-ideológica entre grupos conservadores/reacionários e grupos feministas/progressistas. O advogado de defesa, Clóvis Dunshee de Abranches, alegou que Sílvia havia se descontrolado por ter sido caluniada.[6] Ao passo que o advogado de acusação, Max Gomes de Paiva, sugeriu que Sylvia “trocou sua condição de anjo do lar pela profissão de jornalista, para satisfação de sua vaidade”.[7]

Sylvia foi absolvida. Suicidou-se em 1936, depois de abandonada por um tenente-aviador por quem havia se apaixonado.[8]

Representações[editar | editar código-fonte]

O assassinato de Roberto entrou para a memória coletiva e recebeu ampla cobertura e repercussão em diversas mídias. Nelson Rodrigues dedica diversas crônicas de seu livro O reacionário ao impacto do assassinato de seu irmão em sua vida, e Ruy Castro amplia a discussão em O anjo pornográfico. O crime de Silvia Thibau também foi encenado como um episódio do programa Linha Direta, da Rede Globo, exibido em 7 de junho de 2007. Letícia Spiller fez o papel da jornalista, com Eriberto Leão representando Roberto Rodrigues.[9]

A tragédia foi contada também na peça A vida como ela é, espetáculo sobre a vida e obra de Nelson Rodrigues encenado em 2010[10] e serviu ainda de inspiração para o romance Sylvia não sabe dançar (2012), de Cristiane Lisbôa.[11]

As versões divergem em alguns pontos, tanto mais considerando as ficções.

Obras publicadas[editar | editar código-fonte]

  • Fios de prata, sinfonia da dor, 1930
  • Manual de civilidade, 1935?[12]

Notas

  1. Na grafia original, Sylvia Seraphim Thibau.

Referências

  1. Paixão e morte na virada do século Observatório da Imprensa, 10 de maio de 2005
  2. a b «Paixão e morte na tragédia que marcou a família de Nelson Rodrigues». Glamourama. Consultado em 23 de outubro de 2020 
  3. BARBOSA, Marialva. História cultural da imprensa Brasil - 1900-2000. Mauad Editora, 2007. Págs. 68-71
  4. Nelson Rodrigues. Almanaque Brasil
  5. «A Primeira Tragédia de Nelson Rodrigues – Linha Direta Justiça – Memória». Consultado em 28 de novembro de 2021 
  6. memória Globo - Rede Globo
  7. Castro, Ruy (1992). O anjo pornográfico. [S.l.: s.n.] p. 98 
  8. Paixão e morte na virada do século. Observatório da Imprensa, 10 de maio de 2005
  9. memória Globo - Rede Globo
  10. A Vida Como Ela É volta ao cartaz. Gazeta do Povo - Caderno G, 11 de agosto de 2010
  11. Filha em situações libertinosas com o próprio pai...até que ponto vai uma carícia? - Livraria da Folha
  12. Fundação Biblioteca Nacional - Catálogo antigo[ligação inativa]