Síndrome de Poliana

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A Síndrome de Poliana (também chamado de Polianismo ou tendência à positividade) é a tendência que as pessoas têm de se lembrarem mais facilmente de coisas agradáveis do que de coisas desagradáveis.[1] Pesquisas indicam que, no nível subconsciente, a mente tem uma tendência a se focar no otimismo; enquanto no nível consciente, ele tem uma tendência a se concentrar no negativo. Este viés subconsciente para o lado positivo é muitas vezes descrito como a Síndrome de Poliana e é semelhante para o efeito Forer.[2]

História[editar | editar código-fonte]

O nome deriva da novela Pollyanna, de 1913, de Eleanor H. Porter, que descreve uma garota que faz o "jogo da felicidade" ("gladness game") - procurando encontrar algo de que se alegrar em todas as situações.[3] O romance foi adaptado várias vezes no cinema e na televisão.[4][5] Um uso anterior do nome "Pollyanna" na literatura sobre psicologia foi em 1969 por Boucher e Osgood, que descreveram uma hipótese de Pollyanna como uma tendência humana universal para usar palavras positivas com mais frequência e de forma diversa do que palavras negativas na comunicação.[6] Evidências empíricas para essa tendência foram fornecidas por análises computacionais de grandes corpos de texto.[7][8]

A "Síndrome de Pollyanna" foi descrito por Margaret Matlin e David Stang em 1978 usando o arquétipo de Pollyanna, mais especificamente como uma síndrome psicológica que retrata a tendência positiva de que as pessoas têm quando pensam no passado. De acordo com a Síndrome de Pollyanna, o cérebro processa informações que são agradáveis e confortantes de uma maneira mais precisa e exata em comparação com informações desagradáveis. Na verdade, tendemos a lembrar de experiências passadas de maneira mais positiva do que realmente ocorreram. Eles descobriram que as pessoas se expõem a estímulos positivos e evitam estímulos negativos, levam mais tempo para reconhecer o que é desagradável ou ameaçador do que o que é agradável e seguro, e relatam que encontram estímulos positivos com mais frequência do que realmente fazem. Matlin e Stang também determinaram que a recordação seletiva era uma ocorrência mais provável quando a recordação era atrasada: quanto maior o atraso, mais recordação seletiva ocorreu.[9]

A síndrome de Pollyanna também foi observada nas redes sociais online. Por exemplo, usuários têm preferência por compartilhar informações positivas e são mais frequentemente afetados de maneira emocional por elas.[10][11]

No entanto, a Síndrome de Pollyanna nem sempre se aplica a indivíduos que sofrem de depressão ou ansiedade, que tendem a ter um realismo depressivo ou um viés negativo.[12]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Matlin & Stang 1978, p. 260.
  2. http://apsychoserver.psych.arizona.edu/JJBAReprints/PSYC621/Forer_The%20fallacy%20of%20personal%20validation_1949.pdf Forer BR (1949). The fallacy of personal validation: A classroom demonstration of gullibility Journal of Abnormal and Social Psychology. 44, 118-123
  3. Eleanor Hodgman Porter became a remarkable woman of history
  4. «SBT aposta alto contra Globo e estreia novela mais cara de sua história». UOL. 16 de maio de 2018. Consultado em 16 de maio de 2018 
  5. «Síndrome de Pollyanna». Dicionário Online. Consultado em 5 de maio de 2018 
  6. Boucher & Osgood 1969.
  7. Peter Sheridan, Dodds; Clark, Eric M.; Desu, Suma; Frank, Morgan R.; Reagan, Andrew J.; Williams, Jake Ryland; Mitchell, Lewis; Harris, Kameron Decker; Kloumann, Isabel M. (24 de fevereiro de 2015). «Human language reveals a universal positivity bias». Proceedings of the National Academy of Sciences (em inglês). 112 (8): 2389–2394. Bibcode:2015PNAS..112.2389D. ISSN 0027-8424. PMC 4345622Acessível livremente. PMID 25675475. arXiv:1406.3855Acessível livremente. doi:10.1073/pnas.1411678112 
  8. Holtz, Peter; Deutschmann, Emanuel; Dobewall, Henrik (23 de agosto de 2017). «Cross-Cultural Psychology and the Rise of Academic Capitalism: Linguistic Changes in CCR and JCCP Articles, 1970-2014». Journal of Cross-Cultural Psychology (em inglês). 48 (9): 1410–1431. ISSN 0022-0221. doi:10.1177/0022022117724902 
  9. Matlin & Stang 1978.
  10. Ferrara & Yang 2015a.
  11. Ferrara & Yang 2015b.
  12. Carr 2004.

Biblliografia[editar | editar código-fonte]