Sapo-corredor

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Sapo-corredor, Epidalea calamita

Sapo-corredor, Epidalea calamita
Estado de conservação
Status iucn3.1 LC pt.svg
Pouco preocupante [1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Amphibia
Ordem: Anura
Família: Bufonidae
Género: Epidalea
Espécie: E. calamita
Nome binomial
Epidalea calamita
Laurenti, 1768
Distribuição geográfica
Mapa Epidalea calamita.png

O sapo-corredor (Epidalea calamita, anteriormente incluído no género Bufo) é um sapo natural de zonas arenosas e zonas de charneca da Europa Ocidental e do Norte. Os adultos atingem os 60-70 mm de comprimento e distinguem-se facilmente do sapo-comum por terem uma risca amarela a meio do dorso. As suas patas posteriores são relativamente compridas, que lhes dá uma marcha característica, que os distingue de outras espécies de sapo. Desta forma de andar vem o seu nome comum, sapo-corredor.

O chamamento dos sapos-corredores é bastante alto e distinto, amplificado por um único saco vocal presente debaixo do queixo dos machos.

Descrição[editar | editar código-fonte]

Pode atingir até aos 9 cm de comprimento. Desloca-se preferencialmente com movimentos rápidos dos membros, parecendo correr (e daí o seu nome comum), ao invés de saltar, sendo uma das características que o distingue do sapo-comum. Apresenta também uma risca cor-de-laranja distintiva no dorso. Tal como outros sapos, possui pele rugosa. Na cabeça são proeminentes duas glândulas paratóides. As pupilas dos olhos são horizontais e de forma elíptica com íris verde ou amarelada. A sua coloração é variável. No dorso apresenta normalmente padrões de verde escuro sobre verde claro, enquanto que o ventre é esbranquiçado ou acinzentado com manchas pretas ou castanhas.[2]

Taxonomia[editar | editar código-fonte]

Foi inicialmente descrita como Bufo calamita por J. N. Laurenti em 1768. O nome Epidalea foi primeiro usado por E. D. Cope em 1864, mas até 2006 era ainda considerado um membro do género Bufo. Frost e colegas retiraram-no do género e recuperaram o nome Epidalea após estudos genéticos terem concluído pela sua distinção, em particular de Bufo viridis.[3] [4] [5]

Ciclo de vida[editar | editar código-fonte]

Um sapo-corredor juvenil.
Um sapo-corredor ligeiramente mais velho, mas ainda não adulto.

Este sapo vive até 12 anos de idade e alimenta-se de insectos, carunchos e outros pequenos animais. Durante a noite, deslocam-se em terreno descampado, e conseguem-se ver marcas das suas patas em areia solta. A distância que percorrem durante estas deslocações nocturnas é considerável, permitindo que esta espécie colonize novos habitats rapidamente.

Reprodução[editar | editar código-fonte]

Girinos de sapo-corredor

O sapo-corredor reproduz-se entre Abril e Julho, deixando 'fios' de ovos em pequenos charcos não muito profundos. Os chamamentos altos são importantes porque o sapo-corredor normalmente encontra-se presente em números baixos e por isso é importante que machos e fêmeas se consigam encontrar.

Para a reprodução ser bem sucedida, os charcos precisam ter uma inclinação suave com alguma vegetação nas margens e na água. Muitas vezes estes charcos são temporários e as larvas não tem tempo de se desenvolver completamente antes da água secar. Para compensar a elevada mortalidade, o sapo-corredor acasala várias vezes durante o Verão. Em Setembro, a idade dos juvenis varia de um a três meses. Aparentemente, os indivíduos que se reproduzem no início da época não são os mesmos que os mais tardios.

Comportamento[editar | editar código-fonte]

O sapo-corredor tem hábitos nocturnos, mas durante a época de reprodução está activo também durante o crepúsculo e dia.[6] Durante o dia permanece escondido debaixo de troncos e pedras ou em abrigos feitos por outros animais. É usual também enterrarem-se em terrenos arenosos ou de terra solta.[2] Ao contrário da maioria dos anuros, deslocam-se a maioria das vezes não por saltos, mas por pequenas corridas, sendo por isso chamado de sapo-corredor.[7]

Conservação[editar | editar código-fonte]

No Reino Unido, esta espécie é uma das três espécies de anfíbio protegida pelo Plano Nacional de Biodiversidade. As razões apresentadas para o seu estatuto de conservação são: perda de habitat devida a sobrepopulação humana, redução de habitat costeiro por causa da construção de diques e acidificação do habitat aquático pela acção de chuva ácida e outros tipos de poluição.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Beja, P. et al. (2009). Epidalea calamita (em Inglês). IUCN . Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN de . Base de dados que inclui um mapa de distribuição e a justificação para o estado desta espécie ser pouco preocupante.
  2. a b Rui Braz e Maria João Cruz Ficha do sapo-corredor, Naturlink.
  3. Epidalea Cope, 1864. Visitado em 2015-06-14.
  4. Epidalea calamita (Laurenti, 1768). Visitado em 2015-06-14.
  5. (2006) "The amphibian tree of life. Bulletin of the AMNH ; no. 297".
  6. Pereira, José. Sapo-corredor ( Bufo calamita ) www.azibo.org. Visitado em 2015-07-02.
  7. Sapo-corredor | Charcos Com Vida www.charcoscomvida.org. Visitado em 2015-07-02.
  • (em inglês) Beja, P. et al. (2004). Bufo calamita. 2006 IUCN Red List of Threatened Species. IUCN 2006. Acesso a 12 de Maio de 2006. Base de dados que inclui um mapa de distribuição e a justificação para o estado desta espécie ser pouco preocupante.


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