TI verde

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A "Tecnologia da Informação Verde" ou apenas TI Verde (do inglês: Green IT) é uma tendência mundial voltada para a redução do impacto dos recursos tecnológicos no meio ambiente. É o conjunto de práticas para tornar mais sustentável e menos prejudicial o uso de tecnologia, desta forma, ela propõe modos de compatibilizar o uso de recursos naturais de forma adequada às políticas sustentáveis existentes dentro das organizações[1]. Como exemplos práticos de sua aplicação temos o uso de recursos tecnológicos que consumam menos energia, o uso de matéria prima e substâncias menos tóxicas em seus processos produtivos e o descarte responsável de seus produtos através da reciclagem e da reutilização de materiais. A TI Verde engloba, entre outros, o cumprimento da legislação ambiental e os diagnósticos dos aspectos e impactos ambientais de atividades relacionadas à área da Tecnologia da Informação, seguindo e desenvolvendo procedimentos e planos de ação com objetivos de eliminação ou diminuição da agressão ambiental.

Histórico[editar | editar código-fonte]

Com o advento da Revolução Tecnológica percebeu-se que a sociedade passou a apresentar um comportamento marcado pelo consumismo desenfreado, no qual o consumo exagerado de bens e recursos, os desperdícios e a ausência de cuidados no descarte de resíduos passou a chamar atenção de parte da população que se fazia mais preocupada com o meio ambiente. Esta mesma preocupação foi sentida pelos mais diversos setores da economia, o que levou governantes, empresas e sociedade civil a buscar medidas para contenção de impactos ambientais e preservação do planeta[1]. Este movimento de massas preocupadas em compatibilizar o crescimento econômico com a manutenção do meio ambiente saudável toma força nos anos 90, quando se estabelece o conceito de sustentabilidade, ficando claro que para a conservação do planeta ser efetiva seria necessário rever os modos de produção de forma a torná-los menos degradantes ao meio ambiente[2]. Diante deste alerta e da nova mentalidade surge a TI Verde (Século XIX), a qual foi criada por empresas de tecnologia com a finalidade de aliar os recursos disponíveis às políticas de sustentabilidade e economia dentro das organizações, este conceito faz menção à ecoeficiência (1980) que prega a utilização eficiente dos recursos naturais[3].

Princípios[editar | editar código-fonte]

Redução de gases[editar | editar código-fonte]

O aquecimento global é causado pela queima de gases que causam efeito estufa como a queima de gás, petróleo, carvão, madeira, e outros recursos. O aquecimento global é a tendência de subida da temperatura média global e um dos problemas mais complicados enfrentado pelos lideres mundiais. Os cientistas prevêem que o aumento da temperatura e a subida do nível do mar decorrentes do aquecimento global afetarão negativamente a biodiversidade da Terra. Em meados da década de 50, criou-se a curva de Keeling, que rastreia mudanças na concentração de gás carbônico na atmosfera da Terra em uma estação de pesquisa em Mauna Loa. Estima-se que até 2050 as emissões dos gases deverão baixar em um quarto do total atual.

O SMART 2020 Report do Climate Group é o primeiro estudo global abrangente da crescente importância do setor de TI para o clima do mundo. Modificar a forma que as pessoas e as organizações usam TI poderia reduzir as emissões causadas pelo homem em 15% até 2020 e fornecer economia de energia para empresas globais em média de 800 bilhões de dólares.

A TI tem capacidade única de monitorar e maximizar a eficiência energética dentro e fora de seu próprio setor industrial, e cortar as emissões de CO² por 7,8 GtCO2e/y até 2020, o que é maior do que as emissões anuais da China ou dos Estados Unidos em 2010.

O papel da TI inclui a redução de emissões e economia de energia não só no setor de TI em si, mas também na transformação de como e onde as pessoas trabalham.

Já existem algumas iniciativas para mudar o consumo de energia, queima de gases, consumo exacerbado de produtos tecnológicos, há algumas iniciativas de industrias também, ao reutilizar a matéria prima de produtos descartados. A necessidade de se buscar novas alternativas para conscientizar as pessoas e organizações da importância da responsabilidade social e sustentabilidade global, para um futuro da sociedade.[4]

Consumo de energia[editar | editar código-fonte]

Com as empresas e pessoas utilizando cada vez mais a Tecnologia da Informação, há uma necessidade crescente de infraestrutura computacional no mundo. Para criar e manter dados e fluxo de informações computacionais são necessário grande quantidade de servidores (computadores de grande porte) e parques tecnológicos para seu funcionamento, conhecidos como datacenters. Essa infraestrutura computacional atualmente necessária implica um aumento no consumo de energia.

Para a situação citada acima existem algumas ações que contribuem para a redução de energia, como: racionalização e virtualização de servidores, configuração para economia de energia nos computadores e servidores, ajuste do ar-condicionado e do fluxo de ar dentro dos datacenters, aquisições de equipamentos com certificados, etc.

Os servidores e datacenters das empresas são grandes vilões quando o quesito é consumo de energia, enquanto o foco tradicional em termos de consumo de energia são os datacenters, é importante ter uma visão holística das áreas que podem ser melhoradas. Também vale a pena notar que consumo de energia e refrigeração são e continuarão a ser a primeira preocupação dos administradores dos datacenters. É possível ir além da capacidade computacional das empresas, pensar nas estações de trabalho individualmente, optando por computadores menos potentes e monitores que consomem menos energia, como Thin Clients (computadores de baixo custo, sem disco rígido que processam informações diretamente no servidor) que utilizam menos energia que computadores comuns e ocupam menos espaço, também existe a possibilidade de implementar aplicativos remotos nos computadores da empresa, pois permitem menos deslocamentos.

Fabricação[editar | editar código-fonte]

Fabricantes de equipamentos eletroeletrônicos também podem fazer sua parte, optando por desenvolver produtos que utilizam materiais menos nocivos ao meio ambiente e com maior chance de aproveitamento no caso de descarte e que consumam menos energia.

Distribuidores e varejistas que são responsáveis pela logística nas vendas de produtos eletrônicos já estão desenvolvendo meios de captação dos produtos antigos que os clientes substituem, proporcionando um destino correto e organizado dos resíduos dos produtos eletrônicos.

No que diz respeito aos consumíveis como papel, cartuchos e baterias, estes devem ser controlados e racionalizados. Devem ser priorizadas a reciclagem e a reutilização desses materiais assim como conhecer o destino correto no caso de não aproveitamento.

Descarte Consciente[editar | editar código-fonte]

O descarte inapropriado de compostos eletrônicos pode acarretar a contaminação dos solos, do lençol freático e das suas águas. Isto se dá porque muitos compostos eletrônicos apresentarem em sua composição metais pesados como chumbo, cádmio, níquel, mercúrio e zinco, os quais podem causar aos humanos danos no sistema nervoso, câncer e problemas relacionados às vias respiratórias[5]. Desta forma, a maneira correta de se desfazer de equipamentos é cuidar para que eles não sejam descartados em aterros sanitário comuns, mas sim que sejam encaminhado para a reciclagem ou doação quando sua vida útil estiver próxima de se encerrar.

Práticas[editar | editar código-fonte]

A TI Verde é composta por três níveis práticos que buscam reduzir o desperdício e aumentar a eficiência dos processos:

1) TI Verde de Incrementação Tática: Nesta etapa são incorporadas mudanças relacionadas ao controle do uso excessivo de energia elétrica. Não há custos extras uma vez que as políticas e infra-estrutura não são modificadas;

2) TI Verde Estratégico: Nesta etapa são desenvolvidas novas medidas de produção e utilização de tecnologias, a fim de serem implementados novos meios de produção de bens e serviços ecológicos. Ela demanda uma auditoria sobre a infra-estrutura utilizada e esforços em equipe para o desenvolvimento de novas medidas de utilização de recursos no processo produtivo.

3) TI Verde Profunda: Nesta etapa ocorre a integração dos níveis anteriores, sendo aplicadas modificações físicas no espaço produtivo, utilização de equipamentos de melhor desempenho, padronização de processos e treinamento da equipe. Exemplos: Projetos de sistemas de refrigeração, iluminação e nova disposição de equipamentos[6].

Adoção[editar | editar código-fonte]

Para se adotar a TI Verde, ao invés de olhar para iniciativas individuais, é necessário uma visão holística sobre o impacto ambiental da TI nas organizações, como dito anteriormente, a maioria das empresas atuais estão imersas na Tecnologia da Informação, dessa forma é possível agir em diversas áreas de uma empresa.

A TI Verde pode estar inserida no departamento de Compras de uma empresa, por exemplo, onde processos pelos quais uma organização compra equipamentos, suprimentos e serviços. Esses processos devem possuir procedimentos internos que levem em conta o impacto ambiental de qualquer tipo de aquisição realizada pela empresa.

O ambiente de trabalho é repleto de dispositivos eletrônicos, que vão desde computadores (desktops e laptops), impressoras e dispositivos móveis. A TI Verde também gera percepção do uso consciente desses equipamentos, proporcionando que sua utilização seja feita de modo eficiente e consuma menos energia.

Empresas Verdes[editar | editar código-fonte]

Se tratando de cidadania corporativa a TI Verde atua na forma pela qual as organizações de TI interagem com as comunidades locais, regionais e globais, pois além da percepção que os clientes tem dela, profissionais também estão optando por dar preferência em trabalhar em empresas que se preocupam com o meio ambiente. Segundo a Accenture, empresa prestadora de serviços na área de tecnologia, em uma pesquisa, 80% dos formandos entrevistados disseram que estavam interessados em trabalhar para companhias que tivessem um impacto ambiental positivo enquanto 92% optariam por trabalhar em empresas mais “verdes” (AROS, 2008).

Com a difusão e o amadurecimento do conceito de TI Verde, surgem melhores práticas com foco na forma como a TI é executada nas empresas, incluindo localidades, processos e estruturas. Exemplos dessas melhores práticas podem ser:

  • E-Invoicing e E-Billing, onde transações entre empresas são feitas eletronicamente, como faturamento e pagamento, não utilizando de nenhum documento impresso ou deslocamento entre as partes envolvidas.
  • Facilidades via Web, reduzindo deslocamentos dos clientes, como lojas virtuais, atendimento por telefone e vídeo conferência, etc.
  • Facilidades via Intranet, reduzindo o uso de papel e impressões, o que também aumenta a eficiência organizacional dos processos burocráticos, com maior controle e organização de informações.
  • Melhor logística (empacotamento, envio transporte, etc.) – reduzir o nível de empacotamento e organizar as entregas em lotes e não em ordens individuais, sempre que possível.
  • Utilização de softwares de gestão centralizados, com banco de dados único e informações acessíveis a todos com facilidade, velocidade e segurança.

Certificações de TI Verde[editar | editar código-fonte]

Tratam-se das normas, regulamentações e certificados que comprovam que as empresas desempenham boas práticas relacionadas ao meio ambiente e reconhecem os cuidados tomados em relação a TI Verde. Elas podem trazer benefícios comerciais, uma vez que muitas empresas só estabelecem relações econômicas com fornecedores que apresentem comprovação de boas práticas[7]. Dentre as existentes, as mais conhecidas são:

  • ISO14001 - Sistema de Gestão Ambiental: Forma eficaz de uma empresa planejar, organizar e executar atividades de forma ambientalmente correta seguindo requisitos e diretrizes pré-estabelecidos;
  • RoHS - Restrições de Certas Substâncias Perigosas: Restrição Européia de comercialização de produtos que utilizem cádmio, mercúrio, cromo, bifenilos polibromados, ésteres, difenilbromados e chumbo no processo de produção.
  • PROCEL - Selo de Economia de Energia: Produtos mais eficientes que consomem menos energia, combatem os desperdícios e reduzem os custos e os investimentos setoriais;
  • Selo Verde: Certificação que evidencia e reconhece organizações que praticam ações de sustentabilidade no âmbito da responsabilidade social e ambiental no Brasil [3].

Implementando a TI Verde[editar | editar código-fonte]

Com a crescente expansão da TI Verde, as empresas de pequeno e médio porte passaram a adotar tais medidas na busca pela sustentabilidade com ganhos econômicos e ambientais, antes seguidas somente por grandes empresas e corporações. Segundo pesquisas realizadas pela IBM, 66% das empresas de médio porte do país já acompanham os seus consumos de energia e 70% delas planejam ou já realizam atividades para reduzir o impacto ambiental (ARIMA, 2009).

A TI ganhou importância quando as empresas modernas perceberam que as informações que detém fazem parte de seu patrimônio e que o modo como uma implementação informacional é efetuada em sua estrutura pode moldar toda a empresa. Segundo os estudos formulados pelo Sebrae em 2000, a TI quando bem utilizada, traz vantagens às pequenas empresas que, com a sua adoção, diminuem custos, aumentam sua produtividade e melhoram a qualidade de seus serviços.

Assim como outras atividades humanas, a TI provoca impactos no meio ambiente sendo tanto pela demanda de energia elétrica quanto pelos materiais utilizados na fabricação do hardware. Neste contexto, existem empresas que adotam as ações de TI Verde suportando os negócios e outras que oferecem as soluções. As práticas mais facilmente implementadas por elas são a economia de energia, a visualização de servidores e desktop, uso de videoconferências, destinação correta dos seus descartes e economia de papel e reciclagem de equipamentos eletrônicos[6].

Mas não é apenas no ambiente empresarial que o conceito de TI Verde vem sendo implementado, ele também começa a se mostrar na sociedade que, mesmo que de forma inconsciente, já demonstra que a preocupação ambiental é assunto recorrente no dia-a-dia de todos. A população tem de se conscientizar que o usuário doméstico também pode praticar a TI Verde em sua casa, com pequenas mudanças de comportamento e ações voltadas à redução da emissão de CO2, reutilizando e reciclando equipamentos, fazendo investimentos em suprimentos certificados com "selo verde" e evitando a subutilização de sistemas ao otimizar o uso de produtos, sejam eles eletrônicos ou não.

TI Verde e a sustentabilidade[editar | editar código-fonte]

Área da tecnologia da informação que liga sustentabilidade a utilização dos recursos computacionais com objetivo de reduzir o consumo de eletricidade, matéria-prima (Papéis, Tintas, Toners) e a emissão de gases poluentes, bem como o tratamento e encaminhamento do lixo eletrônico visando reduzir ao máximo os impactos gerados no meio ambiente.

Paralelamente ao desenvolvimento, a sustentabilidade ganha destaque a partir da década de 1980 com o Relatório Brundtland (fonte: ONU, 1987), pois o rápido crescimento populacional acabou gerando uma grande dependência humana de energia fóssil, o que agride o meio ambiente de tal forma que os danos causados por ações antrópicas ao longo dos anos são praticamente irremediáveis na atualidade.

Assim, os conceitos de sustentabilidade e desenvolvimento econômico são recorrentes e se inserem em todos os segmentos da sociedade. Com a participação ou ativa ou como espectador das mudanças, todos participam direta ou indiretamente das ações que podem ser nomeadas como TI Verde.

Atualmente, o mundo corporativo começa a adotar e, principalmente, criar ações para atender as necessidades de um negócio sustentável. Um exemplo é o Índice de Sustentabilidade Empresarial, criado como uma ferramenta de análise comparativa de empresas sob o aspecto da sustentabilidade corporativa com base na eficiência econômica, equilíbrio ambiental, justiça social e governança corporativa (fonte: BM & FBOVESPA, 2005) que impulsionam a adoção das ações propostas como TI Verde. As empresas com os melhores índices, possuem vantagens econômicas como facilidade de créditos e uma melhor imagem frente à sociedade, impulsionando as ações de marketing.

A Symantec Corp® revela que a TI Verde agora é essencial e faz parte do planejamento das empresas, segundo os próprios executivos de TI. Os dados revelam que 45% dos executivos entrevistados mostram que existem iniciativas em termos de TI Verde implementadas, principalmente para a redução do consumo energético e custos de resfriamento de equipamentos. (fonte: CUPERTINO, 2009).

A importância para os negócios, sociedade e futuro do planeta faz com que a TI Verde ganhe cada vez mais espaço e destaque para a comunidade técnica (profissionais de TI) que, através de pesquisa e desenvolvimento, atuarão diretamente no sucesso e na inovação tecnológica que auxilie o desenvolvimento sustentável.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Lunardi, Guilherme (Setembro/2012). «TI Verde e seu Impacto na Sustentabilidade Ambiental» (PDF). XXXVI Encontro da ANPAD. Consultado em Maio/2018.  Verifique data em: |acessodata=, |data= (ajuda)
  2. «External link». pad.riseup.net (em inglês). Consultado em 11 de junho de 2018. 
  3. a b Neto, Roque Maitino; Faxina, João Marcos (10 de julho de 2015). «TI verde e sustentabilidade». Revista de Ciências Exatas e Tecnologia. 7 (7): 159–174. ISSN 2178-6895 
  4. Tecnologia da Informação para Gestão. [S.l.: s.n.] 2013. ISBN 978-85-8260-014-6  |nome1= sem |sobrenome1= em Authors list (ajuda)
  5. Abreu, Aline (2012). «TI Verde - Implementação de Práticas Sustentáveis em Empresas de Tecnologia da Informação.» (PDF). IX Simpósio de Excelência em Gestão e Tecnologia. Consultado em Abril/2018.  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  6. a b Nunes, Antonia (2012). «A TI Verde na Sociedade Atual.» (PDF). Consultado em Abril/2018.  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  7. Virote, Cláudio. «HELLEN DANTAS DOS SANTOS TI VERDE: INTERESSES ORGANIZACIONAIS E TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO ALINHADOS PELA SUSTENTABILIDADE» (em inglês) 

FERREIRA, Alisson Gonçalves. Tecnologias da Informação Verdes. INSEP - Instituto Superior de Educação do Paraná. 2009.