Taser International

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Taser M-26, muito utilizada pelo exército dos Estados Unidos.

A Taser International é uma empresa estadunidense, registrada na NASDAQ (NASDAQ: TASR), que desde 1993 fabrica e vende diversos modelos de armas de eletrochoque, popularizando seu uso principalmente pelas polícias de diversos países. As "Tasers", como são conhecidas, apesar de possuírem um funcionamento básico comum em relação ao padrão das armas de eletrochoque, tem como diferencial a emissão dos pulsos elétricos em uma frequência específica.

Tais pulsos são denominados "Ondas T", e como característica provocam uma interferência no sistema nervoso que, sem afetar os comandos dos músculos involuntários (coração, pulmões), consegue promover a contração ou estiramento dos demais músculos, com reflexo diretamente proporcional à massa muscular. Desta forma, o alvo perde o controle sobre os membros e cai, ficando imobilizado durante a ação do equipamento, que é ajustado para 5 segundos. Apesar desse temporizador, o usuário pode abreviar o disparo, ou prolongá-lo enquanto tiver carga no equipamento para tal.

O sistema só é eficiente para esta função quando os pulsos são aplicados com uma boa distância entre os polos elétricos, sendo que tal é conseguido através da propulsão de dois eletrodos de carga ligados ao equipamento por dois fios.[1]

Formas de utilização[editar | editar código-fonte]

A armas de eletrochoque Taser pode ser utilizada de duas formas:

  • por contato. Nessa função o efeito é o de uma arma de choque normal. A alta temperatura do faiscamento é capaz de provocar dor, muito parecida com um ferrão de marimbondo ou um corte na pele com alicate, mas a sensação varia de acordo com a sensibilidade do alvo.
  • pela propulsão dos eletrodos. Dois eletrodos ligados a uma ponta com formato de arpão são disparados e se fixam ao corpo ou à roupa do alvo. Não é necessário que o corpo tenha sido atingido, pois o eletrodo pode tranquilamente emitir os pulsos em forma de faíscas capazes de superar até 3 cm de espaço, inclusive através da roupa, desde que se consiga fixar, é claro. Um único eletrodo não surte o efeito de paralisação.

Mortes[editar | editar código-fonte]

O uso da Taser se dá durante um confronto policial, ou seja, em momentos que podem ser considerados de alta letalidade. Mesmo assim, conseguiu promover uma redução drástica no número de mortes.

Até hoje não foi comprovado um único caso de morte provocado pela Taser. Tal fato não a livra, no entanto, da possibilidade de letalidade por efeitos colaterais.

A primeira causa de letalidade relacionada ao uso da Taser ocorre por traumatismo craniano. Uma vez que o alvo atingido fica privado dos reflexos, não consegue amortecer sua própria queda. Desta forma, quando atingido em pé, pode bater com a cabeça no chão ou em algum obstáculo.

Os demais casos, principalmente envolvendo pessoas embriagadas ou drogadas, parecem estar relacionadas à ação pós descarga. A ação de imobilização da Taser é eficiente, mas após o encerramento da descarga o alvo retorna ao estado anterior, o que pode significar que, se estava violento, passa a ficar mais violento ainda. Um alvo pode, nestes casos, já estando com taquicardia pelo efeito das drogas, ter uma aceleração cardíaca cada vez maior, o que pode ocasionar (em tese) uma parada cardio-respiratória.

Atualmente a Anistia Internacional questiona o uso de armas Taser, mas em décadas anteriores a apoiava. Nos Estados unidos, entre 2001 e fevereiro de 2009, aproximadamente 500 pessoas morreram em incidentes envolvendo o uso dessa arma. "Das centenas de pessoas que morreram após o uso policial de armas Taser nos Estados Unidos, dezenas e dezenas de mortes possivelmente podem ser atribuídas à força desnecessária sendo usada”, declarou Susan Lee, Diretora da Anistia Internacional.[2]

A Anistia Internacional, no entanto, parece não estar satisfeita com a diminuição da letalidade, já que após a adoção dessas armas o número de mortes por armas de fogo envolvendo criminosos e policiais foi reduzido de milhares para menos de uma centena ao ano, fato esse que aparentemente afetou a arrecadação desta ONG. Podemos concluir que, quando ocorria uma morte violenta em confronto com a polícia, a indignação popular provocava um aumento de doações. Com muito menos mortes em virtude da utilização da Taser, a Anistia Internacional agora quer suprimi-la.

O debate sobre as armas de eletrochoque, especificamente as fabricadas pela Taser, cresceu após a morte de Robert Dziekanski, a décima sexta vítima dessas armas no Canadá desde 2003, ano em que a polícia canadense começou a usá-las,[3] e houve uma mobilização pública pela suspensão do uso das "Tasers".[4] Em 2007, ocorreu em Montreal a décima sétima morte relacionada ao uso de "Tasers" no Canadá.[5]

As pesquisas sobre o assunto indicam que o treinamento dos agentes é a melhor forma de prevenção quanto a letalidade no uso das Tasers, mas o assunto é muito explorado por ONGs de direitos humanos, para as quais a grande redução no número de mortes após a adoção das Tasers não é assunto relevante.

Na contra-mão dos argumentos utilizados pelos críticos do uso das Tasers, existem referências contendo dados médicos, como o documento “Advanced Taser M26 - Less-Lethal EMD Weapon - Medical Safety Information”, estudo realizado com a participação de 915 voluntários. Em 2005 o equipamento já era utilizado por polícias de cerca de 35 países, tendo naquele momento já sido noticiado o interesse de incluir os Tasers no Plano Nacional de Segurança Pública.

Vale registrar que o Sr. Ricardo Brisolla Balestreri, Diretor do Departamento de Pesquisa, Análise de Informação e Desenvolvimento de Recursos Humanos em Segurança Pública da Secretaria Nacional de Segurança Pública – SENASP, afirmou ao jornal “Correio do Povo” (edição de 21/12/2004, pág. 11 do caderno “Geral”), a respeito do assunto, que o uso de armas não letais está relacionado aos direitos humanos.

A TASER no Brasil[editar | editar código-fonte]

A Polícia do Senado Federal foi a primeira Polícia da América Latina a utilizar equipamento não-letal Taser M26 e X26, bastante adequado ao tipo de trabalho que executam, principalmente face aos locais com grande circulação de autoridades e visitantes, especialmente crianças das escolas do Distrito Federal e região do Entorno.

Tal aquisição se deu em 02/12/2005, através do Contrato N° 163 de 2005, firmado entre o SENADO FEDERAL e a empresa ABILITY BR COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO, EXPORTAÇÃO E REPRESENTAÇÕES LTDA., CNPJ 02.663.978/0001-69, e consistiu na aquisição de cento e cinqüenta kits do armamento TASER, sendo 100 unidades do modelo M26 e 50 unidades do modelo X26.

A aquisição foi fruto do projeto 11 de 2005, do Serviço de Treinamento e Logística da Polícia do Senado Federal.

O especialista autor do projeto básico de aquisição das Tasers, Jacinto Murowaniecki, mantém o indexador Dura Verum[6], através do qual, no assunto A Contrainteligência no Senado Federal[7], cita um caso provando o poder de dissuasão do armamento ao evitar que os invasores do MLST - Movimento de Libertação dos Sem-Terra, conseguissem chegar ao Senado Federal após invadirem a Câmara dos Deputados em 5 de junho de 2006.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referencias Externas[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Como funcionam as armas de choque
  2. Uso indevido da Taser é o que provoca mortes. Por George Melão. 27 de março de 2012.
  3. «Ban Tasers, says civil liberties group». Ottawa Citizen. 1º de novembro de 2007. Consultado em 14 de novembro de 2007 
  4. «Amnesty International calls for moratorium on Taser use». The Province. 19 de outubro de 2007. Consultado em 15 de novembro de 2007 
  5. «Critics demand police shelve Tasers after Montreal man dies». CBC News. 19 de outubro de 2007. Consultado em 27 de fevereiro de 2014 
  6. Murowaniecki, Jacinto (6 de março de 2017). «Dura Verum, sed verum». Consultado em 7 de janeiro de 2018 
  7. Murowaniecki, Jacinto (6 de março de 2017). «A Contrainteligência no Senado Federal». Indexador Dura Verum. Consultado em 7 de janeiro de 2018 
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