Tereza de Benguela

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Tereza de Benguela
Morte
Cônjuge José Piolho
Ocupação líder quilombola

Tereza de Benguela foi uma líder quilombola que viveu em lugar incerto, mas sabe-se que o quilombo estava às margens do rio Guaporé, no qual está localizado na cidade de Vila Bela da Santíssima Trindade, no atual estado de Mato Grosso,[1] no Brasil, durante o século XVIII.

Quilombo[editar | editar código-fonte]

Escrava fugida do capitão Timóteo Pereira Gomes, Tereza foi esposa de José Piolho,[2] que chefiava o Quilombo do Piolho ou do Quariterêre, entre o rio Guaporé (a atual fronteira entre Mato Grosso e Bolívia) e a atual cidade de Cuiabá, na década de 1740.[1] Com a morte de José Piolho, Tereza se tornou a rainha do quilombo no início dos anos 1750, e, sob sua liderança, a comunidade negra e indígena resistiu à escravidão por duas décadas, sobrevivendo até 1770, quando o quilombo foi destruído pelas forças de Luís Pinto de Sousa Coutinho e a população (79 negros e 30 índios), morta ou aprisionada. Os sobreviventes passaram por humilhação pública, e foram marcados em ferro com a letra F, de fujão, e devolvidos aos seus antigos donos.[1]

Administração[editar | editar código-fonte]

Para governar o quilombo, a rainha desenvolveu um sistema de parlamento, onde semanalmente se reuniam os deputados para decidirem sobre a administração do quilombo, sendo o de maior autoridade e tido por conselheiro, José Piolho, escravo da herança de Antônio Pacheco de Morais.[1]

A rainha Tereza comandou a estrutura política, econômica e administrativa do quilombo, mantendo um sistema de defesa com armas trocadas com os brancos ou roubadas das vilas próximas. Os objetos de ferro utilizados contra a comunidade negra que lá se refugiava eram transformados em instrumento de trabalho, visto que dominavam o uso da forja. O Quilombo do Guariterê, além do parlamento e de um conselheiro para a rainha, desenvolvia agricultura de algodão e possuía teares onde se fabricavam tecidos que eram comercializados fora dos quilombos, como também os alimentos excedentes.[3]

Morte[editar | editar código-fonte]

Em 27 de junho de 1770 uma expedição saiu em direção ao quilombo, com a missão de destruí-lo. Chegaram ao local em 22 de julho, e abriram fogo nos quilombolas, porém a maioria conseguiu fugir. Houve resistência liderada por Tereza, que revidou com arma de fogo, além de flechas, mas não foi o suficiente.[2] Tereza foi colocada numa cela, onde era tratada com palavras rudes na frente de seus antigos comandados. Nessa situação, ela ficou muda, e morreu dias depois, em tristeza. Após a morte, arrancaram-lhe a cabeça e colocaram-na no alto de um poste dentro do quilombo, para que todos pudessem vê-la.[1][2]

Dia Nacional de Tereza de Benguela[editar | editar código-fonte]

O dia de 25 de julho é instituído no Brasil pela Lei n° 12.987/2014 como o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra.[4]

Carnaval[editar | editar código-fonte]

A escola de samba de São Paulo Barroca Zona Sul, em seu samba enredo "Benguela… A Barroca Clama a Ti, Tereza", homenageou Tereza da Benguela no Carnaval de São Paulo em 2020.[5][6]

Referências

  1. a b c d e Thays de Campos Lacerda. «TEREZA DE BENGUELA: IDENTIDADE E REPRESENTATIVIDADE NEGRA». Unemat. Consultado em 27 de julho de 2020 
  2. a b c «Teresa de Benguela: a heroica Rainha do quilombo Quariterê». Aventuras na História. Consultado em 27 de julho de 2020 
  3. «Tereza de Benguela, uma heroína negra». Geledés. 2 de agosto de 2014. Consultado em 1 de julho de 2020 
  4. «L12987». www.planalto.gov.br. Consultado em 1 de julho de 2020 
  5. «Barroca Zona Sul volta à elite após 15 anos cantando Tereza de Benguela, líder de quilombo». G1. Consultado em 15 de julho de 2020 
  6. «Benguela… A Barroca Clama a Ti, Tereza - Aináh». Letras.mus.br. Consultado em 16 de dezembro de 2019 


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