Tito Estatílio Tauro

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Tito Estatílio Tauro
Cônsul da República Romana
Gravura no Promptuarii Iconum Insigniorum
Consulado 37 a.C.
26 a.C.
Nascimento ca. 60 a.C.
Lucânia
Morte 10 (69 anos)

Tito Estatílio Tauro (c. 60 a.C.–c. 10; em latim: Titus Statilius Taurus) foi um político da gente Estatília da República Romana nomeado cônsul sufecto, em 30 a.C., com Marco Vipsânio Agripa, e cônsul, em 26 a.C., com Otaviano. Foi um os generais mais importantes de Otaviano (o futuro imperador Augusto).

Biografia[editar | editar código-fonte]

Áureo de Otaviano, ca. 30 a.C.

Tauro era um homem novo (homo novus)[1] da região da Lucânia.[2] Inicialmente partidário de Marco Antônio, por quem foi nomeado como cônsul sufecto no ano 37 a.C., substituindo Lúcio Canínio Galo, que havia abdicado. No curso da guerra civil na Sicília, lutou contra Sexto Pompeu (o filho de Pompeu, o Grande) comandando uma frota baseada em Tarento e enviada por Marco Antônio para ajudar Otaviano.[3] [4] Depois que Pompeu foi expulso da Sicília, Tauro cruzou o Mediterrâneo para governar e pacificar a província da África que assegurou sem dificuldade durante dois anos e, por isso, obteve o triunfo em 34 a.C..[5] Nesse mesmo ano, acompanhou Otaviano à Dalmácia e, depois de seu regresso à Roma, comandou das tropas estacionadas na capital.[6]

Quando a guerra contra Marco Antônio e Cleópatra eclodiu, Tauro apoiou Otaviano e participou na batalha de Ácio (em 31 a.C.) no comando das forças terrestres na costa. As forças terrestres de Marco Antônio se estregaram a ele quando foram abandonadas pelo general Públio Canídio Crasso.[7]

Em 29 a.C., combateu na Hispânia, onde venceu os cântabros, os váceos e os astures durante as Guerras Cantábricas.[8] No mesmo ano mandou construir com suas próprias finanças o primeiro anfiteatro em Roma na parte sul do Campo de Marte: o anfiteatro de Estatílio Tauro[9] [10] [11] que foi inaugurado com um combate de gladiadores. Em agradecimento, os romanos concederam-lhe o direito de nomear anualmente um dos pretores.[12] É provável que Estatílio tenha mandado construir este monumento a pedido de seu amigo Augusto, que incentivou a seus amigos ricos a embelezarem a cidade às suas próprias custas. Este anfiteatro foi queimado no Grande Incêndio de Roma, durante o reinado de Nero.(r. 54–68).[12] [9]

Em 26 a.C. foi novamente cônsul, desta vez em caráter ordinário, junto com Otaviano já convertido em Augusto.[13] Neste mesmo ano refundou a cidade hispânica de Ilici, com o nome de "Colônia Júlia Ilici Augusta".[14] Em 16 a.C., quando Augusto deixou a Itália para se dirigir a Gália, deixou Tauro como prefeito urbano.[15] [16]

Família[editar | editar código-fonte]

Tito Estatílio Tauro aparentemente teve três filhos e duas filhas, embora não se saiba se todos foram da mesma mulher. Vários membros de sua família foram posteriormente cônsules: Tito Estatílio Tauro em 11, Tito Estatílio Sisena Tauro em 16, Tito Estatílio Tauro em 44 e Tito Estatílio Tauro Corvino em 45. Quanto às suas filhas, uma delas, Estatília L. Pisonis, se casou com Lúcio Calpúrnio Pisão Áugure (cônsul em 1 a.C.). Uma segunda pode ser a Estatília que morreu com 99 anos durante o reinado de Cláudio (r. 41–54), que pode ter sido, também, uma irmã de Tauro.[17]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Cônsul da República Romana
SPQR.svg
Precedido por:
Lúcio Cornélio Lêntulo Cruscélio (suf.)
com Lúcio Márcio Filipo (suf.)



Lúcio Canínio Galo
37 a.C.

com Marco Vipsânio Agripa
com Tito Estatílio Tauro (suf.)




Sucedido por:
Marco Coceio Nerva
com Lúcio Gélio Publícola



Precedido por:
Otaviano VII
com Marco Vipsânio Agripa III



Otaviano VIII
26 a.C.

com Tito Estatílio Tauro





Sucedido por:
Otaviano IX
com Marco Júnio Silano




Referências

  1. Syme 1989, p. 27
  2. Syme 1989, p. 44
  3. Apiano século II, p. V.97-118
  4. Dião Cássio século III, p. XLIX.14
  5. «Fasti Triumphales» (em inglês). Consultado em 16-12-2013. 
  6. Dião Cássio século III, p. XLIX.38
  7. Hazel 2002, p. 85
  8. Dião Cássio século III, p. LI.20
  9. a b Suetônio 121, p. 29
  10. Tácito século II, III.72
  11. Estrabão século I, p. V.3
  12. a b Dião Cássio século III, p. LI.23
  13. Dião Cássio século III, p. LIII.23
  14. Casal 2006, p. 121
  15. Tácito século II, VI.11
  16. Dião Cássio século III, p. LIV.9
  17. Syme 1989, p. 376-377

Bibliografia[editar | editar código-fonte]