Triângulo negro

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Triângulo preto invertido

O triângulo preto invertido era um dos Triângulos do Holocausto na Alemanha Nazi, foi usado para identificar os prisioneiros que eram catalogados como azial (associal) e arbeitsscheu (impróprios para a vida comunitária), esses estereótipos eram associados principalmente aos povos Romani e Sinti, sendo ambos o principal grupo marcados com o triângulo preto.[1]

Foi também usado, em menor escala, para identificar alcoólatras, sem-teto, mendigos, nômades, prostitutas, mulheres adulteras e para arianos que mantinham relações sexuais com judeus.[1]

O triângulo preto no contexto do sistema de marcação de prisioneiros em campos de concentração nazistas.

Uso[editar | editar código-fonte]

Romani[editar | editar código-fonte]

Os homens Romani eram marcados com o Triângulo Marrom e com o Triângulo Preto. Enquanto o grupo étnico Romani, intitulado Sinti que vivia na Europa Central, tendia a ser marcado com o Triângulo Preto, os demais grupos étnicos Romanis eram ser marcados com o Triângulo Marrom. Mulheres Romanis eram, via de regra, marcadas com o Triângulo Preto.[2]

Embora o triângulo preto fosse um símbolo usado pelo regime nazista para muitos grupos, ele foi designado especialmente para a população Romani na Europa. No início da Solução Final ele era usado exclusivamente para o povo cigano.[3]

Sem-teto, alcoólatras e nômades[editar | editar código-fonte]

Durante o período de dominação nazista, mais de 12 mil pessoas consideradas como sendo arbeitsscheu (Impróprias para a vida comunitária), em sua ampla maioria mendigos, alcoólatras, nômades e pessoas sem residência fixa, foram mandadas para campos de concentração com fins trabalhistas. Apesar de inicialmente não haver uma lógica de extermínio direcionada a essa população, a maioria acabava morrendo devido as condições insalubres dos campos e também eram submetidos à processos de esterilização.[4]

Mulheres associais[editar | editar código-fonte]

O triângulo preto era usado em menor escala em mulheres associais, nas quais eram enquadradas prostitutas, mulheres estéreis e sem residência fixa e, segundo alguns movimentos sociais, mulheres lesbicas[5] Ciganos também eram marcados com o triângulo marrom.

Uma das poucas prisioneiras lésbicas identificadas foi Henny Schermann, presa em 1940. Ela foi enviada para o campo Ravensbrück com “Vendedora solteira de Frankfurt. Lésbica libertina, Evitava usar o nome 'Sara'. Judia sem pátria” como descrição em sua ficha, apesar de ter sua sexualidade citada em sua ficha, Henny não foi presa por ser lésbica e sim por ser judia.[6]

Prostitutas[editar | editar código-fonte]

Os Nazistas, a principio também consideravam as mulheres prostitutas como sendo impróprias para a vida comunitária, o que acarretou em prisões e esterilizações forçadas. Apesar disso, a prostituição em si era legalizada e as prostitutas arianas não sofriam as mesmas punições.[7]

Controvérsia sob o uso por lésbicas[editar | editar código-fonte]

Durante os anos 70 e 80, grupos lésbicos causaram polêmica ao reivindicar o uso do símbolo do Triângulo Negro como sendo parte da história lésbica, alegando que mulheres lésbicas também eram sistematicamente perseguidas pelos Nazistas.[8]

O uso foi duramente criticado e questionado sob o fundamento de que o comportamento sexual lésbico não foi criminalizado nos termos do parágrafo 175 do Código Penal Alemão (o que descartava a argumentação de opressão direcionada), apenas a homossexualidade masculina e também pelo fato de não existir nenhum registro oficial apontando para o triângulo preto ter sido imposto a lésbicas pelo simples fato delas serem lésbicas.[8]

Nos arquivos do Ravensbrück (Campo de concentração direcionado a mulheres) é sabido de quatro casos de mulheres com uma observação adicional em seus registros de serem lésbicas, apesar disso nenhuma das quatro foi presas por serem lésbicas: Duas foram perseguidas por motivos políticos e duas por serem judias.[8]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b «System of triangles / Prisoner classification / History / Auschwitz-Birkenau». auschwitz.org. Consultado em 30 de agosto de 2021 
  2. «Roma and Sinti (Gypsies) Prisoners · The Era of the Holocaust ·». libapp.shadygrove.umd.edu. Consultado em 30 de agosto de 2021 
  3. Martin Gilbert (2004). The Second World War. Internet Archive. [S.l.]: Henry Holt 
  4. «The unsettled, "asocials" : Center for Holocaust & Genocide Studies : University of Minnesota». web.archive.org. 4 de junho de 2008. Consultado em 15 de outubro de 2021 
  5. «The unsettled, "asocials" : Center for Holocaust & Genocide Studies : University of Minnesota». web.archive.org. 4 de junho de 2008. Consultado em 13 de junho de 2021 
  6. «Henny Schermann | Enciclopédia do Holocausto». encyclopedia.ushmm.org. Consultado em 15 de outubro de 2021 
  7. «The unsettled, "asocials" : Center for Holocaust & Genocide Studies : University of Minnesota». web.archive.org. 4 de junho de 2008. Consultado em 13 de junho de 2021 
  8. a b c Schoppmann, Claudia (1991). Nationalsozialistische Sexualpolitik und weibliche Homosexualität. Col: Frauen in Geschichte und Gesellschaft. Pfaffenweiler: Centaurus