Urbano Rodrigues

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Urbano Rodrigues
Nascimento 1888
Serpa, Portugal
Morte 1971 (83 anos)
Lisboa, Portugal
Nacionalidade Portugal Português
Ocupação Dramaturgo e romancista
Prémios Prémio Ricardo Malheiros (1948)

Urbano da Palma Rodrigues OSEComSE (Serpa, 1888Lisboa, 1971) foi um dramaturgo e romancista português.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nascido em Serpa, passou em Moura a infância e parte da adolescência. Tendo o seu pai emigrado para África e depois para o Brasil, cedo se iniciou no jornalismo, como repórter. Aos 17 anos, idade com que publica a sua primeira peça de teatro, Caminho da Ventura (1905), matricula-se no Curso Superior de Letras, onde se torna amigo de Teófilo Braga. Participa na agitação e propaganda republicana e é eleito deputado, pelo Círculo de Beja, à Assembleia Constituinte de 1911.

Enquanto dramaturgo viu representadas várias das suas obras, que valem (sobretudo Maria da Graça, de 1910, em colaboração com Vítor Mendes), pela sensibilidade, pela naturalidade do diálogo e pelo pitoresco alentejano, além da intuição que demonstram da carpintaria cénica. Mas foi especialmente no romance que Urbano Rodrigues obteve os melhores resultados, fazendo a sátira do novo-riquismo burguês em A Duquesa da Baeta (1918). Certa influência de escritores franceses então em voga (como Claude Farrère, Pierre Loti, Pierre Louÿs ou Paul Morand) e do esteticismo decadentista de Gabriele D'Annunzio manifestam-se em Coração (novela, 1917), O Ídolo de Carne (1929), Cinco Aventuras Sem Importância (1934) e Viagem Através de Uns Olhos Verdes (1940). O Alentejo, que surgira já nas páginas da novela Novo Paraíso, da colectânea Sonho em Pompeia (1943), torna-se o cenário ao mesmo tempo quieto e exaltante de O Castigo de Dom João (1948), que lhe vale o Prémio Ricardo Malheiros, da Academia das Ciências de Lisboa.

Preso na Penitenciária de Lisboa durante o sidonismo, foi ainda durante a Primeira República secretário e, em seguida, chefe do gabinete de Afonso Costa. Mais tarde, já director de O Mundo, apoiou a campanha do seu amigo Manuel Teixeira Gomes à Presidência da República, e escreveu a seu respeito um curioso livro de memórias, próximo da biografia: A Vida Romanesca de Teixeira-Gomes (1946). Após o encerramento d' O Mundo, em 1926, retirou-se para o seu monte alentejano, perto de Moura.

Regressaria, contudo, ao jornalismo, como redactor principal do Diário de Notícias. Foi também colaborador nas revistas Contemporânea (1915-1926) e Atlântida (1915-1920). Os seus três filhos (Urbano Tavares Rodrigues, Miguel Urbano Rodrigues e Jorge Tavares Rodrigues), todos eles homens de letras, passaram pelo jornalismo, sendo os dois primeiros figuras da resistência antifascista e escritores reconhecidos.

A 23 de Dezembro de 1919 foi feito Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada e a 14 de Junho de 1920 foi elevado a Comendador da mesma Ordem.[1]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Caminho da Aventura: episódio vivido (1905)
  • A Última Aventura: peça em 1 acto (1915)
  • Coração: novella (1917)
  • Theatro - A Posse, A Ultima Aventura, Maria da Graça (1918)
  • A Duquesa da Baeta: romance (1918)
  • O Ídolo de Carne: novela (1929)
  • Cinco Aventuras sem Importância (1934)
  • Passeio a Marrocos: notas de reportagem (1935)
  • Jornadas de uma Côrte Marroquina (1937)
  • Simão o Zeloso (1938)
  • Viagem através duns Olhos Verdes: romance (1940)
  • França em Marrocos (1943)
  • Sonho em Pompeia (1943)
  • A vida Romanesca de Teixeira Gomes (1946)
  • O Grande Pecado: fantasia dramática sobre a vida marroquina (1946)
  • O castigo de D. João: romance (1948)[2]

Referências

  1. «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Urbano Rodrigues". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 7 de março de 2015. 
  2. «Rodrigues, Urbano da Palma». PORBASE. Consultado em 13 de junho de 2010. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]