Varíola dos macacos

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Varíola dos macacos
Erupções cutâneas características da varíola.
Especialidade infectologia
Classificação e recursos externos
CID-10 B04.b
CID-9 059.01
eMedicine 1134714
MeSH D045908
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Varíola dos macacos (do inglês Monkeypox) é uma doença tropical exótica, nativa da região central e ocidental africana, em especial na região da Floresta do Congo, causada por um vírus do tipo orthopoxvirus, um parente da varíola. Tem sintomas similares, porém mais brandos, mas o o CDC dos Estados Unidos a considerou, em novembro de 2021, como "potencialmente séria".[1]

Apesar do nome, parece ser mais comum em roedores do que em primatas.[2]

O primeiro caso em humanos foi identificada em 1970 na República Democrática do Congo (RDC), reporta a OMS.[3]

Surtos e casos[editar | editar código-fonte]

"Desde 1970, casos humanos de varíola dos macacos foram relatados em 11 países africanos - Benin, Camarões, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Gabão, Costa do Marfim, Libéria, Nigéria, República do Congo, Serra Leoa e Sudão do Sul. Em 2017, a Nigéria experimentou o maior surto documentado, 40 anos após o último caso confirmado", relata a OMS.

1996-1997[editar | editar código-fonte]

Houve suspeita de "um grande surto" na RDC em 1996-1997, mas segundo a OMS, parte dos testes deram positivo para o vírus da varicela.[3][4][5]

2003[editar | editar código-fonte]

Em 2003 um surto nos EUA, especialmente no Texas, foi causado por ratos importados da Gana. No total 71 pessoas foram infectadas, mas não houve mortes.

Mais recentemente ocorreu também um surto no Sudão.[3]

2017[editar | editar código-fonte]

Na Nigéria houve 172 casos suspeitos e 61 casos confirmados.[6]

2018-2019[editar | editar código-fonte]

Segundo a OMS, foram reportados casos em viajantes que haviam vindo da Nigéria em Israel em setembro de 2018, no Reino Unido em setembro de 2018 e dezembro de 2019 e em Cingapura em maio de 2019.[7][3]

Também houve possíveis surtos na Nigéria e na RDC.[8][9][10]

2020-2021[editar | editar código-fonte]

Na RDC, de 1 de janeiro a 13 de setembro de 2020, um total de 4.594 casos suspeitos de varíola dos macacos, incluindo 171 mortes foram relatados; de 80 amostras de casos suspeitos de varíola dos macacos, 39 deram positivo;[9]

Em 2021, três casos foram reportados no Reino Unido: um viajante vindo da Nigéria ficou doente e depois contaminou dois familiares.[11][12]

Em julho de 2021, um caso de uma pessoa que havia viajado para da Nigéria foi registrado no, Texas, Estados Unidos, e outro em novembro, em Maryland, de uma pessoa que também havia viajado para a Nigéria. No caso deste último paciente, o CDC dos Estados Unidos escreveu: "a infecção é compatível com a cepa que ressurgiu na Nigéria desde 2017".[13][14][1]

Sintomas[editar | editar código-fonte]

O período de incubação é entre 6 e 16 dias (em média 12). Após esse período os sintomas iniciais são ocasionados pela reação do organismo a uma infecção viral:

  • Febre;
  • Dor de cabeça;
  • Dores musculares;
  • Dores nas costas;
  • Inchaço dos gânglios linfáticos;
  • Mal-estar;
  • Exaustão.

O que a diferencia de outras doenças são as erupções cutâneas papulares características e suas fases de formação de vesículas, pústulas e cicatrização. O extremo inchaço de gânglios linfáticos também pode ajudar a diferenciá-lo de outras doenças virais. Os sintomas costumam durar de 2 a 3 semanas.[3]

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

A análise clínica não é capaz de diferenciá-lo de diversas outras doenças virais. Um exame conclusivo pode ser feito por:

  • ELISA;
  • PCR;
  • Teste de detecção do antígeno;
  • Ou isolando o vírus em uma cultura de células infectadas;

Transmissão[editar | editar código-fonte]

Através de contato com sangue, fluídos corporais ou erupções cutâneas de pessoas ou animais contaminados. É possível também a infecção por objetos contaminados e ao respirar gotículas de saliva durante a fase contagiosa (mais sintomática).[3]

Tratamento[editar | editar código-fonte]

A vacina contra varíola dá 85% de proteção contra a cepa da bacia do Congo e pode ajudar na cura durante os primeiros 14 dias após a infecção inicial. O caso americano parece ter sido de uma cepa diferente. A mortalidade é de cerca de 10% na África. Não há outra medicação específica para essa doença, assim como pra maioria das viroses, pois o próprio corpo elimina os vírus em algumas semanas e mantem linfócitos de memória preparados para eliminar re-infecções. O importante é evitar que o paciente infecte outros com seus fluídos corporais (saliva, suor, sangue...) durante as fases infecciosas.[15]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b «CDC Newsroom». CDC (em inglês). 1 de janeiro de 2016. Consultado em 26 de novembro de 2021 
  2. «Monkeypox | Poxvirus | CDC». www.cdc.gov (em inglês). 17 de novembro de 2021. Consultado em 26 de novembro de 2021 
  3. a b c d e f «Monkeypox». www.who.int (em inglês). Consultado em 26 de novembro de 2021 
  4. «1997 - Monkeypox in the Democratic Republic of the Congo (former Zaire)». www.who.int (em inglês). Consultado em 26 de novembro de 2021 
  5. «1997 - Monkeypox in the Democratic Republic of the Congo (former Zaire)». www.who.int (em inglês). Consultado em 26 de novembro de 2021 
  6. «Monkeypox – Nigeria». www.who.int (em inglês). Consultado em 26 de novembro de 2021 
  7. «Monkeypox – Singapore». www.who.int (em inglês). Consultado em 26 de novembro de 2021 
  8. «Monkeypox – Nigeria». www.who.int (em inglês). Consultado em 26 de novembro de 2021 
  9. a b «Monkeypox – Democratic Republic of the Congo». www.who.int (em inglês). Consultado em 26 de novembro de 2021 
  10. «Monkeypox – Cameroon». www.who.int (em inglês). Consultado em 26 de novembro de 2021 
  11. «Monkeypox - United Kingdom of Great Britain and Northern Ireland ex Nigeria». www.who.int (em inglês). Consultado em 26 de novembro de 2021 
  12. «Monkeypox - United Kingdom of Great Britain and Northern Ireland». www.who.int (em inglês). Consultado em 26 de novembro de 2021 
  13. «Monkeypox - the United States of America». www.who.int (em inglês). Consultado em 26 de novembro de 2021 
  14. «Monkeypox - United States of America». www.who.int (em inglês). Consultado em 26 de novembro de 2021 
  15. http://www.ccih.med.br/guia-isolamento2010/guia17.pdf

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Leia as matéiras sobre "monkeypox" no portal da OMS aqui