Vicente Gil

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Vicente Gil
Nacionalidade português
Ocupação pintor
Magnum opus Adoração dos Reis Magos; Políptico do Mosteiro de Celas
Movimento estético Renascimento

Vicente Gil foi um pintor régio português ativo em Coimbra no período de 1491 e 1518.

O historiador Vergílio Correia propôs[1] que o conjunto de pinturas de características homogéneas, procedendo na sua maioria de Coimbra, e atribuídas ao denominado Mestre do Sardoal, estariam intimamente relacionado com a atividade em Coimbra no referido período de um produtivo pintor régio de nome Vicente Gil. Este pintor havia recebido por alvará de D. João II o privilégio de usar armas, sinal de um elevado estatuto social, sendo-lhe reconhecida vida citadina, vultuosos bens e influências no círculo de D. Leonor.[2]

Vicente Gil teve um filho de nome Manuel Vicente que esteve em atividade também em Coimbra entre 1521 e 1530, colaborando na oficina do pai.

Para os historiadores de arte Pedro Dias e Vítor Serrão, sendo a obra reunida sob a autoria do Mestre do Sardoal uma produção clara de oficina, com sucessivos mestres atuando em parceria e conhecedores das obras uns dos outros, a hipótese fundamentada de Vergílio Correia pode explicar a evolução tradicionalista da escola coimbrã que tem as suas raízes na obra do Mestre do Retábulo de Santa Clara-a-Velha, com quem existem semelhanças de desenho e composição.[2]

Assim sendo, a Vicente Gil e aos seus colaboradores se deve o Políptico do Sardoal, conjunto de características mais arcaicas de influências mistas, o Políptico de Celas e a importante Assunção da Virgem (MNMC), esta já de vagas influências florentinas.[2]

Ao seu filho Manuel Vicente se devem obras mais tardias como o S. Bartolomeu (MNMC), do S. Vicente (Museu de Beja) das predelas de Semide (MNAA) e do Políptico de Montemor-o-Velho que exibe num dos painéis a suposta data "XX" (1520?).[2]

Este pintor marcou a transição do século XV para o século XVI inserindo-se a sua atividade no contexto do manuelino, estilo que coincide na Europa com o final do gótico e o início do Renascimento.

Referências

  1. Correia, Vergílio - Estudos de História de Arte, Obras, Coimbra, Imprensa da Universidade, 1953
  2. a b c d Pedro Dias e Vítor Serrão, "A pintura, a iluminura e a gravura dos primeiros tempos do século XVI", em História da Arte em Portugal - O Manuelino. Lisboa: Alfa, 1986, pp. 137-138.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Couto, João (1939). «Pinturas quinhentistas do Sardoal». Lisboa. Boletim da Academia Nacional de Belas-Artes 
  • Correia, Virgílio (1953). Estudos de História de Arte, Obras. Coimbra: Imprensa da Universidade 
  • Jirmounsky, Myron Malkiel (1957). Pintura à sombra dos mosteiros. Lisboa: Editora Arcádia 
  • Jirmounsky, Myron Malkiel (1959). Escola do Mestre do Sardoal. Lisboa: Artis 
  • Markl, Dagoberto (1971). «A escola do Mestre do Sardoal e os seus artistas na transição do século XV para o XVI». Lisboa. O Panorama. XL (4.ª série) 
  • Pamplona, Fernando de (1987). Dicionário de Pintores e Escultores Portugueses ou que trabalharam em Portugal. Porto: Livraria Civilização Editora 
  • Rodrigues, Dalila; Pereira, Paulo (dir.) (1995). «A Pintura no período manuelino». História da Arte Portuguesa - II. Lisboa: Círculo de Leitores. p. 239 
  • «Francisco Henriques - um pintor em Évora no tempo de D. Manuel I (catálogo de exposição)». Lisboa: CNCDP, CME. 1997: 196-203 
  • Dias, Pedro (julho de 2003). Vicente Gil e Manuel Vicente - Pintores da Coimbra Manuelina. Coimbra: Câmara Municipal de Coimbra. p. 43-48; 102-103 
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