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Vidas dos Doze Césares

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Vidas dos Doze Césares
Autor(es)Suetónio
IdiomaLatim
PaísImpério Romano
Lançamento121

Sobre as vidas de Césares, tradução literal do latim De vitis Caesarum, mais conhecido em português como Vidas dos Doze Césares, é o conjunto de doze biografias que inclui a de Júlio César e os onze primeiros imperadores do Império Romano: Augusto, Tibério, Calígula, Cláudio, Nero, Galba, Otão, Vitélio, Vespasiano, Tito e Domiciano.

Escrito em 121, durante o reinado do imperador Adriano, foi o trabalho mais popular do secretário pessoal de Adriano, Suetônio, e o mais longo entre seus escritos remanescentes. Ele foi dedicado a seu amigo, o prefeito do pretório Gaio Septício Claro, em 119.

Vidas dos Doze Césares é considerado muito significante em antiguidade e permanece como uma das principais fontes sobre a história romana. O livro discute o importante e crítico período do principado, do início da República até o reinando de Domiciano; comparações são geralmente feitas com Tácito cujos trabalhos remanescentes documentam um período similar.

Historicidade

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Os historiadores frequentemente criticam o livro como picante, sensacionalista, excessivamente dependente de fofocas e por sacrificar a precisão em prol do drama ou do humor. Suetônio parece basear-se fortemente em boatos e rumores em seus relatos e, por vezes, inclui opiniões subjetivas em meio a um conhecimento de outra forma objetivo. Ele também omite vários eventos importantes por razões desconhecidas.[carece de fontes]?

Embora nunca tenha sido senador, Suetônio compartilhava a visão do Senado na maioria dos conflitos com o princeps. Isso resultou em vieses, tanto conscientes quanto inconscientes. Suetônio perdeu o acesso aos arquivos oficiais pouco depois de começar seu trabalho. Ele foi forçado a contar com relatos de segunda mão no que diz respeito a Cláudio (com exceção das cartas de Augusto, que haviam sido reunidas anteriormente) e não cita o imperador.[carece de fontes]?

Apesar dessas críticas, os estudiosos concordam que a coleção fornece algumas informações valiosas sobre a herança, hábitos pessoais, aparência física, vidas e carreiras políticas dos primeiros imperadores romanos, em grande parte devido à inclusão de pequenos detalhes não incluídos em outras obras. Suetônio continua sendo a principal fonte sobre a vida de certos imperadores, incluindo Calígula, Cláudio e Vespasiano, especialmente porque outras fontes se perderam para a história (como as seções relevantes dos Anais de Tácito).

Obras constituintes

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Júlio César

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Suetônio começa esta seção com a morte do pai de César, quando o próprio César tinha dezesseis anos. Suetônio descreve o relacionamento de César com uma mulher rica chamada Cossúcia nessa época e, em seguida, narra seu noivado com Cornélia durante a discórdia civil. Ele também relata as conquistas militares de César, especialmente as na Gália, e sua Guerra Civil contra Pompeu Magno. Para caracterizar César durante a guerra, Suetônio o cita em uma batalha que ele quase perdeu: "Aquele homem [Pompeu] não sabe como vencer uma guerra". Suetônio também inclui um dos ditos mais famosos de César: "Veni, vidi, vici" ('Vim, vi, venci').

Um incidente memorável que Suetônio descreve é quando o jovem César foi capturado por piratas no Mar Mediterrâneo. César divertidamente insistiu que o resgate inicial que eles exigiam em troca de sua vida era muito baixo, e ordenou que os piratas aumentassem o preço para 50 talentos. Passou o restante do tempo em cativeiro tratando-os como subordinados, participando de seus jogos e exercícios e forçando-os a ouvir seus discursos e poesias. Ele também prometeu que, ao ser libertado, um dia encontraria os piratas e os crucificaria, o que era uma punição padrão para a pirataria na época. Ele foi libertado após cerca de um mês de cativeiro, após o pagamento do resgate de 50 talentos. César, apesar de não ocupar nenhum comando ou cargo público, rapidamente levantou um exército inteiramente por conta própria, capturou os piratas e os crucificou. Ele também recuperou os 50 talentos.

Suetônio também nos conta que, enquanto servia como questor na Hispânia, César certa vez visitou uma estátua de Alexandre, o Grande. Ao ver esta estátua, Suetônio relata que César caiu de joelhos, chorando. Quando perguntado o que havia de errado, César suspirou e disse que quando Alexandre tinha a idade de César, ele havia conquistado o mundo inteiro.

Suetônio descreve o dom de César para conquistar a lealdade e admiração de seus soldados. Suetônio menciona que César comumente se referia a eles como "camaradas" em vez de "soldados". Quando uma das legiões de César sofreu pesadas perdas em uma batalha, César jurou não cortar a barba ou o cabelo até que tivesse vingado a morte de seus homens. Suetônio, a fim de demonstrar a lealdade e dedicação dos homens a César, observa que um dos soldados de César, apesar de ter a mão cortada, ainda conseguiu embarcar em um navio inimigo e dominar sua tripulação.

Suetônio menciona a famosa travessia do Rubicão de César (a fronteira entre a Itália e a Gália Cisalpina), a caminho de Roma para iniciar uma Guerra Civil contra Pompeu e, em última instância, tomar o poder.

Suetônio descreve mais tarde as principais reformas de César após derrotar Pompeu e tomar o poder. Uma dessas reformas foi a modificação do calendário romano. César atualizou o calendário, que já usava um sistema de anos solares e meses lunares, para refletir novos entendimentos sobre a duração de um ano solar e minimizar o número de dias perdidos por ano. César também renomeou o mês de seu nascimento para julho, em sua própria homenagem.

Suetônio alega que César planejou invadir e conquistar o Império Parta, mas foi assassinado antes que pudesse levar a cabo esses planos.

Busto de Pompeu na Residenz, Munique

Suetônio inclui uma descrição da aparência e personalidade de César. Suetônio diz que César era semicalvo; devido ao constrangimento com sua calvície prematura, César penteava o cabelo para a frente. César usava uma túnica de senador com um cinto laranja. Suetônio cita o ditador romano Lúcio Cornélio Sula, que conhecera César durante a Guerra Social, dizendo: "Cuidado com o menino de roupas largas, pois um dia ele significará a ruína da República", observando a tendência de César de usar roupas largas. Suetônio também relata que César tomou medidas para impedir que outros se referissem a ele como "rei", pois seus inimigos políticos na época alegavam que César queria trazer de volta a tão odiada monarquia.

Finalmente, Suetônio descreve o assassinato de César. Pouco antes de seu assassinato, César disse a um amigo que queria morrer uma morte súbita e espetacular. Suetônio acredita que vários presságios previram o assassinato. Um desses presságios foi um sonho vívido que César teve na noite anterior ao seu assassinato. No dia do assassinato, Suetônio afirma que César recebeu um documento descrevendo todo o complô. César pegou o documento, mas não teve chance de lê-lo antes de ser assassinado.

Suetônio diz que outros afirmaram que César repreendeu o conspirador Bruto, dizendo "Tu também, meu filho?" (em grego clássico: καὶ σὺ τέκνον). Esta redação específica varia ligeiramente da citação mais famosa, "Até tu, Bruto?" (et tu, Brute) da peça Júlio César de Shakespeare. No entanto, o próprio Suetônio afirma que César não disse nada, além de um único gemido, enquanto era esfaqueado. Em vez disso, Suetônio relata que César exclamou: "Ora, isto é violência!" quando o ataque começou.

Busto de Augusto, Gliptoteca, Munique

Antes de morrer, Júlio César designou seu sobrinho-neto, Caio Otávio (que seria nomeado Augusto pelo Senado Romano após se tornar imperador), como seu filho e herdeiro adotivo. A mãe de Otávio, Ácia, era filha da irmã de César, Júlia Menor.

Otaviano (ainda não renomeado Augusto) terminou as guerras civis iniciadas por seu tio-avô, Júlio César. Um por um, Otaviano derrotou as legiões dos outros generais que queriam suceder Júlio César como senhor do mundo romano. Suetônio inclui descrições dessas guerras civis, incluindo a última contra Marco Antônio, que terminou com a Batalha de Áccio. Antônio havia sido o último rival sobrevivente de Otaviano, mas cometeu suicídio após sua derrota em Áccio. Foi após esta vitória em 31 a.C. que Otaviano se tornou senhor do mundo romano e imperator (imperador). Sua declaração do fim das guerras civis que haviam começado sob Júlio César marcou o início histórico do Império Romano e da Paz Romana. Neste ponto, Otaviano recebeu o título Augustus ("o venerável") do Senado Romano.

Após descrever as campanhas militares de Augusto, Suetônio descreve sua vida pessoal. Uma grande seção de todo o livro é dedicada a isso. Isso se deve em parte ao fato de que, após a Batalha de Áccio, o reinado de Augusto foi em grande parte pacífico. Também foi notado por várias fontes que a totalidade de Os Doze Césares se aprofunda mais em detalhes pessoais e fofocas do que outras histórias romanas contemporâneas.

Suetônio descreve o relacionamento entre Augusto e sua filha Júlia como tenso. Augusto originalmente queria que Júlia, sua única filha, lhe fornecesse um herdeiro homem. Devido a dificuldades em relação a um herdeiro e à promiscuidade de Júlia, Augusto baniu Júlia para a ilha de Pandatéria e considerou mandá-la executar. Suetônio cita Augusto amaldiçoando repetidamente seus inimigos, dizendo que eles deveriam ter "uma esposa e filhos como os meus".

Segundo Suetônio, Augusto viveu uma vida modesta, com poucos luxos. Augusto vivia em uma casa romana comum, comia refeições romanas comuns e dormia em uma cama romana comum.

Suetônio descreve certos presságios e sonhos que previram o nascimento de Augusto. Um sonho descrito no livro sugeria que sua mãe, Ácia, era uma virgem impregnada por um deus romano. Em 63 a.C., durante o consulado de Cícero, vários senadores romanos sonharam que um rei nasceria e resgataria a república. 63 a.C. foi também o ano em que Augusto nasceu. Outro presságio descrito por Suetônio sugere que Júlio César decidiu fazer de Augusto seu herdeiro após ver um presságio enquanto servia como governador romano da Hispânia Ulterior.

Suetônio inclui uma seção sobre as únicas duas derrotas militares que Roma sofreu sob Augusto, ambas ocorridas na Germânia. A primeira derrota foi inconsequente. Durante a segunda, a Batalha da Floresta de Teutoburgo, três legiões romanas (Legio XVII, Legio XVIII e Legio XIX) foram derrotadas pela resistência germânica ocidental ao imperialismo romano, liderada por Arminio. Grande parte do que se sabe sobre esta batalha foi escrito neste livro. Segundo Suetônio, esta batalha "quase arruinou o império". Suetônio descreve a reação de Augusto ao saber da derrota, escrevendo que Augusto batia a cabeça contra uma parede em desespero, repetindo: "Quintili Vare, legiones redde!" ('Quintílio Varo, devolve-me minhas legiões!'). Esta derrota foi uma das piores que Roma sofreu durante todo o Principado. O resultado foi o estabelecimento dos rios Reno e Danúbio como a fronteira natural do norte do império. Roma nunca mais empurraria seu território para dentro da Germânia. Suetônio sugere que Augusto nunca se recuperou totalmente desta derrota.

Busto de Tibério

Suetônio abre seu livro sobre Tibério destacando sua ascendência como membro da família patrícia Cláudia e narra a carreira de seu pai biológico como oficial militar tanto sob César quanto como apoiador de Lúcio Antônio em sua rebelião contra Otaviano. Com a retomada da paz, Otaviano se interessou por Lívia e pediu que o casal se divorciasse para que ele pudesse se casar com ela, tornando Tibério seu enteado. A adolescência e os casamentos de Tibério são registrados, com Suetônio observando o desagrado de Tibério ao ser forçado por Augusto a se divorciar de sua primeira esposa, Vipsânia Agripina, para se casar com a filha de Augusto, Júlia.[1]

Os primeiros sucessos de Tibério em sua carreira legal, política e militar são narrados, incluindo seu comando de vários exércitos romanos na Germânia. Foi sua liderança nessas campanhas germânicas que convenceu Augusto a adotar Tibério e torná-lo seu herdeiro. Segundo Suetônio, Tibério se aposentou ainda jovem para Rodes, antes de retornar a Roma algum tempo antes da morte de Augusto. A ascensão de Tibério ao trono foi possível porque os dois netos de Augusto haviam morrido antes de Augusto, e o último neto, Póstumo Agripa – embora originalmente designado para co-governar com Tibério – foi mais tarde considerado moralmente insano por Augusto.

Augusto iniciou uma longa (e por vezes bem-sucedida) tradição de adotar um herdeiro, em vez de permitir que um filho sucedesse um imperador. Suetônio cita o testamento deixado por Augusto.[necessário esclarecer] Suetônio sugere que não só Tibério não era bem visto por Augusto, mas Augusto esperava que Tibério falhasse.

Após mencionar brevemente os sucessos militares e administrativos, Suetônio fala de sua perversão, brutalidade e vício, e aprofunda-se nas depravações que atribui a Tibério.

Apesar das histórias sensacionais, a história moderna vê Tibério como um imperador bem-sucedido e competente,[carece de fontes]? que ao morrer deixou o tesouro do estado muito mais rico do que quando seu reinado começou. Assim, o tratamento de Suetônio sobre o caráter de Tibério, como o de Cláudio, deve ser visto com reservas.

Tibério morreu de causas naturais. Suetônio descreve a alegria generalizada em Roma por ocasião de sua morte. Havia o desejo de que seu corpo fosse jogado na Escadaria Gemoniana e no Rio Tibre, como Tibério havia feito muitas vezes com outros. Tibério não tinha filhos vivos quando morreu, embora seu (provável) neto natural, Tibério Júlio César Nero (Gêmeo), e seu neto adotivo, Caio César Calígula, tenham sobrevivido a ele. Tibério designou ambos como seus herdeiros conjuntos, mas parece ter favorecido Calígula em detrimento de Gêmeo, devido à juventude deste.

Calígula

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Busto de Calígula
Uma caliga

A maior parte do que se sabe sobre o reinado de Calígula vem de Suetônio. Outras obras romanas contemporâneas, como as de Tácito, contêm pouco, se alguma coisa, sobre Calígula. A maior parte da literatura sobre seu reinado foi presumivelmente perdida há muito tempo.

Na maior parte da obra, Suetônio refere-se a Calígula por seu primeiro nome real, Caio. Caligula ('botinhas') era um apelido dado a ele pelos soldados de seu pai, porque quando menino ele costumava se vestir com equipamento de batalha em miniatura e 'treinar' as tropas (sem saber os comandos, mas as tropas o amavam da mesma forma e fingiam entendê-lo). O pai de Calígula, Germânico, era amado em toda Roma como um brilhante comandante militar e exemplo da pietas romana. Tibério havia adotado Germânico como seu herdeiro, com a esperança de que Germânico o sucedesse. Germânico morreu em 19 d.C. antes de poder suceder Tibério.

Após a morte de Tibério, Calígula tornou-se imperador. Inicialmente, os romanos amavam Calígula devido à memória de seu pai. Mas a maior parte do que Suetônio diz sobre Calígula é negativa e o descreve como tendo uma aflição que o fazia desmaiar subitamente. Suetônio acreditava que Calígula sabia que algo estava errado com ele.

Ele relata que Calígula casou sua irmã com Lépido (embora Calígula ainda a tratasse como esposa), e ameaçou fazer de seu cavalo cônsul. Ele também relata um boato de que Calígula, tendo enviado um exército para a costa norte da Gália, ordenou-lhes que colhessem conchas na praia enquanto se preparavam para invadir a Britânia (evidências sugerem que isso pode ser uma invenção, pois a palavra para concha em latim também significa as 'cabanas' que os legionários da época erguiam à noite durante as campanhas).

Também segundo Suetônio, Calígula mandou construir uma passarela de seu palácio a um templo para que pudesse ficar mais perto de seu "irmão", o deus romano Júpiter, pois ele acreditava ser uma divindade viva, e substituiu as cabeças das estátuas de diferentes deuses por bustos de sua cabeça. Ele costumava chamar pessoas ao seu palácio no meio da noite e, quando chegavam, se escondia e fazia ruídos estranhos. Mandava assassinar pessoas e depois as chamava; quando não apareciam, ele comentava que elas deviam ter cometido suicídio.

Suetônio descreve vários presságios que previram o assassinato de Calígula. Ele menciona um raio que atingiu Roma nos idos de março, que foi quando Júlio César foi assassinado. Os raios invocavam imensa superstição no mundo antigo. No dia do assassinato, Calígula sacrificou um flamingo. Durante o sacrifício, o sangue respingou em suas roupas. Suetônio chegou a sugerir que o próprio nome de Calígula era um preditor de seu assassinato, observando que todo césar chamado Caio, como o ditador Caio Júlio César, havia sido assassinado (uma afirmação que não é totalmente precisa; o pai de Júlio César morreu de causas naturais, assim como Augusto).

Calígula era um ávido fã de combates de gladiadores; ele foi assassinado pouco depois de sair de um espetáculo de gladiadores por um capitão insatisfeito da Guarda Pretoriana, bem como por vários senadores.

Busto de bronze e mármore de Cláudio

Cláudio (nome completo: Tibério Cláudio César Augusto Germânico) era neto de Marco Antônio, irmão de Germânico e tio de Calígula. Ele descendia tanto do clã Júlio quanto do Cláudio, assim como Calígula. Ele tinha cerca de 50 anos na época do assassinato de Calígula. Nunca ocupou cargo público até tarde em sua vida, principalmente devido às preocupações de sua família com sua saúde e habilidades mentais. Suetônio tem muito a dizer sobre as aparentes deficiências de Cláudio e como a família imperial as via na "Vida de Augusto".

O assassinato de Calígula causou grande terror no palácio, e Cláudio, segundo Suetônio, assustado com os sons dos soldados vasculhando o palácio em busca de outras vítimas, escondeu-se atrás de algumas cortinas em uma varanda próxima. Ele estava convencido de que também seria assassinado, porque era parente direto de Calígula, o último imperador. Um soldado que vasculhava o quarto notou pés saindo de baixo das cortinas e, ao puxá-las, descobriu um Cláudio aterrorizado. Aclamou Cláudio como o novo imperador e o levou ao resto dos soldados, que então o carregaram para fora do palácio em uma liteira. Cláudio foi levado ao acampamento pretoriano, onde foi rapidamente proclamado imperador pelas tropas.

Sabemos por Suetônio que Cláudio foi o primeiro comandante romano a invadir a Britânia desde Júlio César, um século antes. Cássio Dio dá um relato mais detalhado disso. Ele também foi além de César e tornou a Britânia sujeita ao domínio romano. César havia "conquistado" a Britânia, mas deixou os britânicos para se governarem. Cláudio não foi tão bondoso. A invasão da Britânia foi a principal campanha militar sob seu reinado.

Segundo Suetônio, Cláudio sofreu de má saúde durante toda a sua vida até se tornar imperador, quando sua saúde melhorou subitamente. No entanto, Cláudio sofria de uma variedade de doenças, incluindo ataques e crises epilépticas, uma mancha engraçada, bem como vários hábitos pessoais, como uma gagueira ruim e babação excessiva quando muito excitado. Suetônio encontrou muito prazer em contar como o lamentável Cláudio era ridicularizado em sua casa imperial devido a essas doenças. Em seu relato sobre Calígula, Suetônio também inclui várias cartas escritas por Augusto a sua esposa, Lívia, expressando preocupação com a reputação da família imperial caso Cláudio fosse visto com eles em público. Suetônio passa a acusar Cláudio de crueldade e estupidez, atribuindo parte da culpa a suas esposas e libertos.

Suetônio discute vários presságios que previram o assassinato de Cláudio. Ele menciona um cometa que vários romanos viram pouco antes do assassinato. Como mencionado anteriormente, acreditava-se que os cometas previam a morte de pessoas importantes. Segundo Suetônio, Cláudio, sob sugestões de sua esposa, Messalina, tentou desviar esse destino mortal de si mesmo para outros por várias ficções, resultando na execução de vários cidadãos romanos, incluindo alguns senadores e aristocratas.

Suetônio pinta Cláudio como uma figura ridícula, menosprezando muitos de seus atos e atribuindo suas boas obras à influência de outros. Assim, o retrato de Cláudio como o tolo fraco, controlado por aqueles que ele supostamente governava, foi preservado para sempre. Os hábitos alimentares de Cláudio figuram na biografia, notadamente seu amor imoderado por comida e bebida, e seu afeto pelas tavernas da cidade.

Deixando de lado suas falhas pessoais e morais, a maioria dos historiadores modernos concorda que Cláudio geralmente governou bem. Eles citam seu sucesso militar na Britânia, bem como suas extensas obras públicas. Seu reinado chegou ao fim quando ele foi assassinado por comer um prato de cogumelos envenenados, provavelmente fornecidos por sua última esposa, Agripina, em uma tentativa de fazer seu próprio filho de um casamento anterior, o futuro imperador Nero, ascender ao trono.

Busto de Nero

Suetônio retrata a vida de Nero de forma semelhante à de Calígula — começa com um relato de como Nero assumiu o trono antes do filho de Cláudio, Britânico, e então desce para um relato de várias atrocidades que o jovem imperador supostamente cometeu.

Uma característica de Nero que Suetônio descreve é o prazer de Nero pela música. Suetônio descreve Nero como um músico talentoso. Nero costumava dar grandes concertos com presença obrigatória para os romanos de classe alta. Esses concertos duravam horas a fio; rumores diziam que algumas mulheres deram à luz durante eles, e alguns homens fingiram a morte para escapar (pois Nero proibia qualquer um de sair da apresentação até que fosse concluída).

As excentricidades de Nero continuaram na tradição de seus predecessores em perversões mentais e pessoais. Segundo Suetônio, Nero mandou castrar um menino chamado Esporo e depois fez sexo com ele como se fosse uma mulher. Suetônio cita um romano que viveu nessa época e que comentou que o mundo teria sido melhor se o pai de Nero, Cneu Domício Enobarbo, tivesse se casado com alguém mais parecido com o menino castrado.

É em Suetônio que encontramos o início da lenda de que Nero "tocava lira enquanto Roma ardia". Suetônio narra como Nero, enquanto observava Roma arder, exclamou como era belo e cantou um poema épico sobre o saque de Troia enquanto tocava lira.

Suetônio descreve o suicídio de Nero e comentou que sua morte significou o fim do reinado dos Júlio-Claudianos (porque Nero não tinha herdeiro). Segundo Suetônio, Nero foi condenado à morte pelo Senado. Quando Nero soube que soldados haviam sido enviados pelo Senado para matá-lo, cometeu suicídio.

Busto de Galba

O livro sobre Galba é curto. Galba foi o primeiro imperador do Ano dos Quatro Imperadores.

Galba conseguiu ascender ao trono porque a morte de Nero significou o fim da dinastia Júlio-Claudiana.

Suetônio inclui uma breve descrição da história familiar de Galba. Suetônio descreve Galba como sendo de nascimento nobre, pois nasceu em uma nobre família patrícia. Suetônio também inclui uma breve lista de presságios sobre Galba e seu assassinato.

A maior parte deste livro descreve a ascensão de Galba ao trono e seu assassinato, juntamente com as notas laterais usuais sobre sua aparência e presságios relacionados. Suetônio não gasta muito tempo descrevendo quaisquer realizações ou fracassos de seu reinado.

Segundo Suetônio, Galba foi morto pelos leais a Otão.

Por volta dessa época, Suetônio havia esgotado todas as suas fontes de arquivo imperial.

Busto de Otão

O nome completo de Otão era Marco Salvo Otão. Seu reinado durou apenas alguns meses; portanto, o livro sobre Otão é curto, assim como o livro sobre Galba havia sido.

Suetônio usou um método semelhante para descrever a vida de Otão como havia usado para descrever a vida de Galba. Suetônio descreve a família de Otão, sua história e nobreza. E assim como Suetônio havia feito com os césares anteriores, ele inclui uma lista de presságios sobre o reinado e o suicídio de Otão.

Suetônio passa a maior parte do livro descrevendo a ascensão de Otão, seu suicídio e os outros tópicos usuais. Suetônio sugere que assim que Otão ascendeu ao trono, começou a se defender contra reivindicações concorrentes ao trono.

Segundo Suetônio, Otão sofreu um destino semelhante ao que Galba havia sofrido. Foram os leais de outro aspirante a imperador (neste caso, o próximo imperador, Vitélio) que queriam matá-lo. Suetônio afirma que uma noite Otão percebeu que seria assassinado em breve. Ele pensou em suicídio, mas decidiu dormir mais uma noite antes de cometer o suicídio. Naquela noite, foi para a cama com uma adaga debaixo do travesseiro. Na manhã seguinte, acordou e se esfaqueou até a morte.

Busto outrora pensado ser de Vitélio

No livro do último dos imperadores de curta duração, Suetônio descreve brevemente o reinado de Vitélio.

Este livro dá uma imagem desfavorável de Vitélio; no entanto, deve-se notar que o pai de Suetônio era um oficial do exército que havia lutado por Otão e contra Vitélio na primeira Batalha de Bedríaco, e que Vespasiano basicamente controlava a história quando ascendeu ao trono. Qualquer coisa escrita sobre Vitélio durante a dinastia flaviana teria que pintá-lo de forma negativa.

Suetônio inclui uma breve descrição da história familiar de Vitélio e dos presságios relacionados.

Suetônio finalmente descreve o assassinato de Vitélio. Segundo Suetônio, Vitélio foi arrastado nu por súditos romanos, amarrado a um poste e teve resíduos de animais atirados nele antes de ser morto. No entanto, ao contrário dos dois imperadores anteriores, não foi o próximo imperador que matou Vitélio. O próximo imperador e seus seguidores estavam travando uma guerra contra os judeus na Judeia na época. A morte de Vitélio e a subsequente ascensão de seu sucessor encerraram o pior ano do início do principado.

Vespasiano

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Suetônio começa descrevendo as humildes origens do fundador da dinastia flaviana e segue com um breve resumo de sua carreira militar e política sob Aulo Pláutio, Cláudio e Nero e sua repressão à revolta na Judeia. Suetônio documenta uma reputação precoce de honestidade, mas também uma tendência à avareza.

Segue-se um relato detalhado dos presságios e consultas a oráculos, que Suetônio sugere que favoreceram as pretensões imperiais de Vespasiano. Suetônio então narra brevemente o crescente apoio militar a Vespasiano e, mais brevemente ainda, os eventos na Itália e no Egito que culminaram em sua ascensão.

Suetônio apresenta as primeiras ações imperiais de Vespasiano — o restabelecimento da disciplina em Roma e suas províncias e a reconstrução e reparo da infraestrutura romana danificada na guerra civil — sob uma luz favorável, descrevendo-o como 'modesto e indulgente' e traçando paralelos claros com Augusto. Vespasiano é ainda apresentado como sendo extraordinariamente justo e com preferência pela clemência em vez da vingança.

Suetônio descreve a avareza como o único defeito grave de Vespasiano, documentando sua tendência a tributos inventivos e extorsão. No entanto, ele atenua esse defeito sugerindo que o vazio dos cofres do estado deixou a Vespasiano pouca escolha. Além disso, entremeados com relatos de ganância e 'mesquinhez' estão relatos de generosidade e recompensas suntuosas. Finalmente, Suetônio dá um breve relato da aparência física de Vespasiano e sua queda pela comédia. Esta seção da obra é a base para a famosa expressão "Dinheiro não tem cheiro" (Pecunia non olet); segundo Suetônio, o filho de Vespasiano (e o próximo imperador), Tito, criticou Vespasiano por cobrar uma taxa pelo uso de banheiros públicos nas ruas de Roma. Vespasiano então produziu algumas moedas e pediu a Tito que as cheirasse, e então perguntou a Tito se elas cheiravam mal. Quando Tito disse que as moedas não cheiravam mal, Vespasiano respondeu: "E no entanto elas vêm da urina".

Tendo contraído uma 'enfermidade intestinal', Vespasiano tentou continuar seus deveres como imperador do que seria seu leito de morte, mas com um ataque súbito de diarreia, ele disse: "Um imperador deve morrer em pé", e morreu enquanto lutava para fazer isso.

Busto de Tito

Tito foi o filho mais velho de Vespasiano e o segundo imperador da dinastia flaviana. Como Suetônio escreve, ele era "a alegria e o queridinho da raça humana". Tito foi criado na corte imperial, tendo crescido com Britânico. Foi-lhes dita uma profecia sobre seu futuro: a Britânico foi dito que ele nunca sucederia seu pai, mas Tito sucederia. Os dois eram tão próximos que quando Britânico foi envenenado, Tito — que estava presente — provou e quase foi morto. "Quando Tito atingiu a maioridade, a beleza e os talentos que o haviam distinguido quando criança tornaram-se ainda mais notáveis." Tito era extremamente hábil nas artes da "guerra e paz". Ele se destacou como coronel na Germânia e na Britânia; no entanto, ele realmente floresceu como comandante sob seu pai na Judeia e quando assumiu o cerco de Jerusalém. O cerco de quase seis meses de Tito a Jerusalém terminou com a destruição do Templo de Herodes e a expulsão dos judeus de Jerusalém. O período resultante é conhecido como diáspora judaica (de c. 70 a 1948). Tito teve um caso de amor com a rainha judia Berenice, que ele trouxe brevemente a Roma.

Como imperador, ele tentou ser magnânimo e sempre ouviu petições com mente aberta. Depois de passar um dia sem conceder nenhum favor, comentou: "Perdi um dia". Durante seu reinado, ele terminou o que seria a lembrança mais duradoura de sua família: o Anfiteatro Flaviano. Seu reinado foi manchado pela erupção do Monte Vesúvio, um grande incêndio em Roma e uma das piores pragas "que já se conheceu". Essas catástrofes não o destruíram. Em vez disso, como Suetônio observa, ele se levantou como um pai cuidando de seus filhos. Embora tenha sido divinizado, seu reinado foi curto. Ele morreu de febre, tendo reinado apenas "dois anos, dois meses e vinte dias". Na hora de sua morte, ele "[afastou] as cortinas, olhou para o céu e se queixou amargamente de que a vida lhe estava sendo tirada injustamente – pois apenas um único pecado pesava em sua consciência".

Domiciano

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Busto de Domiciano

Domiciano era o irmão mais novo de Tito, o segundo filho de Vespasiano e o terceiro imperador da dinastia flaviana. Está registrado que ele obteve o trono deixando deliberadamente seu irmão morrer de febre. Durante o governo de Tito, ele causou dissensão e buscou o trono através da rebelião. Desde o início de seu reinado, Domiciano governou como um autocrata completo, em parte por causa de sua falta de habilidades políticas, mas também por sua própria natureza. Tendo levado uma vida solitária no início, Domiciano desconfiava daqueles ao seu redor, uma situação difícil que gradualmente piorou.

O governo provincial de Domiciano era tão cuidadosamente supervisionado que Suetônio admite que o império desfrutou de um período de governo e segurança excepcionalmente bons. A política de Domiciano de empregar membros da classe equestre em vez de seus próprios libertos para alguns cargos importantes também foi uma inovação. As finanças do império, que a imprudência de Tito havia mergulhado na confusão, foram restauradas apesar dos projetos de construção e das guerras estrangeiras. Profundamente religioso, Domiciano construiu templos, estabeleceu cerimônias e até tentou fazer cumprir a moralidade pública por lei.

Domiciano participou pessoalmente de batalhas na Germânia. A parte final de seu reinado viu problemas crescentes no baixo Danúbio por parte dos dácios, uma tribo que ocupava aproximadamente o que é hoje a Romênia. Liderados por seu rei Decébalo, os dácios invadiram o império em 85 d.C. A guerra terminou em 88 com uma paz de compromisso que deixou Decébalo como rei e lhe deu "ajuda externa" romana em troca de sua promessa de ajudar a defender a fronteira.

Uma das razões pelas quais Domiciano não conseguiu esmagar os dácios foi uma revolta na Germânia pelo governador Antônio Saturnino. A revolta foi rapidamente suprimida, mas a partir de então, Suetônio nos informa, o temperamento já desconfiado de Domiciano piorou continuamente. Aqueles mais próximos a ele sofreram mais, e após um reinado de terror na corte imperial, Domiciano foi assassinado em 96 d.C.; o grupo que o matou, segundo Suetônio, incluía sua esposa, Domícia Longina, e possivelmente seu sucessor, Nerva. O Senado, que sempre o odiara, rapidamente condenou sua memória e revogou seus atos, e Domiciano juntou-se às fileiras dos tiranos de realizações consideráveis, mas de memória maligna. Ele foi o último dos imperadores flavianos, e seu assassinato marcou o início do período dos chamados Cinco Bons Imperadores.

Tradição manuscrita

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A cópia sobrevivente mais antiga de Os Doze Césares foi feita em Tours no final do século VIII ou início do século IX d.C. e está atualmente na Bibliothèque nationale de France. Falta-lhe o prólogo e a primeira parte da vida de Júlio César, assim como todas as outras cópias sobreviventes do livro. Incluindo o manuscrito de Tours, há dezenove cópias sobreviventes de Os Doze Césares do século XIII ou anterior. A presença de certos erros em algumas cópias, mas não em outras, sugere que os dezenove livros podem ser divididos em dois ramos de transmissão de tamanho aproximadamente igual.[2][3]

Referências ao livro aparecem em obras mais antigas. João Lido, em seu livro do século VI De magistratibus populi Romani, cita a dedicatória (do prólogo agora perdido) a Septicio Claro, então prefeito da coorte pretoriana. Isso permite datar o livro de 119–121 d.C., quando Septicio era prefeito pretoriano.[4]

Manuscritos existentes (séculos IX a XIII)

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Ramo Alfa

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Localização atual

Século

Local onde foi transcrito

Paris, Bibliothèque nationale de France lat. 6115

s. IX 1/2

Tours

Wolfenbüttel, Herzog August Bibliothek 4573 Gud. lat. 268

s. XI 3/4

Eichstätt

Vaticano, Bibliotheca Apostolica Vaticana lat. 1904

s. XI 1/2

Flavigny?

Florença, Biblioteca Medicea Laurenziana Plut. 68.7

s. XII 2/2

França?

Paris, Bibliothèque nationale de France lat. 5801

s. XI/XII

Chartres ou Le Mans?

Florença, Biblioteca Medicea Laurenziana Plut. 66.39

s. XII med.

França

Vaticano, Bibliotheca Apostolica Vaticana Reg. lat. 833

s. XII 2/2

França

Montpellier, Faculté de médecine 117

s. XII med.

Clairvaux?

Ramo Beta

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Localização atual

Século

Local onde foi transcrito

Londres, British Library Royal 15 C. iii

s. XII in.

Londres, St. Paul's

Oxford, Bodleian Library Lat. class. d. 39

s. XII 3/4

Inglaterra

Londres, British Library Royal 15 C. iv

s. XIII

Inglaterra

Soissons, Bibliothèque municipale 19

s. XIII

Presumivelmente de origem francesa

Cambridge, University Library Kk.5.24

s. XII 2/2

Inglaterra?

Paris, Bibliothèque nationale de France lat. 5802

s. XII med.

Chartres?

Durham, Cathedral Library C.III.18

s. XI ex.

Inglaterra? França?

Florença, Biblioteca Medicea Laurenziana Plut. 64.8

s. XII 2/2

França?

Paris, Bibliothèque nationale de France lat. 6116

s. XII med.

Normandia?

San Marino, Huntington Library HM 45717

s. XII ex.

Bury St. Edmunds

Conforme identificado e atribuído por Kaster.[5]

"In." indica que se acredita que o manuscrito se originou por volta do início daquele século. "Med." indica em direção ao meio e "Ex." indica em direção ao fim. Caso contrário, o número indica a primeira (1/2) ou segunda metade (2/2) do século ou um dos quartos do século (1-4/4).

Influência

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Os Doze Césares serviu como modelo para as biografias dos imperadores do segundo e início do terceiro século compiladas por Mário Máximo. Esta coleção, aparentemente intitulada Caesares, não sobrevive, mas foi uma fonte para uma coleção biográfica posterior, conhecida como História Augusta, que agora forma uma espécie de sequência da obra de Suetônio. A História Augusta é uma biografia coletiva e parcialmente ficcionalizada dos imperadores romanos e usurpadores dos séculos II e III.

No século IX, Einhardo se modelou em Suetônio ao escrever a Vida de Carlos Magno, chegando a emprestar frases da descrição física de Augusto por Suetônio para sua descrição do caráter e aparência de Carlos Magno.

Robert Graves, famoso por seus romances históricos Eu, Cláudio e Cláudio, o Deus, fez uma tradução amplamente lida de Os Doze Césares, publicada pela primeira vez pela Penguin Classics em 1957. Mais recentemente, em 2025, uma tradução de Tom Holland a sucedeu como edição Penguin Classics.

A obra de Suetônio teve um impacto significativo na coleção de moedas. Durante séculos, colecionar uma moeda de cada um dos doze césares tem sido um desafio para colecionadores de moedas romanas.[6]

Muitos artistas criaram séries de pinturas ou esculturas baseadas nas vidas dos Doze Césares, incluindo os Onze Césares de Ticiano e as Aldobrandini Tazze, uma coleção de doze taças de pé de prata do século XVI.

Edições e traduções completas

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  • Gaio Suetônio Tranquilo, Os Doze Césares, trad. Robert Graves. Harmondsworth: Penguin, 1957, revisado por James B. Rives, 2007.
  • C. Suetoni Tranquilli opera, vol. I: De vita Caesarum libri VIII, ed. Maximilianus Ihm. Leipzig: Teubner, 1908.
  • Suetonius, with an English translation por J. C. Rolfe. Londres: Heinemann, 1913–4.
  • The Lives of the Caesars (em inglês). Traduzido por Tom Holland. [S.l.]: Penguin Classics. 13 de fevereiro de 2025. ISBN 9780241186893 [7]

Vidas individuais

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  • Suetônio, Divus Iulius [Vida de Júlio César] ed. H. E. Butler, M. Cary. Oxford: Clarendon Press, 1927. Reeditado com nova introdução, bibliografia e notas adicionais por G.B. Townend. Bristol: Bristol Classical Press, 1982.
  • Suetônio, Divus Augustus ed. John M. Carter. Bristol: Bristol Classical Press, 1982.
  • Phillips, Darryl Alexander, ed. (2023). Suetonius' Life of Augustus. New York: Oxford University Press. ISBN 9780197676080 
  • Suetônio, Tiberius ed. Hugh Lindsay. Londres: Bristol Classical Press, 1995.
  • Suetônio, Caligula ed. Hugh Lindsay. Londres: Bristol Classical Press, 1993.
  • D. Wardle, Suetonius' Life of Caligula: a commentary. Bruxelas: Latomus, 1994.
  • Suetônio, Claudius ed. J. Mottershead. Bristol: Bristol Classical Press, 1986.
  • Suetônio, Nero ed. B.H. Warmington. Londres: Bristol Classical Press, 1999.
  • Suetônio, Galba, Otho, Vitellius ed. Charles L. Murison. Londres: Bristol Classical Press, 1992.
  • Suetônio, Divus Vespasianus ed. A. W. Braithwaite. Oxford: Clarendon Press, 1927.
  • Suetônio, Domitian ed. Brian W. Jones. Bristol: Bristol Classical Press, 1996.
  • Hans Martinet, C. Suetonius Tranquillus, Divus Titus: Kommentar. Königstein am Taunus: Hain, 1981.

Referências

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  1. ↑ «The Lives of the Twelve Caesars, by C. Suetonius Tranquillus;». www.gutenberg.org. Consultado em 18 de outubro de 2021. Cópia arquivada em 17 de agosto de 2026
  2. ↑ Smith, Clement Lawrence (1901). «A Preliminary Study of Certain Manuscripts of Suetonius' Lives of the Caesars». Harvard Studies in Classical Philology. 12: 19–58. JSTOR 310421. doi:10.2307/310421. hdl:2027/mdp.39015074725345Acessível livremente
  3. ↑ Kaster, Robert A (1 de março de 2014). «The Transmission of Suetonius's Caesars in the Middle Ages» (PDF). Transactions of the American Philological Association. 144 (1): 133–186. doi:10.1353/apa.2014.0000
  4. ↑ Henderson, John (2014). «"Was Suetonius' Julius a Caesar?"». In: Power, Tristan; Gibson, Roy K. Suetonius the Biographer: Studies in Roman Lives. [S.l.]: Oxford Scholarship Online. p. 81. ISBN 978-0-19-969710-6. doi:10.1093/acprof:oso/9780199697106.003.0005
  5. ↑ Kaster, Robert A (1 de março de 2014). «The Transmission of Suetonius's Caesars in the Middle Ages» (PDF). Transactions of the American Philological Association. 144 (1): 133–186. doi:10.1353/apa.2014.0000
  6. ↑ Markowitz, Mike (15 de março de 2016). «Coins of the Twelve Caesars». CoinWeek. Consultado em 31 de dezembro de 2016
  7. ↑ Creamer, Ella (24 de fevereiro de 2025). «2,000-year-old book about Roman emperors enters bestseller charts». The Guardian (em inglês). ISSN 0261-3077. Consultado em 25 de fevereiro de 2025

Bibliografia

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  • A. Dalby, 'Dining with the Caesars' in Food and the memory: papers of the Oxford Symposium on Food and Cookery 2000 ed. Harlan Walker (Totnes: Prospect Books, 2001) pp. 62–88.
  • A. Wallace-Hadrill, Suetonius: the scholar and his Caesars. Londres: Duckworth, 1983.

Ligações externas

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