Virgilio Barco Vargas
Virgilio Barco Vargas | |
|---|---|
| 27.º Presidente da Colômbia | |
| Período | 7 de agosto de 1986 - 7 de agosto de 1990 |
| Antecessor(a) | Belisario Betancur |
| Sucessor(a) | César Gaviria |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | 17 de setembro de 1921 Cúcuta, Norte de Santander |
| Morte | 20 de maio de 1997 (75 anos) Bogotá, Colômbia |
| Primeira-dama | Carolina Isackson Proctor |
| Partido | Partido Liberal Colombiano - PLC |
| Profissão | engenheiro civil e diplomata |
Virgilio Barco Vargas (Cúcuta, 17 de setembro de 1921 — Bogotá, 20 de maio de 1997) foi um engenheiro civil, empresário e político colombiano. Foi Presidente da Colômbia entre 7 de agosto de 1986 e 7 de agosto de 1990. Foi membro do Partido Liberal Colombiano.
Ocupou vários cargos públicos como Prefeito de Bogotá, ministro de Obras Públicas, ministro da Agricultura, embaixador junto ao Reino Unido e senador da República.[1] Foi finalmente eleito presidente da Colômbia em 1986, com a votação mais alta da história para aquele momento, quando ainda não existia o segundo turno presidencial.[2][3]
Com a saída dos liberais do poder em 1946, Barco declarou-se em oposição ao governo, vendo-se obrigado a sair do país em 1950. Também fez parte da oposição à ditadura de Gustavo Rojas Pinilla e participou da campanha presidencial de Alberto Lleras Camargo, durante o sistema do Frente Nacional, no qual também esteve envolvido desde sua origem, já que apoiou todas as campanhas presidenciais bem-sucedidas de 1958 a 1974.
Posteriormente foi senador da República, ministro de Obras Públicas, ministro da Agricultura e Embaixador junto ao Reino Unido. Foi prefeito de Bogotá entre 1966 e 1969, tempo durante o qual conseguiu a modernização física e institucional da capital, destacando obras como o Hospital Militar e a conclusão do Aeroporto El Dorado.[4][5]
Foi o sexto e último presidente engenheiro na História da Colômbia (o primeiro foi Pedro Nel Ospina e o quinto foi Rubén Piedrahíta, que integrou a Junta Militar em 1957).[6]
Como presidente da Colômbia, Barco enfrentou a guerra que os cartéis do narcotráfico declararam às instituições do país. Conseguiu estabelecer o princípio da corresponsabilidade com países consumidores de droga, apesar de os narcos banharem de sangue o país. Também teve de lidar com grupos paramilitares que exterminaram a União Patriótica surgida dos Acordos de La Uribe com as FARC-EP em 1984.
Seu esforço para reduzir a pobreza, levar o Estado às regiões isoladas do país e reformar a Constituição de 1886 passou a segundo plano devido à necessidade de defender a ordem e a legitimidade das instituições do Estado, com uma fracassada reforma constitucional em 1989.
Seu último ano de governo foi ofuscado pelo assassinato de três candidatos presidenciais: Luis Carlos Galán, do Partido Liberal, Bernardo Jaramillo Ossa, da União Patriótica, e Carlos Pizarro Leongómez, da Aliança Democrática M-19 surgida do acordo de paz em 1990 com o grupo guerrilheiro Movimento 19 de Abril (M-19), que entregava as armas e se convertia em um partido político, que, no entanto, foi o maior êxito de seu governo.
Foi o último dos presidentes liberais radicais devido a seu esquema governo-oposição, no qual afastou do poder seus rivais conservadores.
Biografia
[editar | editar código]Nasceu em Cúcuta, em 17 de setembro de 1921, em um lar abastado de empresários do petróleo.[1]
Depois de estudar o ensino médio no colégio Sagrado Corazón de Jesús em Cúcuta, mudou-se para Bogotá para estudar engenharia civil na Universidade Nacional da Colômbia; no entanto, pouco antes de terminar, conseguiu ingressar no Massachusetts Institute of Technology (MIT), onde obteve o título de engenheiro civil em 1943. Ali entrou em contato com o progressismo liberal do democrata Franklin Delano Roosevelt e a luta contra o nazismo e o fascismo em plena Segunda Guerra Mundial.[7]
Trajetória política
[editar | editar código]Entrou na política em 1943, ao regressar à Colômbia, quando foi designado Secretário de Obras Públicas de Norte de Santander pelo governador Alfredo Lamus Girón até 1945,[8] e depois foi secretário-geral do Ministério de Comunicações, durante o primeiro governo de Alberto Lleras Camargo. Em 1945, tornou-se vereador de Durania (Norte de Santander) em nome do Partido Liberal. Barco trabalhou para dotar o departamento de serviço de luz e esgoto.[9]
Em 1946 declarou-se em aberta oposição ao governo conservador de Mariano Ospina Pérez, e o clima de violência que se vivia em seu departamento, especialmente depois do El Bogotazo. Devido a ameaças contra ele, Barco foi levado a sair do país em 1950, apesar de ter conquistado uma cadeira no Congresso como representante à Câmara por seu departamento nas eleições legislativas de 1949.[7]
Já nos Estados Unidos, Barco aproveitou para dar continuidade a seus estudos. Obteve os títulos de mestre em Economia no MIT em 1952, e o doutorado em Economia pela Universidade de Boston em 1954. Durante seus estudos no MIT, foi aluno de dois futuros laureados com o Prêmio Nobel; os professores Robert Solow e Paul Samuelson.

Frente Nacional
[editar | editar código]Durante o Frente Nacional, entre 1958 e 1974, Barco foi eleito senador da República, nas eleições de 1958. Além disso, exerceu como ministro de Obras Públicas entre 1958 e 1960 durante o segundo governo de Alberto Lleras Camargo. Em 1958, Barco fundou o jornal La Opinión, em sua natal Cúcuta.[4]
Ficou encarregado de redigir e apresentar ao Congresso o projeto de Lei para a celebração do Sesquicentenário da Independência. Assim é que a Lei 95 de 1959 tornou possível a realização de numerosas obras que fizeram recordar essa celebração. Entre as obras realizadas estão a remodelação da Praça de Bolívar ao que é hoje, a restauração da Casa Museu 20 de Julho, a remodelação do Observatório Astronômico Nacional da Colômbia e a construção da Praça de San Bartolomé contígua à Praça de Bolívar.
Entre 1961 e 1962 foi nomeado pelo governo de Alberto Lleras Camargo como Embaixador da Colômbia junto ao Reino Unido.
Após as eleições legislativas de 1962, Barco serviu durante outro mandato no Senado (1962-1966) e no Governo de Guillermo León Valencia (conservador) representou o liberalismo como ministro da Fazenda (sendo nomeado em 7 de agosto de 1962 por meio do Decreto 2263), e depois como ministro da Agricultura (nomeado em 23 de abril de 1963 pelo Decreto 914, ratificado em 6 de agosto de 1964), renunciando em outubro de 1964.
Prefeito de Bogotá (1966-1969)
[editar | editar código]Barco foi prefeito de Bogotá por designação do governo do liberal Carlos Lleras Restrepo[10] (primo segundo de Lleras Camargo), sucedendo Jorge Gaitán Cortés, em novembro de 1966. Barco foi escolhido por Lleras dada sua capacidade de execução rápida de obras de infraestrutura, diante da necessidade de modernização da cidade.[5]
Tornar-se prefeito da capital ajudou-o a formar uma figura de alto prestígio nacional e ponto de referência para as administrações posteriores. Alternou suas atividades de prefeito com a presidência do Centro Internacional para o Melhoramento do Milho e do Trigo, permanecendo no cargo até 1985.
Como prefeito, criou e pôs em funcionamento o Museu Taurino, que recorda a história da Festa brava em Bogotá e na Colômbia, o Museu de História Natural como mostra da fauna colombiana, o Planetário de Bogotá, o Museu de Desenvolvimento Urbano de Bogotá, o Museu e Casa Montes como homenagem ao prócer Antonio Nariño e o Museu de Santa Clara como centro de restauração. Barco criou a Loteria de Bogotá por meio do Acordo 81 de 1967, para ajudar na sustentação dos programas de Saúde Pública e Assistência Social para os pobres.
Remodelou o Palácio Liévano, criou o Centro Distrital de Computação com o fim de agilizar, reduzir e melhorar o trabalho das Empresas Distritais, adquiriu e remodelou o edifício Cristo Rey, local onde atualmente funciona o Conselho de Bogotá, e pôs em marcha a elaboração do projeto e construção do Centro Administrativo Distrital.
O prefeito Barco impulsionou atividades para a recreação e o esporte de Bogotá com a construção do Coliseu Coberto El Campín, melhorando as quadras esportivas nos diferentes bairros e construindo 180 quadras de basquete, 50 de futebol e 15 para outros esportes, conseguiu terrenos e realizou obras para 10 parques, criou a Orquestra Filarmônica de Bogotá como desenvolvimento de trabalhos culturais e melhorou as instalações do Estádio Nemesio Camacho El Campín.
Barco iniciou o programa Chingaza (mais tarde se tornaria o Parque Nacional Natural Chingaza), ampliou o serviço da planta de Tibitó, contratou 13 km de tubulação que permitiram dar serviço a bairros afastados da periferia, introduziu melhorias na Empresa Distrital de Transportes Urbanos duplicando o número de passageiros transportados, impulsionou os programas de geração de Energia Elétrica em Bogotá iniciando a construção das centrais El Colegio II Etapa, Canoas e Chivor. Também realizou um plano de iluminação de ruas, avenidas e praças, pôs em serviço 85 unidades de limpeza e 10 varredeiras, construiu o mercado de Fontibón e do bairro Restrepo, iniciou os estudos da Corabastos. Barco geriu a construção de 3 km de canais de concreto para evitar inundações em bairros de Bogotá, 36 km de tubulação, 12 km de esgotos, 11 pontes para veículos e 16 pontes para pedestres, duplicou as linhas telefônicas e construiu a sede da Empresa de Telefones de Bogotá (ETB).
Estabeleceu o Plano Viário de Integração Urbana cujo objetivo era unir o norte ao sul da cidade. Para cumprir tal objetivo, construiu vias como a carrera 68 desde a Autopista Sur até a carrera Séptima, prolongamento da avenida Caracas desde a rua 11 até a rua 50 sul, melhorou a avenida Ciudad de Quito e construiu o trecho entre El Campín e a rua 68, remodelou a autopista El Dorado, construiu a rua 63, desde a carrera 24 até a carrera 68, construiu a rua 68, o plano viário do Salitre, a rua 19 entre a carrera Séptima e a avenida Caracas, a avenida Primeiro de Maio entre os bairros Alcalá e Pastrana, realizou um setor da avenida Boyacá e interseções que facilitassem o fluxo veicular. Todas tiveram a previsão de redes de abastecimento de água e esgoto.
O plano de habitação do prefeito Barco contemplou a edificação do bairro de Los Laches por meio da Caja de Vivienda Popular e a edificação de apartamentos para os servidores do distrito. Também geriu a reabilitação dos serviços públicos de 32 bairros da periferia e do bairro Las Colonias.
Barco ajudou a organizar o Congresso Eucarístico Internacional. No curto tempo de organização desse evento, contou-se com os sistemas de transporte de massa, alojamentos, sanidade, vigilância, segurança etc.; sendo todas as obras supervisionadas e dirigidas pessoalmente por Barco. Entrevistou-se com o Papa Paulo VI em sua visita a Bogotá em agosto de 1968, e foi o encarregado de inaugurar obras como a avenida 68 e o templete eucarístico, construído especialmente para a celebração eucarística do pontífice no parque Simón Bolívar.
O plano escolar da administração do prefeito Barco assegurou 1 700 salas de aula escolares, o que significou um incremento importante na cobertura da população escolar, fato significativo na história educativa de Bogotá para a época. Emitiu o Decreto 764 da Prefeitura com o qual se tornou obrigatória e gratuita a frequência de crianças em idade escolar a colégios de educação primária, cobrindo 255 000 vagas nos colégios públicos de primária de Bogotá.
Pós-prefeitura
[editar | editar código]Após deixar a prefeitura de Bogotá, Barco tornou-se membro da Junta Diretiva do Banco Mundial, de 1969 a 1974. Terminado seu mandato, foi senador da República e integrou-se à Comissão Assessora de Relações Exteriores.
Embaixador junto aos Estados Unidos
[editar | editar código]Barco foi nomeado embaixador da Colômbia junto aos Estados Unidos pelo governo de Alfonso López Michelsen em 1977, e depois foi ratificado pelo governo de Julio César Turbay em 1978, permanecendo no cargo até 1980. Teve de enfrentar a má imagem internacional que a Colômbia tinha com o auge do tráfico de maconha e os inícios do tráfico de cocaína.[11][12]
Como embaixador, Barco conseguiu, em representação da Colômbia, um acordo entre a justiça dos Estados Unidos e a Colômbia, que ficou conhecido como Tratado de Extradição, e que anos depois lhe causaria dores de cabeça quando fosse presidente. Foi assinado um tratado bilateral subscrito pelo próprio Barco e pelo secretário de Estado da Administração do presidente estadunidense Jimmy Carter, Cyrus Vance, em 14 de setembro de 1979, mas não foi ratificado, senão até 1980.[5][13]
Apesar de sua gestão, era pouco o que Barco podia fazer pelo país a respeito do problema do narcotráfico, já que o governo colombiano estava mais interessado na perseguição e repressão dos grupos de esquerda do que em perseguir o narcotráfico. De fato, esse foi um dos pontos que mais se criticaram em Turbay quando José Álvaro Córdoba Bojassen deixou o cargo em 1982, já que sua passividade permitiu o auge dos grandes chefões da máfia nos anos 80.[14][15][16]
Pré-candidatura de 1982
[editar | editar código]Já livre da responsabilidade de manter boas relações com Washington, Barco regressou à Colômbia. Para as eleições presidenciais, havia sido sugerido o nome de Barco como possível candidato à presidência, e de fato se chegou a referendar seu nome e o do ex-ministro Alberto Santofimio para que competissem contra o ex-presidente Alfonso López, que terminou ganhando a postulação, o que gerou uma cisão do partido, patrocinada pelo ex-presidente Carlos Lleras Restrepo e dirigida pelo jovem político Luis Carlos Galán.
Eleito Betancur como presidente após a estrondosa derrota do ex-presidente López, Barco dedicou-se a outras atividades. Havia participado da fundação do Centro Internacional para o Melhoramento do Milho e do Trigo (CIMMYT), do qual era presidente desde 1966, e do qual se retirou em 1985 para buscar uma candidatura presidencial em 1986.
Candidatura presidencial
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Foi precisamente seu rival de 4 anos antes, o frustrado ex-presidente López, quem impulsionou a candidatura de Virgilio Barco pelo Partido Liberal, desde meados de 1984. Quando os jornalistas da revista Semana perguntaram sua opinião acerca da candidatura liberal e este respondeu com a famosa frase "¿Si no es Barco, quién?".[17][18]
Nas eleições recebeu o respaldo de todas as facções de seu partido, principalmente a do dirigente liberal e ex-contralor geral da república, Rodolfo González, que com seu grupo político chamado de Confederação Liberal de Santander, do qual era chefe, ajudou e impulsionou para que Barco pudesse ser o triunfador da contenda eleitoral popular para sua designação como presidente, com a soma ainda da dissidência Novo Liberalismo de Luis Carlos Galán, que encontrou em Barco uma garantia de unidade.
Seu rival foi o dirigente conservador Álvaro Gómez; o resultado foi de 4 214 000 votos (a votação mais alta da história até esse momento),[2] mais de 59%, para Barco, frente a 2 586 825 de seu adversário principal, e 328 641 do candidato da União Patriótica Jaime Pardo Leal.
Presidência (1986-1990)
[editar | editar código]Após assumir a presidência da Colômbia em 7 de agosto de 1986, Barco empreendeu o esquema governo-oposição para acabar com os vestígios do Frente Nacional, por isso contou em seu gabinete apenas com representantes do Partido Liberal, já que até 1986 havia se prolongado a participação de ambos os partidos no governo. Sua decisão se deu porque, ao oferecer uma cota aos conservadores, que estes consideraram insultante, ele decidiu não dar-lhes nenhuma participação em seu governo. Seu mandato teve como grandes eixos os programas contra a pobreza, o diálogo com as guerrilhas e a luta contra o narcotráfico.
Seu governo começou a aplicar um novo modelo de Administração Pública que buscava cinco objetivos prioritários: produtividade social dos recursos públicos, democratização da administração pública, eficiência e responsabilidade de instituições e funcionários, capacidade de gerência e administração e fortalecimento institucional da Presidência da Colômbia, mediante decisões políticas do Presidente ou por meio de leis e atos reformatórios da Constituição.
Realizou-se a primeira eleição popular de prefeitos em 1988[19] e criou-se a Consejería Presidencial para os Direitos Humanos.[20] Retomou e fortaleceu o Programa Nacional de Reabilitação (PNR)[21] ampliou os programas do fundo de Desenvolvimento Integral Camponês (DRI).[22]
Barco criou a Comissão Presidencial para a Reforma da Administração Pública do Estado Colombiano por meio do decreto 1150. Dela fizeram parte Alberto Hernández, Eduardo Aldana, Blanca Libia Arias, Alfonso Esguerra, José Vicente Kataraín, Manuel Rodríguez, Fernando Botero Zea, Martin von Hildebrand e Rudolf Hommes.[23]
Por sua vez, o empresário Germán Montoya foi nomeado no posto de secretário-geral da Presidência.[24] Segundo a revista Semana, para vários opositores Montoya era “quem realmente tomava as grandes decisões em Palácio”.[25] Por sua vez, o diário El Tiempo o descreveu como “a inconfundível mão direita do ex-chefe de Estado”.[26] No mesmo sentido, vários meios de comunicação especularam que Barco padecia da doença de Alzheimer ao final do mandato,[27][28] o que teria reforçado a posição de Montoya na tomada de decisões dentro do governo.[29]
Gabinete
[editar | editar código]Barco foi o primeiro presidente em várias décadas a apostar por um sistema de governo-oposição, no qual incluiu em seu gabinete membros de seu partido, unicamente, deslocando os conservadores após 28 anos de alternância no poder. Barco era um homem que confiava tanto em seus assessores e ministros de confiança que a imprensa da época chamou seu gabinete de El Sanedrín; inclusive alguns de seus assessores se queixavam de que ele tinha preferências entre eles.[2]
Economia
[editar | editar código]O programa de abertura econômica iniciou-se com sua administração, que abriu os mercados colombianos ao mundo e recarregou a economia do país, se bem que esse programa foi acelerado durante o mandato seguinte (César Gaviria), o que seria motivo de fortes polêmicas no Partido Liberal.[5] Na erradicação da pobreza destacaram-se com resultados aceitáveis "El Plan Nacional de Lucha contra la Pobreza" e o "Plan Nacional de Rehabilitación", este último, o mais bem-sucedido, foi dirigido por Rafael Pardo Rueda, Eduardo Díaz Uribe e Eduardo Wills Herrera.[2]
Relações internacionais
[editar | editar código]Crise da Corveta Caldas
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Nas relações colombo-venezuelanas, o presidente Barco lidou com a crise da Corveta Caldas em 9 de agosto de 1987 com o ingresso da corveta da Armada da Colômbia A.R.C. Caldas em águas sobre o Golfo da Venezuela que têm estado em disputa entre Colômbia e Venezuela.
O presidente venezuelano Jaime Lusinchi autorizou uma grande mobilização das forças armadas venezuelanas, incluindo aviões F-16 que sobrevoaram as naves colombianas, esperando ordens para atacar. Barco também ordenou uma mobilização militar além de mudar as hipóteses de conflito para sua preparação militar, estabelecendo como X-2 a Venezuela e X-3 a Nicarágua. Ordenou-se a mobilização de várias unidades do exército e do Submarino ARC Tayrona para a zona como apoio. Em 17 de agosto de 1987, a crise chegou a seu ponto máximo.
O governo da Venezuela iria ordenar o afundamento da Corveta agora Fragata ARC Independiente que chegou à zona para relevar a ARC Caldas; no entanto, a Fragata colombiana também estava preparada para afundar várias unidades venezuelanas, e o submarino Tayrona as demais que estivessem na zona. A pedido do secretário da OEA João Clemente Baena Soares e do presidente da Argentina Raúl Alfonsín, o governo colombiano retirou a corveta da zona.
À chegada de Carlos Andrés Pérez à Presidência da Venezuela em 1989, Barco criou junto a seu homólogo venezuelano as chamadas Comissões de Vizinhança para promover o desenvolvimento fronteiriço e reduzir as tensões entre ambos os países.
Segurança e conflito armado interno
[editar | editar código]Fortalecimento das Forças Militares
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As Forças Militares colombianas passaram de 150 000 homens em 1988 a 210 000 homens em 1989. O Exército Nacional contava agora em suas fileiras com 140 000 homens, começou a formar os primeiros contingentes de soldados profissionais (uns 2000 inicialmente). Também se criaram 14 batalhões contraguerrilha (BCG)[30] e adquiriram helicópteros Black Hawk provenientes dos Estados Unidos em julho de 1988.[31]
Guerra contra o Cartel de Medellín
[editar | editar código]O que sim me preocupa é ver as gentes beatas que se escudam atrás das falsas morais e pretendem tapar o sol com as mãos. Como nosso presidente míster Barco, que declara com voz estentórea que está lutando contra os narcos e por baixo da mesa não vacila em fazer acordos com eles e depois se desgañita gritando a todos que ele nunca negociará com eles.[32]
Meses depois de sua posse, Barco presenciou o assassinato do juiz Gustavo Zuluaga,[33] o diretor da unidade de Antinarcóticos da Polícia Nacional, Jaime Ramírez (17 de novembro);[34] e do diretor do diário El Espectador, Guillermo Cano Isaza (17 de dezembro), todos assassinados em 1986.
Em fevereiro de 1987, foi capturado o narcotraficante Carlos Lehder, depois de homens da polícia colombiana o cercarem em uma de suas propriedades, e segundo algumas versões, por traição do próprio Escobar.[35]
A Corte Suprema declarou, no entanto, a inaplicabilidade do Tratado de Extradição de cidadãos colombianos para os Estados Unidos por cargos de narcotráfico com o argumento de que, no momento de sua entrada em vigor, não havia sido ratificado pelo então presidente Turbay. O governo ficou sem base legal praticamente para combater organizações criminosas como o Cartel de Medellín. Barco ratificou o Tratado, aproveitando o vazio legal de extraditar por via administrativa, mas a Corte Suprema insistiu em sua invalidade.[13]

Ao empreender contra os traficantes de drogas com ações policiais, aprovando a extradição para os Estados Unidos e iniciando a perseguição contra o enriquecimento ilícito, estes se tornaram mais violentos sequestrando políticos como Andrés Pastrana e assassinando outros como os candidatos presidenciais Jaime Pardo Leal, Luis Carlos Galán e Carlos Pizarro, o procurador-geral Carlos Mauro Hoyos, o juiz Gustavo Zuluaga, o coronel Valdemar Franklin Quintero, o governador de Antioquia, Antonio Roldán Betancur e no dia 28 a juíza María Helena Díaz. O magistrado Héctor Jiménez Rodríguez, o jornalista Jorge Enrique Pulido, o representante à Câmara Luis Francisco Madero, e a juíza do Tribunal Antioquenho, Mariela Espinosa Arango.
Após a morte de Luis Carlos Galán, assassinado em Soacha em 18 de agosto de 1989, o presidente Barco ordenou às forças militares golpear as estruturas do narcotráfico, particularmente a "Los Extraditables". Alguns dos atentados notáveis perpetrados por "Los Extraditables" foram o Atentado ao edifício do DAS e o atentado ao Voo 203 da Avianca. As forças militares utilizaram desdobramento de meios, realizaram detenções massivas, diligenciaram e apreenderam propriedades de chefões.
O maior êxito de seu governo, no entanto, deu-se em 15 de dezembro de 1989, quando forças de segurança do Estado conseguiram abater o narcotraficante Gonzalo Rodríguez Gacha "El Mexicano", chefe militar do Cartel de Medellín. Gacha foi abatido em Tolú (Sucre), junto a seu filho, depois de uma perseguição por matagais da zona. Depois de várias comparações, conseguiu-se demonstrar que se tratava do chefão cundinamarquês.
Em 17 de janeiro de 1990, "Los Extraditables" ofereceram ao presidente Barco um pacto pelo qual aceitavam a vitória das autoridades e cessavam seus ataques terroristas em troca de garantias legais e constitucionais. O presidente Barco rejeitou a proposta, que teria significado a revogação política do judicialmente suspenso Tratado de Extradição. Os narcotraficantes retomaram os atentados terroristas em abril.
Após a pressão exercida pelo presidente George H. Bush, com um desdobramento naval diante das costas colombianas que começou em 7 de janeiro de 1990, a política exterior do presidente Barco se converteu então em uma cruzada internacional para fechar o cerco ao narcotráfico na Colômbia. Em fevereiro de 1990, o presidente Barco foi o anfitrião de uma cúpula especial em Cartagena das Índias com os presidentes Bush, Jaime Paz Zamora da Bolívia e Alan García do Peru, com o fim de coordenar a guerra contra as drogas em cada um de seus países.
Desmobilização de grupos guerrilheiros
[editar | editar código]As negociações do governo de Barco pela paz conseguiram a desmobilização da guerrilha do Movimento 19 de Abril (M-19) e de 95% do Exército Popular de Libertação (EPL); foi, junto aos desmobilizados do M-19, o ex-presidente Misael Pastrana e o movimento da Sétima Papeleta, um dos grandes impulsionadores da Assembleia Constituinte da Colômbia de 1991.
A respeito do M-19, Barco iniciou conversação de paz com a guerrilha quando esta libertou o líder conservador Álvaro Gómez Hurtado, depois de seu sequestro em maio de 1988.[5][36][37] Depois de arduas negociações, em 8 de março de 1990, Barco assinou a paz com o M-19, apesar do assassinato de Carlos Pizarro Leongómez, em 26 de abril de 1990, assim como deixou iniciadas as negociações com o EPL, que se desmobilizou em 1991, depois do assassinato de 'Ernesto Rojas' em 1987, e de tomadas guerrilheiras, combates com os paramilitares e a Força Pública.
As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia - Exército do Povo (FARC-EP), após as fracassadas conversações de paz e o extermínio da União Patriótica, em 15 de novembro de 1987 as FARC-EP assassinaram o parlamentar paramilitar Pablo Emilio Guarín, continuando as ações armadas e diálogos intermitentes até 1990, e o Exército de Libertação Nacional (ELN), em expansão e em guerra com os paramilitares, continuou em sua guerra contra o Estado. Além disso, seriam as únicas organizações, junto às dissidências do EPL, que continuaram com a Coordenadora Guerrilheira Simón Bolívar.
Terceira guerra verde e expansão paramilitar
[editar | editar código]A terceira guerra verde do chefão do Cartel de Medellín Gonzalo Rodríguez Gacha, com os esmeralderos de Boyacá divididos em dois grupos: o grupo de Coscuez contra Víctor Carranza, Luis Murcia Chaparro 'El Pequinés' e Gilberto Molina e o grupo de Muzo-Borbur, além disso se atenta contra quem denunciava esses fatos.[38] Terminou depois da morte de ‘El Mexicano’, em 12 de julho de 1990, com a assinatura de um acordo de paz entre Víctor Carranza[39] e Luis Murcia Chaparro 'el Pequinés'.[40][41] Esta guerra deixou cerca de 3 500 mortos.[42][43]
Os paramilitares expandem o modelo de Puerto Boyacá declarada a Capital antissubversiva da Colômbia[44] (a Associação Camponesa de Pecuaristas e Agricultores do Magdalena Médio ACDEGAM; comandada por Henry Pérez e Ariel Otero[45]) foi exportado ao resto do país e treinaram seus pares em Córdoba, Urabá e Antioquia (dos irmãos Castaño: Fidel, Carlos e Vicente denominados primeiro como 'Los Tangueros' depois como Muerte a Revolucionarios del Nordeste Antioqueño, MRN, posteriores Autodefesas Camponesas de Córdoba e Urabá[46]), Boyacá, Cundinamarca, Putumayo e Meta (Los Masetos, de Rodríguez Gacha, chefe de um exército privado treinado por mercenários britânicos e israelenses[47] e o Movimento Operário Estudantil Nacional Socialista MOENS[48]), César (os irmãos Prada[49]); na Sierra Nevada de Santa Marta (Hernán Giraldo e Los Rojas[50]); e em Casanare (as Autodefesas Camponesas de Casanare ACC de Los Buitrago[51]).
Os manuais de contrainsurgência do Exército Nacional, como o EJC-3-10, de novembro de 1987, do General Oscar Botero, consideram os paramilitares como apoios indispensáveis na luta contra a subversão. Em 1987, o ministro de Governo, César Gaviria, reconhecia a existência de 128 organizações de “justiça privada”. O governo Barco revogou o Decreto 3398 de 1965, declarando ilegais as autodefesas. A ACDEGAM tratou de camuflar-se como movimento político, Movimento de Restauração Nacional (MORENA), guiado por Ernesto Báez. A campanha narcoterrorista de Los Extraditables confirmou os vínculos entre narcotráfico e paramilitares.
O extermínio da União Patriótica e perseguição da esquerda
[editar | editar código]A campanha de genocídio político contra a União Patriótica (UP), o Movimento A Luchar, a Frente Popular, ex-combatentes, defensores de Direitos Humanos e outros movimentos sociais cujos membros foram assassinados desde 1984, e depois das eleições legislativas de 1986 viveram seu recrudescimento no governo de Barco; essa campanha foi efetuada por paramilitares, narcotraficantes, militares, funcionários públicos, entre outros.
O acirramento desses crimes começou em setembro de 1986, com o assassinato do senador Pedro Nel Jiménez em Villavicencio, e do representante à Câmara Leonardo Posada, em Barrancabermeja. E continuou nesse ano com vários casos mais, entre os quais se contam: o de Jaime Pardo Leal, presidente da UP, assassinado em 11 de outubro; o de 5 membros da JUCO, que foram assassinados em Medellín em 24 de novembro.
Para 1987, uma das vítimas mais notórias do genocídio foi Héctor Abad Gómez, assassinado em 25 de agosto. Em 1988, em 21 de fevereiro, ocorreu o massacre de Vista Hermosa (Meta), que deixou 14 mortos, e em 4 de março sucedeu o massacre de La Honduras e La Negra, onde foram assassinadas 20 pessoas. Em 3 de abril, na Mejor Esquina (Córdoba), a banda dos Magníficos executou outro massacre, que deixou 28 mortos. Em 11 de abril houve outra sequência de assassinatos em Turbo: 23 mortos no total. Depois, o Exército Nacional da Colômbia, entre 14 e 15 de junho, levou a cabo um massacre na vereda El Topacio de San Rafael (Antioquia): 17 mortos. Em 30 de agosto houve 16 assassinatos mais em El Tomate (Córdoba) e em 11 de novembro veio a massacre de Segovia (Antioquia), onde houve um saldo de 43 mortos.
Em 18 de janeiro de 1989, o Exército Nacional da Colômbia participa do massacre paramilitar de La Rochela: 12 mortos. Em 27 de fevereiro, assassinam Teófilo Forero, do Partido Comunista, e há 3 mortos mais em Bogotá; em 3 de março, é assassinado José Antequera e Ernesto Samper, do Partido Liberal, resulta ferido. Em 29 de maio ocorre o Massacre de Llana Caliente em San Vicente de Chucuri (Santander): morrem 50 pessoas. Em outubro desse ano é assassinado o vice-presidente da Assembleia de Antioquia, Gabriel Jaime Santamaría.
Em 14 de janeiro de 1990, Los Tangueros executam o massacre de Pueblo Bello em Turbo, Antioquia: deixam 43 mortos. Em 22 de março desse ano é assassinado Bernardo Jaramillo Ossa, candidato presidencial da UP; e em 26 de abril, trinta e quatro dias depois, matam Carlos Pizarro Leongómez, ex-comandante do M-19 e candidato presidencial pela Aliança Democrática M-19. Muitas pessoas que sobreviveram ao extermínio abandonaram o país durante ou depois desses anos.
No total: 2 candidatos presidenciais, 8 congressistas, 13 deputados, 70 vereadores, 11 prefeitos e, pelo menos, 4.153 pessoas mais foram assassinadas, sequestradas ou desaparecidas no marco do genocídio político contra a União Patriótica. Esses crimes foram declarados em 2014 pela Fiscalía Geral da Nação como crimes contra a humanidade, por isso sua investigação e judicialização não prescrevem.
Em 2021 houve investigações jornalísticas que vincularam Virgilio Barco como parte responsável por isso, pois teria recebido a sugestão de eliminar a União Patriótica em uma reunião com Rafi Eitan.[52] Mas só no início de 2023, a Corte Interamericana de Direitos Humanos chegou finalmente à conclusão de que o Estado colombiano foi direta e indiretamente responsável pelo extermínio sistemático de mais de 6.000 membros da União Patriótica[53] e reiterou a posição da Fiscalía colombiana ao declarar os fatos como um crime contra a humanidade.
Sociedade
[editar | editar código]Meio ambiente
[editar | editar código]Apesar dos graves problemas de segurança que o país enfrentava, Barco decidiu empreender um ambicioso projeto pela defesa da Amazônia colombiana. Contatou o jovem etnólogo colombo-estadunidense Martín von Hildebrand para iniciar uma aproximação com os povos indígenas dessa região, e depois de dois anos de imersão na zona, entregaram-se 5 milhões de hectares aos indígenas huitotos[54][55][56] um dos latifúndios em mãos indígenas mais grandes da América em seu momento.[57][58]
O próprio Barco viajou a La Chorrera, Amazonas, em 23 de abril de 1988, e fez a entrega dos terrenos aos huitotos, pronunciando um discurso na língua nativa desses povos indígenas:[56]
Traigo-lhes minha saudação, venho dizer-lhes uma boa notícia, uma palavra de verdade: Enfim, a terra que é de vocês, é de vocês
— Virgilio Barco, 23 de abril de 1988
Em compensação, ele e sua esposa receberam presentes como um toucado de plumas e vários outros objetos. A entrega não foi simples, posto que as terras pertenciam a um explorador de borracha, e depois passaram às mãos da filial da Caja Agraria no departamento. O evento foi exaltado pelo então príncipe Carlos de Gales, que era um destacado e influente ativista ambiental,[59] durante um discurso de 1988.
Reformas constitucionais
[editar | editar código]Nas eleições legislativas de 1990, incluiu-se em forma de plebiscito uma sétima papeleta em que os eleitores pudessem responder sim ou não à convocação de uma assembleia para reformar a Constituição da Colômbia. O plebiscito conseguiu mais de dois milhões de votos (recontados informalmente), os quais criaram um impacto no presidente Barco, que, vendo a quantidade de votos, decidiu apoiá-lo como uma forma de democracia participativa.
O presidente Barco, mediante decreto-lei 927 de 3 de maio de 1990, ordenou à Registradoria Nacional contabilizar os votos que nas seguintes eleições presidenciais de 27 de maio fossem emitidos a favor da convocação. Em uma decisão sem precedentes, a Corte Suprema da Colômbia declarou exequível o decreto, e a papeleta obteve resposta afirmativa de cinco dos seis milhões de votantes.[60]
Atividade pós-presidencial
[editar | editar código]Após deixar a presidência em 1990, Barco serviu novamente como Embaixador da Colômbia junto ao Reino Unido até 1992, sob o governo do liberal César Gaviria.[61]
Morte
[editar | editar código]Virgilio Barco retirou-se da vida pública ao ser diagnosticado com câncer e Alzheimer, apesar de que se sabe que governou com a doença praticamente por 3 anos.
Em 1996, Barco foi hospitalizado por recaídas derivadas de sua doença, e desde esse momento seu estado de saúde piorou ainda mais.
Em abril de 1997, a direção do Partido Liberal condecorou Barco com a máxima distinção dada por esse partido, galardão que teve de receber sua esposa pelo mau estado de saúde do ex-mandatário.
Virgilio Barco morreu na Clínica Fundación Santafé de Bogotá, na manhã de 20 de maio de 1997, aos 75 anos de idade, vítima de um câncer.[1][62][63] Foi sepultado no Monumento aos Presidentes, no Cemitério Central de Bogotá, depois de seu cadáver ter sido exposto em câmara ardente.[2]
Homenagens
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O Congresso da Colômbia aprovou uma proposição para honrar sua memória e declararam 3 dias de luto nacional por parte do governo da época. Em sua natal Cúcuta, homenagearam-no de tal forma que a imprensa da época mencionaria que os nortesantandereanos consideravam ilustre Barco quase no mesmo nível do General Santander.[2]
Em sua honra foi nomeada a Biblioteca Virgilio Barco, projetada pelo arquiteto Rogelio Salmona, a qual foi inaugurada em 2001 no parque que também leva o nome desse político colombiano, em Bogotá.
Em 2021, com motivo da celebração do centenário de seu nascimento, o governo colombiano preparou uma série de homenagens e celebrações destinadas a reconhecer seu legado e exaltar sua figura.[64]
Vida privada
[editar | editar código]Temperança
[editar | editar código]Segundo palavras de um de seus ministros, Rafael Pardo, Barco era um homem sereno, de pouca predileção pelos meios de comunicação (por isso raramente aparecia na televisão), de ações mais técnicas que políticas (como bom engenheiro que era), de poucas habilidades comunicativas e baixa oratória, e porque, por sua experiência na engenharia, gostava de estar a par de cada detalhe das decisões que tomava ou dos projetos que devia executar, como quando esteve à frente da prefeitura de Bogotá.[2]
Família
[editar | editar código]Virgilio era membro da aristocracia emergente de Cúcuta, sendo filho de Jorge Enrique Barco Maldonado e Julieta Vargas Durán, sendo o menor de cinco filhos. Seus irmãos Marina, Jorge, Alberto e Julia Edelmira Barco Vargas. A riqueza de sua família se deu graças à exploração petrolífera, atividade que continua vigente até hoje.
Sua irmã Julia se casou com Carlos Arturo Sanclemente Orbegozo, que era neto do ex-secretário da presidência Sergio Sanclemente Domínguez, que por sua vez era filho do ex-presidente da Colômbia Manuel Antonio Sanclemente. Jorge, por sua vez, uniu-se a uma trineta do oficial e ex-designado presidencial Leonardo Canal González.
Seu pai era filho do oficial do exército e empresário Virgilio Barco M., lembrado por ter outorgado uma das primeiras concessões petrolíferas na história do país, a Concessão Barco,[65][66] depois de uma exitosa carreira militar e sua participação na guerra dos Mil Dias. Também destacou como filantropo.[67] Seu avô se casou com Edelmira Maldonado Atalaya, descendente de Juan Atalaya, importante colono da cidade.[68]
Sua mãe, por outra parte, era sobrinha do oficial Justo Durán Gómez, militante do Partido Liberal[69][70][71] que foi fundamental na criação de Virgilio (já que se encarregou de sua sobrinha Julieta como se fosse sua filha, e infundiu em seu sobrinho-neto o ideal liberal), além de importante personagem local que dá nome ao município de Durania. Durán combateu do lado liberal na guerra dos Mil Dias, contra o lado conservador de Virgilio Barco Martínez.
Seu irmão, Jorge Barco Vargas, ocupou o cargo de Diretor da Aerocivil, também foi o representante internacional da empresa de aviação Aerocondor, ligada aos narcotraficantes Julio Calderón e os irmãos Alfonso e Lucky Cotes.
Casamento e descendência
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Virgilio contraiu matrimônio em 15 de junho de 1950, em Cúcuta, com a estadunidense Carolina Isakson Proctor,[7] que era filha de um empresário petrolífero estadunidense para o qual Barco trabalhou quando estava radicado na Região do Catatumbo, e com a qual teve quatro filhos: Carolina, Julia, Diana e Virgilio Barco Isakson.
Sua filha maior, Carolina Barco Isakson, casada com um filho do ex-ministro Douglas Botero Boshell, é uma diplomata e política colombiana, sendo ministra de relações exteriores durante o governo de Álvaro Uribe, e foi embaixadora da Colômbia na Espanha no governo de Iván Duque.[72] Seu filho menor e único varão do matrimônio, Virgilio Barco Isakson, é um empresário e ativista pelos direitos das comunidades LGBT, sendo o fundador da fundação Colombia Diversa,[73][74][75] e filantropo dedicado à diminuição da pobreza através do setor empresarial.
Publicações
[editar | editar código]- Consideraciones sobre algunos aspectos de hacienda departamental, 1945
- Memorias de obras públicas, 1959
- Vivienda y renovación urbana, 1967
- Tres años de administración distrital, 1967-1969, 1969
- La administración de una ciudad moderna, 1974
- Acción administrativa: obras públicas y su financiamiento; progreso urbano y potencialidad agrícola, 1980
- Economía, planeación y política social, 1981
- Lucha partidista y política internacional, 1981
- La lucha contra la pobreza, 1985
- Etapa final de la gestión del director nacional del Partido Liberal Colombiano, 1986
- Hacia una Colombia nueva: liberalismo, democracia social y cambio, 1986
- Dos años de cambio : eficiencia, responsabilidad, participación, solidaridad, y justicia social, 1988
- Por la vigencia de los derechos humanos, políticos, económicos, sociales y culturales, 1988
- Hacia una nueva política internacional de asentamientos humanos, 1989
- Reforma urbana y desarrollo social, 1989
- El cambio social, un compromiso con Colombia: acciones y resultados de tres años de gobierno, 1989
- Discursos, 1986-1990, 1990
6 vols. vol. 1. Reforma política y cambio democrático; mensaje de Año Nuevo a la Nación; vol. 2. Paz, lucha contra el narcotráfico y orden público; vol. 3. partes 1 y 2. Economía social; vol. 4. Política exterior; vol. 5. Derechos humanos y libertad de prensa; Política indigenistas y protección del medio ambiente; Cultura, educación y deporte; Homenajea y condecoraciones
Referências
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Bibliografía
[editar | editar código]- Otálvora, Edgar C. Un Barco Liberal. Notas biográficas sobre Virgilio Barco Vargas - ASIN: B0050D1QAA
| Precedido por Belisario Betancur Cuartas |
Presidente da República da Colômbia 1986 — 1990 |
Sucedido por César Gaviria Trujillo |
- Nascidos em 1921
- Mortos em 1997
- Presidentes da Colômbia
- Diplomatas da Colômbia
- Engenheiros civis da Colômbia
- Católicos da Colômbia
- Naturais de Cúcuta
- Embaixadores da Colômbia nos Estados Unidos
- Embaixadores da Colômbia no Reino Unido
- Alunos do Instituto de Tecnologia de Massachusetts
- Grandes-Colares da Ordem do Infante D. Henrique
- Mortes por doença de Alzheimer