Yelena Bonner

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Yelena Bonner
Yelena Bonner e Andrei Sakharov em 1989
Nome completo Yelena Georgievna Bonner
Nascimento 15 de fevereiro de 1923 (94 anos)
União Soviética
Morte 18 de junho de 2011 (88 anos)
Estados Unidos

Yelena Georgievna Bonner (15 de fevereiro de 1923 - 18 de junho de 2011) foi uma médica, ativista dos direitos humanos e proeminente dissidente da época da União Soviética. Foi casada com o físico Andrei Sakharov.[1][2]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Yelena Bonner nasceu em 1923, em Moscou. Seu padrasto foi preso e enviado a um campo de trabalho forçado (Gulag) em 1937 sob a acusação de atividades anti-soviéticas nunca comprovadas. Posteriormente, ele viria a morrer na prisão devido aos maus tratos. Devido aos crimes supostamente cometidos pelo marido, até mesmo a mãe de Yelena Bonner foi enviada a um campo de trabalhos forçados em 1937, lá permanecendo por oito anos.

Quando a Alemanha nazista invadiu a União Soviética, em 1941, Yelena Bonner serviu como enfermeira para o Exército Vermelho. No período entre 1947 e 1953 ela cursou medicina em Leningrado, especializando-se em pediatria. Posteriormente ela atuou como médica em distritos, em uma maternidade e até mesmo realizando alguns trabalhos no Iraque.

Casou-se com um antigo colega de classe, o médico Ivan Semenov, com quem viria a ter dois filhos, Tatiana e Alexei. Anos depois, contudo, ela viria a se divorciar de Semenov.

Em 1965, ela uniu-se ao Partido Comunista da União Soviética. Contudo, ela viria a se desiludir com os ideais do partido após a União Soviética intervir violentamente na Tchecoslováquia, em 1968, no episódio que passaria a ser conhecido como Primavera de Praga. Entre 1968 e 1972, anos em que deixou o partido comunista, Bonner tornar-se-ia um dos mais ativos membros do grupo de dissidentes soviéticos.

Em janeiro de 1972, ela casou-se com o mais famosos dos dissidentes soviéticos, o físico Andrei Sakharov.[3] Em 1975, Bonner tornou-se co-fundadora da organização de direitos humanos Helsinki Watch, sediada em Helsinki, na Finlândia. Em 1977 e 1978, Tatiana e Aleksey, filhos de Yelena Bonner, se mudariam, respectivamente, para os Estados Unidos, devido às pressões exercidas pela KGB contra sua família. Em 1984, ao criticar publicamente o regime soviético, ela viria a ser condenada a cinco anos de prisão. Contudo, em 1985, foi libertada.[4]

Após a morte de Sakharov, em 1989, Bonner continuou seu ativismo pelos direitos humanos, inclusive após a dissolução da União Soviética, em 1991. Posteriormente, ela vigorosamente se levantaria contra a guerra na Chechênia e a de Nagorno-Karabakh, região disputada por Armênia e Azerbaijão. Na Rússia Bonner é mais lembrada, contudo, por haver prestado grande apoio ao então presidente Mikhail Gorbatchov em seu intento de implementar a glasnost e a perestroika, políticas que muito contribuiriam para o fim da Guerra Fria.[5]

Faleceu em 18 de junho de 2011 aos 88 anos. Está sepultada junto ao marido no Cemitério Vostryakovskoe, Moscou na Rússia.[6]

Referências

  1. [HATSCHIKJAN, Margarditsch. Bonner, Yelena Georgievna (1923-). In: TUCKER, Spencer C. (org.) Cold War: a student encyclopedia. Santa Barbara, CA, USA: ABC/CLIO, 2008.]
  2. «Morreu Elena Bonner, activista russa e viúva de Sakharov» 
  3. [SAKHAROV, Andrei. Memoirs. Translated by Richards Lourie. New York: Knopf, 1990.]
  4. [BONNER, Yelena. Alone Together. Translated by Alexander Cook. Boston: G. K. Hall, 1987.]
  5. [HATSCHIKJAN, Margarditsch. Bonner, Yelena Georgievna (1923-). In: TUCKER, Spencer C. (org.) Cold War: a student encyclopedia. Santa Barbara, CA, USA: ABC/CLIO, 2008.]
  6. Yelena Bonner (em inglês) no Find a Grave

Ligações externas[editar | editar código-fonte]