Zelas

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A Tábua dos Zoelas é um texto jurídico realizado sobre uma placa de bronze (32x24 cm). Encontra-se no Staatliche Museem de Berlim.

Os zelas ou zoelas (em latim: zoelae) eram um povo pré-romano da Galécia. Sem ser a sua localização precisa, os testemunhos epigráficos situam-nos na fronteira entre Zamora e Trás os Montes, configurando um dos populi de maior extensão territorial conhecidos da península Ibérica.[1]. Algumas fontes situam-nos especificamente entre os rios Douro e Sabor, com o centro em Mogadouro[2]

Os Zoelas foram mencionados por Plínio o Velho em relação à estima pelo linho que estes produziam:

A Hispânia Citerior tem também um linho de uma brancura extraordinária, pela qualidade das águas do torrente que banha Tarragona, no que se lustra; a sua finura é maravilhosa e é ali onde primeiro descobriram os tecidos de cárbaso. Da mesma Hispânia e há pouco tempo, veio à Itália o linho dos Zoelas, utilíssimo para as redes de caça; a civitas Zoela é uma da Galécia e está próxima ao Oceano.
Plínio o Velho[3]

Os zoelas são de origem desconhecida, não se sabe se eram autóctones ou Celtas. Segundo Plínio, o Velho, eram um dos 22 populi dos Astures[4][5][6].

Vestígios[editar | editar código-fonte]

Os zoelas estão também referidos em aras encontradas em Bragança, no Castro de Avelãs. Este povo deixou-nos estelas funerárias decoradas com suásticas circulares, simbolizando o Sol, e com desenhos de animais como o porco e o veado.

A Tábua de Astorga[editar | editar código-fonte]

No Staatliche Museem de Berlim conserva-se a denominada Tábua de Astorga ou Tábua dos Zoelas, uma placa de bronze (32x24 cm), de forma quadrangular e coroada por um frontão triangular em cujo interior aparece a data consular.

A Tábua é um texto jurídico que recolhe um pacto de hospitalidade de data não precisada e as suas posteriores renovações datadas nos anos de 27 em Curunda, e 152 d.C. em Astorga, entre dois grupos tribais (gentilitas) do povo dos Zoelas, os Desoncos e os Tridiavos, no que ambas as partes se incluem reciprocamente na "clientela" da outra parte, assegurando-se proteção e fazendo extensivo este pacto aos seus descendentes. O acordo está avalizado entre outros, por um magistrado dos Zoelas.[1]

A seguir indica-se o texto que figura na tábua:

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Plínio o Velho, História Natural
  • SALINAS DE FRÍAS, Manuel (1996). Conquista y romanización de Celtiberia. Volume 171 de Acta salmanticensia. Filosofía y Letras.Volume 50 de Estudios Historicos. [S.l.]: Universidade de Salamanca. 196 páginas. ISBN 8474813719, 9788474813715 Verifique |isbn= (ajuda) 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]