Abadia de Sainte-Geneviève de Paris

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A Abadia de Sainte-Geneviève (Abbaye-Sainte-Geneviève) foi um mosteiro em Paris, França, destruído na época da Revolução Francesa.

Abadia de Sainte-Geneviève.

História[editar | editar código-fonte]

A Abadia, perto da Église Saint-Étienne-du-Mont e o atual Panteão (sua abadia reconstruída), foi dito ter sido construída em 502 pelo rei Clóvis I e sua rainha, Clotilde, e nomeada mosteiro dos Santos Apóstolos, dedicado especialmente a Pedro e Paulo. Mais tarde, Santa Genoveva tinha o hábito de ir à abadia rezar, tomando uma rota comemorada pelo nome de rue de la Montagne-Sainte-Geneviève. Em sua morte em 512, seus restos mortais foram sepultados na abadia, perto de Clóvis.

Em 1147 cônegos seculares oficiavam na igreja. O rei Luís VII de França e o Papa Eugênio III, tendo testemunhado algumas desordens, determinaram-se a restaurar a disciplina. A pedido do abade Suger e do Bernardo de Claraval, Gildwin, o primeiro abade de Saint-Victor, enviaram Odo, o prior de sua abadia. Houve dificuldades, mas a ordem finalmente prevaleceu e alguns dos cânones uniram-se à reforma, e a abadia se tornou a casa dos Cônegos Regrantes.

Entre estes estava o jovem Guilherme de Paris. A pedido de Absalão, bispo de Roskilde na Dinamarca, que quando era um estudante de Sainte-Geneviève o havia conhecido, Guilherme foi enviado àquele país para reformar um mosteiro de cônegos na Ilha Eskilsø. Ele fundou outro mosteiro, que foi dedicado ao Santo Paracleto. Ele morreu em 1206, e foi canonizado pelo Papa Honório III. Era natural que relações próximas existissem entre Sainte-Geneviève e seus fundadores na Dinamarca. Peter Sunesen, um jovem que fez sua profissão na abadia, tornou-se bispo de Roskilde; Valdemar, irmão de Canuto, o Grande, morreu em Sainte-Geneviève; e o abade Estêvão de Tournai escreveu a Guilherme e seus amigos para obtenção de chumbo para o telhado de sua abadia.

Como a Abadia de Saint-Victor, Sainte-Geneviève tornou-se um celebrado local de aprendizagem e o lugar de uma grande livraria medieval. Saint-Victor, Sainte-Geneviève, e Notre-Dame foram os berços da Universidade de Paris. Pedro de Ferrière, abade de Saint-Victor, era, em um certo momento, prior de Epinay, um priorado de Sainte-Geneviève; William de Auxerre, um cônego professo de Saint-Victor em 1254, exerceu a função de despenseiro, e tornou-se abade de Sainte-Geneviève; e Marcel, sucessivamente cônego em Saint-Victor e Sainte-Geneviève, foi constituído em 1198 abade de Cisoing.

Nos últimos séculos esta abadia caiu nas mãos de abades in commendam. No início do século XVII o Cardeal de La Rochefoucauld realizou as reformas exigidas pelo Concílio de Trento. Ele trouxe de Senlis Charles Faure (d. 1644),[1] que já havia restaurado a regra canônica na antiga Abadia de Silvanect. Uma vez mais a Regra de Santo Agostinho foi fielmente observada em Sainte-Geneviève que se tornou a casa-mãe da Congrégation de France galicana, uma associação de abadias Agostinianas chamadas de Génovéfains.

A Torre Clóvis

Em meados do século XVII, o abade geral da congregação tinha sob sua jurisdição mais de uma centena de abadias e priorados. Homens como Fronteau, chanceler da universidade e autor de muitas obras, Laleman, Chapponel, Reginier, Chengot, Beurier, du Moulinet, fundador da Biblioteca Nacional, Augustine Hay, um escocês que escreveu a Scotia sacra e oficiado em Holyrood, na Escócia, em 1687, eram filhos da congregação francesa. O astrônomo Alexandre Guy Pingré foi bibliotecário de Sainte-Geneviève.

Em meados do século 18, um projeto de reconstrução foi iniciado. Uma imensa abadia foi construída sobre a antiga cripta, desenhada por Jacques-Germain Soufflot; em parte reconstruída, serve hoje como o Panteão.

Supressão[editar | editar código-fonte]

Quando em 1790 a assembleia revolucionária declarou nulo todos os votos religiosos, e expulsou todos os moradores dos mosteiros, havia trinta e nove cônegos em Sainte-Geneviève. Era o fim da abadia e da escola. Para conduzir a nova rue Clovis pelo local, o edifício foi demolido pouco depois de 1800, exceto sua torre do sino, chamada de Torre Clóvis. Atualmente o Liceu Henrique IV, construído em parte com elementos da abadia, ocupa o lugar.

Commons
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Referências[editar | editar código-fonte]

  1. About the Augustinian Canons. Página visitada em 2009-10-16.

Este artigo incorpora texto da verbete Abbey of Sainte-Geneviève na Catholic Encyclopedia, publicação de 1913 em domínio público.

  • Bonnard, Histoire de l'abbaye de St-Victor de Paris (1907)
  • Gautier, Adam de St-Victor (Paris, 1858)
  • Marion, Histoire de l'Eglise (Paris, 1908)
  • Vuillemin, Vie de S. Pierre Fourier (Paris, 1897)

48° 50′ N 2° 20′ E

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Sophie Peltier-Le Dinh, Danielle Michel-Chich, André Arnold-Peltier, Le Lycée Henri-IV, entre potaches et moines copistes, Éditions PIPPA, collection Itinérances (ISBN 978-2-916506-16-6) 14€90 (fotos)