Alexei Orlov

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Alexei Orlov
Alexei Orlov
Nome completo Alexei Grigoryevich Orlov
Nascimento 5 de Outubro de 1737
Oblast de Tver, Rússia
Morte 5 de Janeiro de 1807 (69 anos)
Moscovo, Rússia
Nacionalidade Russa
Parentesco Grigory Ivanovich Orlov
Cônjuge Eudokia Nikolaevna Lopukhina

O conde Alexei Grigoryevich Orlov (em russo: Алексей Григорьевич Орлов), (5 de Outubro de 1737 - 5 de Janeiro de 1808) foi um soldado e estadista russo que se tornou conhecido durante o reinado de Catarina, a Grande.

Orlov prestou serviço militar no Exército Imperial Russo e, através do seu irmão, tornou-se um dos principais conspiradores no golpe que derrubou o czar Pedro III e o substituiu pela sua esposa, Catarina. O golpe, levado a cabo em 1762, teve sucesso e Pedro foi preso sob a vigilância de Alexei. Morreu pouco depois em circunstâncias misteriosas e acreditava-se que tinha sido Orlov ou a ordenar ou a matá-lo pessoalmente. Muito recompensado por Catarina depois da sua ascensão ao poder, os Orlov tornaram-se poderosos na corte. Alexei foi promovido e participou na Guerra Russo Turca de 1768-74, comandando uma expedição naval ao Mediterrâneo em 1770 que destruiu a frota otomana na Batalha de Chesma. Recebeu um título de vitória de Chesmensky. A vitória russa levou à revolta Orlov nos territórios gregos do Império Otomano.

Orlov ficou no Mediterrâneo e recebeu a pouco habitual ordem de seduzir e capturar a princesa Tarakanoff, uma pretendente ao trono russo. Orlov conseguiu cumprir a sua missão e conseguiu convencê-la a embarcar num navio que a levou para Livorno, onde foi presa e levada para a Rússia. O irmão de Alexei, Gregório, amante de Catarina antes e depois do golpe de estado, deixou de estar nas graças da imperatriz pouco depois e o poder dos Orlov na corte diminuiu. Alexei tornou-se um criador de gado de renome nas suas propriedades, tendo criado uma raça de cavalos que é conhecida por Trotador Orlov, tendo também popularizado a raça de galinhas Orlov. Deixou a Rússia após a morte de Catarina, mas regressou após a morte do filho dela, o czar Paulo I, e viveu na Rússia até à sua morte em 1808.

Família e Primeiros Anos[editar | editar código-fonte]

Alexei nasceu em Lyubini in Tver Oblast, na família nobre dos Orlov, a 5 de Setembro de 1737, sendo filho de Gregório Ivanovich Orlov, governador de Novgorod, e irmão de Gregório Grigoryevich Orlov.[1] Entrou no Regimento Preobrazhensky e, em 1762, tinha já chegado à posição de sargento. Distinguiu-se durante a Guerra dos Sete Anos, onde foi ferido na Batalha de Zorndorf. As descrições dizem que era um homem gigante, com mais de dois metros de altura, e um duelista de talento, uma actividade que lhe valeu uma cicatriz permanente na bochecha.[2] Esta cicatriz fez com que recebesse a alcunha de 'cara de cicatriz'.[3]

Envolvimento no Golpe de 1762[editar | editar código-fonte]

Alexei Orlov envolveu-se no golpe de estado que derrubou o czar Pedro III e colocou a sua esposa Catarina no trono juntamente com o seu irmão Gregório. Neste golpe, levado a cabo em Julho de 1762, Alexei encontrou-se com Catarina no Palácio de Peterhof e, tendo-a encontrado ainda na cama, anunciou: "chegou a altura de reinar, Madame".[4] Depois levou-a para São Petersburgo onde os regimentos de guardas proclamaram a sua lealdade à nova imperatriz.[5] O czar foi preso em Ropsha sob a vigilância de Alexei Orlov, tendo vindo a morrer em circunstâncias misteriosas a 17 de Julho. Acredita-se que Alexei tenha sido o responsável pelo seu assassinato, quer por sua própria iniciativa, quer por ordem de Catarina. Um testemunho afirma que Alexei lhe colocou veneno no vinho, que

Cquote1.svg fez com que as suas veias ardessem. Isto levantou a suspeita do antigo imperador que se recusou a beber o copo seguinte. Eles recorreram à força e ele defendeu-se. Naquela luta horrenda, para abafar os seus gritos, atiraram-no ao chão e apertaram-lhe a garganta. Mas ele defendeu-se com a força que surge no desespero final e eles fizeram os possíveis para não o ferir. Colocaram uma correia de couro à volta do pescoço do imperador. Alexei Orlov ajoelhou-se em cima do seu peito e impediu-o de respirar. Morreu nas suas mãos. Cquote2.svg

[2]

Alexei terá escrito uma carta a Catarina após a morte de Pedro, confessando que Pedro tinha sido morto numa briga de bêbados com um dos seus carcereiros. A autenticidade desta carta já foi questionada. A causa oficial de morte foi um ataque de cólicas hemorrágicas.[6]

Favorito na Corte[editar | editar código-fonte]

Alexei Orlov por Vigilius Eriksen.

Os Orlov foram compensados depois da subida de Catarina ao trono e Alexei foi promovido à posição de major-general e recebeu o título de conde. Com o irmão recebeu cinquenta mil rublos e oitocentos servos.[7] Apesar de não ter tido uma educação formal e não falar línguas estrangeiras, Alexei interessava-se por ciências, tendo financiado Mikhail Lomonosov e Denis Fonvizin e mantido correspondência com Jean Jacques Rousseau. Foi um dos fundadores da Sociedade Económica Livre e o seu primeiro presidente eleito. Recompensado com grandes propriedades, começou a interessar-se pela criação de cavalos, tendo desenvolvido a raça do Trotador Orlov e popularizado uma raça de galinhas que também recebeu o nome de Orlov.[8]

Participou na Guerra Russo-Turca de 1768-74, tendo organizado a Primeira Expedição ao Arquipélago e comandado um esquadrão da Marinha Imperial Russa. Lutou e ganhou a Batalha de Chesma contra uma frota turca a 5 de Julho de 1770, com a ajuda da marinha britânica e recebeu o título honorífico de Chesmensky. Também recebeu a Ordem de São Jorge, Primeira Classe. A sua expedição levou à Revolta Orlov na Grécia que, apesar de ter sido bem sucedida a inicio, não teve o apoio completo da Rússia e acabou por ser controlada pelos turcos.[9] Alexei foi enviado na categoria de plenipotenciário para as negociações de Focşani em 1772, mas a sua impaciência fez com que estas falhassem, o que desagradou a imperatriz.

Depois, Catarina deu ordens a Alexei para entrar em contacto com Isabel Alekseyevna, uma pretendente ao trono russo que dizia ser filha da imperatriz Isabel da Rússia, e que a trouxesse para território russo.[10] Alexei conseguiu cumprir a missão fingindo que era um apoiante dela e depois conseguiu seduzi-la. Convenceu-a a entrar num navio em Livorno em Maio de 1775, onde foi presa pelo almirante Samuel Greig e levada para a Rússia onde foi presa e depois morta.[11] Pouco depois de completar este serviço, os Orlov deixaram de estar nas boas graças da imperatriz e foram dispensados das suas posições. Alexei instalou-se no Palácio de Neskuchni em Moscovo onde dava bailes e jantares luxuosos que fizeram dele "o homem mais popular de Moscovo."[12]

Após a morte de Catarina em 1796, o novo czar, Paulo I, ordenou que o corpo do seu pai, Pedro III, se voltasse a enterrar numa grande cerimónia. Alexei Orlov recebeu ordens para levar a Coroa Imperial em frente do caixão.[13] Orlov deixou a Rússia durante o reinado de Paulo, mas regressou a Moscovo após a sua morte e a subida ao trono de Alexandre I. Orlov comandou a milícia do quinto distrito durante a Guerra da Quarta Coligação de 1806-07, que foi criada quase inteiramente com o seu dinheiro.[1]

Morreu em Moscovo a 5 de Janeiro de 1808. Deixou uma herança de cinco milhões de rublos e trinta mil servos.

Casamento e Descendência[editar | editar código-fonte]

Orlov casou-se com Eudokia Nikolaevna Lopukhina no dia 6 de Maio de 1782. Deste casamento nasceram uma filha, Ana (1785-1848), e um filho, Ivan (1786-1787). Eudokia morreu ao dar à luz Ivan, em 1786. Também se pensa que Alexei terá tido um filho ilegitimo chamado Alexandre (1763-1820).

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Black, Will (2003). The Chinese Palace at Oranienbaum: Catherine the Great's Private Passion. Bunker Hill Publishing, Inc.. ISBN 1593730012.
  • Julicher, Peter (2003). Renegades, Rebels and Rogues under the Tsars. McFarland. ISBN 0786416122.
  • King, Greg; Wilson, Penny (2010). The Resurrection of the Romanovs: Anastasia, Anna Anderson, and the World's Greatest Royal Mystery. John Wiley and Sons. ISBN 0470444983.
  • Heinze, Karl G. (2003). Baltic Sagas: Events and Personalities That Changed the World!. Virtualbookworm Publishing. ISBN 1589394984.
  • Charles Knight, ed (1857). The English Cyclopædia: A New Dictionary of Universal Knowledge. 4. Bradbury & Evans.
  • Moss, Walter (2005). A History of Russia: Since 1855. 2. Anthem Press. ISBN 1843310236.
  • Murrell, Kathleen Berton (2001). Discovering the Moscow Countryside: A Travel Guide To the Heart Of Russia. I. B. Tauris. ISBN 1860646735.
  • Papalas, Anthony J. (2005). Rebels and Radicals: Icaria 1600-2000. Bolchazy-Carducci Publishers. ISBN 0865166056.
  • Radzinsky, Edvard (2005). Alexander II: The Last Great Tsar. Trans. Antonina Bouis. Simon and Schuster. ISBN 0743281977.
  • Reynolds, Clark G. (1998). Navies in History. Naval Institute Press. ISBN 1557507155.
  • Ritzarev, Marina (2006). Eighteenth-century Russian Music. Ashgate Publishing, Ltd.. ISBN 0754634663.
  • Streeter, Michael (2007). Catherine the Great. Haus Publishing. ISBN 1905791062.
  • Tolstoy, Leo (2010). War and Peace. Trans. Louise Maude, Aylmer Maude (2 ed.). Oxford University Press. ISBN 0199232768.
  • Tull, Jethro; Brachfeld, Aaron; Choate, Mary. Horse Hoeing Husbandry (5 ed.). Coastalfields Press.

Notas e referências

  1. a b The English Cyclopædia. pp. 588–9.
  2. a b Radzinsky. Alexander II: The Last Great Tsar. pp. 11–2.
  3. Moss. A History of Russia: Since 1855. p. 296
  4. Radzinsky. Alexander II: The Last Great Tsar. pp. 11–2.
  5. Julicher. Renegades, Rebels and Rogues Under the Tsars. p. 139.
  6. Streeter. Catherine the Great. pp. 41–3.
  7. Julicher. Renegades, Rebels and Rogues Under the Tsars. p. 142.
  8. Murrell. Discovering the Moscow Countryside. p. 100.
  9. Papalas. Rebels and Radicals. p. 26.
  10. King & Wilson. The Resurrection of the Romanovs. p. 5.
  11. Ritzarev. Eighteenth-century Russian Music. pp. 118–9.
  12. Tolstoy. War and Peace. pp. 1321–2.
  13. Heinze. Baltic Sagas. p. 179
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