Batalha de Guadalete

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Batalha de Guadalete
Invasão muçulmana da Península Ibérica
Mariano Barbasán - Batalla de Guadalete.jpg
"Batalha de Guadalete" (1882), por Mariano Barbasán Langueruela
Data 31 de Julho de 711
Local Rio Guadalete, na atual província de Cádiz, na Andaluzia, no sul da actual Espanha
Resultado Vitória dos Árabes
Combatentes
Árabes Visigodos
Comandantes
Tárique rei Rodrigo
Predefinição:Campanhainfo Invasão muçulmana da Península Ibérica

A Batalha de Guadalete ou Guadibeca foi uma batalha travada em 31 de Julho de 711 às margens do rio Guadalete, na atual província de Cádiz, na Andaluzia, no sul da actual Espanha, entre Árabes e Visigodos. A batalha, que foi ganha pelos primeiros, marcou o fim do Reino Visigótico e o início do domínio muçulmano na Península Ibérica, que se estenderia por vários séculos, até a Reconquista Cristã.

História[editar | editar código-fonte]

Rodrigo (ou Roderick, que derivou para Roderico), descendente dos reis visigodos da dinastia dos Baltos, subiu ao trono depois de ter vencido o rei Vitiza, ao qual mandou arrancar os olhos. Então, aproveitando-se das lutas internas que dividiam os visigodos, os muçulmanos do Norte de África decidiram invadir a Península. Segundo certos autores, esta invasão foi favorecida pelo conde Julião, bizantino, desejoso de se vingar de uma ofensa que lhe fora feita pelo rei Rodrigo, e pelos partidários de Vitiza, dirigidos pelo bispo dom Oppas.

Outros historiadores afirmam, porém, que os mouros vieram para auxiliar o rei Vitiza, e que o conde Julião, de origem bizantina, os auxiliou por simpatia pelo antigo rei. De qualquer modo, foi encarregado de comandar a invasão o general Tárique, que foi de facto o primeiro invasor muçulmano da Hispânia e desembarcou facilmente no Calpe - antiga denominação de Gibraltar -, de onde avançou através da Península, defrontando as hostes visigóticas nas margens do Guadalete, no dia 31 de Julho de 711. O exército de Rodrigo, muito inferior em número às hostes árabes, não tinha a menor possibilidade de resistir ao tremendo choque.

Na batalha, invulgarmente cruenta, morreu o próprio rei visigodo, e pode afirmar-se que data desse dia a perda definitiva do império. Tárique, o muçulmano, vencedor do primeiro grande combate travado na Península entre mouros e cristãos, prosseguiu o seu vitorioso avanço, tomando a cidade de Toledo. Outro chefe mouro, de nome Musa, desembarcou por seu turno na costa espanhola e conquistou Sevilha. Não tardou muito que Mértola, Mérida, Niebla e Ossuna (onde Viriato e os seus lusitanos haviam derrotado as imensas legiões romanas de Fábio Emiliano) caíssem em poder dos mouros.

Segundo muitos historiadores, a razão da fácil entrada das forças muçulmanas na península, deveu-se à rejeição dos povos peninsulares ao domínio dos seus senhores Visigodos, um povo germânico que controlava a peninsula com mão-de-ferro.

Nenhum dos vários povos peninsulares tinha o direito de ter homens armados, e, quando foram necessários homens para lutar, eles não tinham armas para o fazer. Mas, mesmo que as tivessem, não era certo que eles lutassem contra os muçulmanos invasores, pois os visigodos eram provavelmente vistos como tão ou mais opressores que os árabes muçulmanos.

A vitória dos dois chefes muçulmanos, porém, envaideceram-nos e excitaram de tal modo as suas ambições pessoais que chegaram ao ponto de entre si se combaterem, até que o califa lhes ordenou que abandonassem a Península, enviando-os para outros lugares, e nomeou, para os substituir, Adbul-el-Aziz, que foi o segundo vice-rei mouro na Península Ibérica.

Pensa-se que Pelágio das Astúrias conseguiu escapar da batalha, indo formar o Reino das Astúrias e constituindo a única resistência à ocupação árabe da Península Ibérica.

Influência na literatura[editar | editar código-fonte]

A batalha de Guadalete foi descrita no livro clássico do romantismo português do século 19 Eurico, o Presbítero, de Alexandre Herculano.1

Referências

  1. HERCULANO, A. Eurico, o presbítero. São Paulo. Martin Claret. 2004. p. 63-86

Ligações externas[editar | editar código-fonte]