Romantismo em Portugal

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Palácio Nacional da Pena em Sintra, uma das expressões do Romantismo arquitectónico do século XIX no mundo.

O Romantismo em Portugal surgiu no século XIX. Nas artes plásticas o Romantismo é normalmente encarado como um movimento oposto ao Neoclassicismo, por ser uma reacção à excessiva racionalidade clássica, negando os princípios de harmonia, ordem e proporção. A questão é, no entanto, um pouco mais complexa, porque ambos se completam e revelam ser as duas fases de um mesmo objecto. É obvio que existem elementos díspares ou mesmo opostos, como sentimento e razão ou o indivíduo versus o todo, mas essas diferenças complementam-se, principalmente nas artes plásticas, porque o movimento neoclássico já é uma atitude romântica ao virar-se para o passado. Quer dizer, o todo só faz sentido com o indivíduo, tal como a razão é inseparável do sentimento, não se podendo por a tónica em nenhuma porque estão interligadas. Nesse sentido o Romantismo surge nas artes quase naturalmente quando os artistas se apercebem da impossibilidade de negar certos aspectos da criatividade humana. Pode, então, ser caracterizado como um apelo ao individualismo, exaltando o sentimento, a emoção e a genialidade.1

Influências sociais e políticas[editar | editar código-fonte]

Como coincide com uma época de grandes modificações sociais, políticas e económicas, assume forte carga ideológica, sustentada pelo surgimento dos movimentos de carácter nacionalista, como a guerra de independência da Grécia. A revolução industrial, e todos os problemas que a caracterizam, também influenciam esta época. O Romantismo utiliza as inovações técnicas e torna-se uma verdadeira fuga ao real, como se pode ver nos revivalismos, orientalismos e jardins à inglesa, um pouco por toda a Europa. Tal como o Neoclassicismo vira-se para o passado, mas agora valorizando a Idade Média e os estilos artísticos que a caracterizam, utilizando-os como reflexo dos nacionalismos emergentes – Portugal elege o Neomanuelino estilo nacional. O desenvolvimento da história como importante disciplina académica e a moda dos romances de cavalaria, desenrolando-se numa Idade Média idílica, ajudam a popularizar os historicismos medievais.2

Condicionantes em Portugal[editar | editar código-fonte]

Palácio Nacional da Pena, pórtico do Tritão programado por D. Fernando II, que o desenhou como um «Pórtico allegórico da creação do mundo».

Os primeiros anos do século XIX são muito complexos, devido essencialmente à sucessão de problemas políticos, nomeadamente a fuga da família real para o Brasil em 1807, devido às invasões francesas, posterior/consequente domínio inglês, revolução liberal em 1820, regresso da família real em 1821, independência do Brasil, a perda do comércio colonial com a antiga colónia em 1822 (dramático golpe na economia portuguesa), contra revolução absolutista e, finalmente, guerras liberais, conservando a instabilidade até 1834. Esta conjuntura só permite o desenvolvimento de condições propícias à eclosão de um novo estilo artístico no final da década de 1830. Apesar de em Portugal surgir relativamente cedo na literatura, em finais do século XVIII com alguns pré- românticos, nas restantes formas artísticas desenvolve-se apenas com o impulso de dado por D. Fernando II, marido de D. Maria II, ao iniciar a construção do Palácio Nacional da Pena, após a estabilização da conjuntura nacional.

Arquitectura[editar | editar código-fonte]

A arquitectura segue o gosto internacional, utilizando as características típicas do estilo, dividindo-se numa série de historicismos dos quais se destaca o Neomanuelino. Inspira-se no passado medieval, construindo edifícios de planta irregular simulando sucessivos acrescentos, tal como na idade média, com uma cobertura profusamente decorada, mas utilizando os progressos técnicos surgidos com a revolução industrial, tanto ao nível de materiais como de máquinas. Recorre a uma decoração baseada nas formas mais superficiais dos estilos artísticos medievais, completamente revivalista, escondendo construções modernas, frequentemente com estruturas metálicas (moderníssimas para a época). Utiliza todo o tipo de inovações como o tijolo ou revestimentos cerâmicos industriais, preservando sempre que possível questões básicas, desenvolvidas no Neoclassicismo, como a funcionalidade e a rentabilidade da arquitectura, simplesmente adaptados a outra estética. Como já foi dito anteriormente considera-se que tem início com a construção do Palácio Nacional da Pena em Sintra, pelo rei D. Fernando II, mantendo-se até ao início do século XX, a par do Neoclassicismo e de estilos posteriores. No entanto esta afirmação não é exacta porque já no final do século XVIII, se fizeram algumas construções revivalistas, como no Mosteiro de Alcobaça ou na quinta de Monserrate em Sintra, com formas Neogóticas. A construção do Palácio Nacional da Pena marca, principalmente, uma alteração na mentalidade do panorama artístico, quando os princípios do romantismo internacional se fixam verdadeiramente em Portugal. Ao contrário do resto da Europa, o Neogótico não é a forma de arquitectura mais importante, apesar de existirem exemplos de qualidade. Este facto deve-se, essencialmente, ao carácter nacionalista da arquitectura romântica, permitindo uma surpreendente originalidade, quando comparada com a repetição de modelos no norte de continente, mesmo tendo em conta as adaptações nacionalistas de cada país. Não é por acaso que ao folhear os livros de história da arte, os grandes exemplos de arquitectura apresentados são, normalmente, os edifícios de arquitectura do ferro ou as obra que verdadeiramente diferem das restantes.

O Neomanuelino[editar | editar código-fonte]

Palácio Hotel do Buçaco, pormenor da fachada neomanuelina

O Neomanuelino, devido à tendência nacionalista do Romantismo, surge como a grande arquitectura. O edifício é coberto por uma profusão de formas decorativas, tal como todos os historicismos, imitando o estilo original, mas sem tentar copiar os edifícios originais. Utiliza os elementos mais superficiais do estilo como arcos (em ogiva, ferradura, de volta perfeita, e outros), pináculos, frisos, cordas, merlões, ameias, elementos vegetalistas e alguma escultura. Os elementos decorativos são directamente copiados ou inspirados nas grandes exemplos históricos como o Convento de Cristo em Tomar, Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém em Lisboa. A colocação dos elementos decorativos segue a lógica estética, ao contrário dos originais com significado iconográfico, conseguindo um efeito de conjunto com grande impacto visual. O Neomanuelino chegou mesmo a ser exportado para o Brasil onde existem também alguns aparatosos edifícios. Era, igualmente, utilizado nos pavilhões de Portugal, nas importantíssimas exposições universais do final do século XIX, como opção nacionalista, em edifícios efémeros destinados a promover o país.

Historicismos[editar | editar código-fonte]

Interior neoárabe do Palácio de Monserrate, projectado pelo arquitecto James Knowles, Sintra.

O Neogótico teve menos importância. Segue a corrente internacional e, como é relativamente abundante na Europa, não atinge o esplendor do Neomanuelino. São edifícios adaptados às necessidades do século XIX, decorados principalmente com arcos em ogiva, pináculos, rosáceas, flechas e outros elementos superficiais do gótico original. O mesmo se aplica aos restantes revivalismos como o Neoárabe e o Neorromânico. Estes, talvez por serem menos utilizados na Europa, são por vezes verdadeiramente espectaculares, como a Praça de Touros do Campo Pequeno em Lisboa, ou a Câmara Municipal de Sintra e o actual Palacete de Monserrate. No final do século surge o Ecletismo, ou seja a mistura de elementos de vários estilos, quando os historicismos procuravam claramente uma saída para um percurso já quase esgotado. A vanguarda tecnológica da época, também está presente nas grandes obras públicas. Adaptando as formas ao que se considerava ser o estilo mais indicado para o edifício, porque o ferro era facilmente moldável, permitia uma série de soluções técnicas impossíveis para a construção tradicional. As pontes e as coberturas das estações de caminho-de-ferro destacam-se pela elegância e amplitude dos conjuntos. No entanto outros edifícios são construídos com esta técnica, como o Elevador de Santa Justa em Lisboa ou o desaparecido Palácio de Cristal do Porto. Sempre que se exigiam grandes vãos (espaço livre entre os pilares de sustentação) recorria-se ao ferro. A construção ficava mais ampla, segura e barata que a edificação em alvenaria tradicional, permitindo todo o tipo de formas, historicistas ao não, utilizando abundantemente o vidro. O conjunto era prático e muito funcional.

Principais edifícios Neomanuelinos[editar | editar código-fonte]

Estação Ferroviária do Rossio, em Lisboa.

Existem muitos outros exemplos, mas considera-se que os principais edifícios, em Portugal e no Brasil, são os seguintes:

  • Palácio Nacional da Pena – Barão Von Eschwege e D. Fernando II rei de PortugalSintra. Edificado no cimo da serra de Sintra, no meio de um luxuriante e exótico parque florestal, o palácio é uma fantasia romântica ( trinta anos antes dos palácios de Luis II da Baviera). O conjunto consiste numa justaposição quase orgânica de edifícios com vários estilos, perfeitamente adaptado ao local. D. Fernando II compra as ruínas do antigo convento manuelino, destruído por uma sucessão de acontecimentos trágicos – em 1743 é atingido por um raio, em 1755 o terramoto quase arrasa a construção e, finalmente, as invasões francesas destruíram o restante. O rei participou de forma activa no projecto, impondo a preservação da edificação manuelina, a par das novas obras. O conjunto é impressionante, completamente romântico no diálogo com a natureza envolvente, utilizando elementos de Neogótico e Neoárabe. Talvez seja o mais romântico dos edifícios portugueses. Foi classificado património da humanidade pela UNESCO no conjunto histórico "Paisagem Cultural" de Sintra.
  • Hotel Palácio do BuçacoLuigi ManiniBuçaco. O pequeno convento carmelita do século XVII e o seu parque florestal recebem no final do século XIX a construção de um hotel de luxo perfeitamente adaptado ao lugar e respeitando a construção existente. O novo edifício é inspirado nos grandes monumentos manuelinos, formando um conjunto impressionante, semelhante a uma grandiosa cenografia romântica. A decoração é completamente historicista, com interiores cobertos por pinturas murais, azulejos historicistas, escultura e talha. Integra-se de modo majestoso num parque de árvores seculares e, a sua proximidade com a histórica estância termal do Luso, tornam o Hotel Palácio um dos marcos patrimoniais fundamentais do romantismo português.
  • Estação do RossioJosé Luís MonteiroLisboa. Antiga estação central de Lisboa, encontra-se no centro histórico da capital. A fachada principal é Neomanuelina, dominada por dois grandes arcos em ferradura, sugerindo a entrada de túneis, entre contrafortes meramente decorativos. Associa frisos, pináculos e janelas muito decoradas a três janelões centrais, com varanda, no primeiro piso. É, também, de referir a cobertura da gare em arquitectura do ferro, seguindo um gosto mais clássico, que a torna uma das principais em Portugal.
  • Quinta da RegaleiraLuigi ManiniSintra. Executado num romantismo muito tardio, cerca de 1905, recebeu a alcunha dos contemporâneos de "Palácio das Fadas" devido à elegância do conjunto, bem como ao enquadramento paisagístico num belo parque florestal. É uma verdadeira cenografia constituída por torres, pináculos, janelões, frisos, cordas e muita decoração vegetalista. Está rodeado de algumas das quintas mais importantes, do conjunto monumental classificado património da humanidade pela UNESCO, no conjunto histórico "Paisagem Cultural" de Sintra.
  • Paços do Concelho de SintraAdães BermudesSintra. Transformada em centro elegante ao longo do século XIX, a vila de Sintra chega ao século XX necessitando de um novo edifício para Câmara Municipal. Foi edificado ainda em estilo Neomanuelino, de grande elegância, e perfeitamente integrado no conjunto monumental. Foi classificado património da humanidade pela UNESCO no conjunto histórico "Paisagem Cultural" de Sintra.
  • Real Gabinete Português de Leitura do Rio de JaneiroRafael da Silva CastroRio de Janeiro. A muito prestigiada Associação nasce em 1837. Em 1888 inaugura o novo edifício, em estilo Neomanuelino, por razões nacionalistas.
  • Real Centro Português de SantosRibeiro da Silva e Alberto da MaiaSantos. Inaugurado em 1900 segue o estilo Neomanuelino por razões nacionalistas.

Principais edifícios neogóticos[editar | editar código-fonte]

Elevador de Santa Justa, em Lisboa.

Existem outros exemplos mas considera-se que os principais edifícios são os seguintes:

  • Elevador de Santa JustaRaul Mesnier de PonsardLisboa. Talvez seja o exemplo de Neogótico mais conhecido em Portugal apesar de ser, também, um dos principais exemplos de arquitectura do ferro da cidade. Simula uma torre com seis andares fingidos, mas individualizados, com frisos e ogivas, coroada por uma plataforma mais larga, onde termina a subida. Tem acesso directo ao histórico largo do Carmo, através de uma passagem, também em ferro, lateralmente às ruínas góticas da Igreja do Convento do Carmo (edifício verdadeiramente gótico que foi deixado em ruínas como memorial do terramoto de 1755 para as gerações futuras). Apesar do elevador ser em ferro e a igreja em pedra, encontra-se perfeitamente enquadrado pelas semelhanças estilísticas, não escondendo o seu carácter industrial. É um dos monumentos mais marcantes do centro histórico de Lisboa.
  • Capela dos PestanasAlbano CascãoPorto. Pequeno edifício Neogótico arriscando reproduzir de forma estrutural a idade média. É constituído por torre na fachada, com flecha e ogivas, tentando verdadeiramente utilizar a linguagem do estilo original, um pouco à maneira do norte da Europa. É dos raros edifícios portugueses a não explorar a decoração como forma de imprimir o carácter pretendido.
  • Igreja de Reguengos de MonsarazAntónio José Dias da SilvaReguengos de Monsaraz. Uma das raras igrejas Neogóticas construídas em Portugal. É essencialmente uma planta basilical, com torre poligonal na fachada, contrafortes decorativos, pináculos muito simples, arcos em ogiva e alguns elementos decorativos. Existiu uma preocupação de respeitar a tradição alentejana ao se optar por um exterior branco em vez de uma total cobertura em pedra.

Principais edifícios neoárabes[editar | editar código-fonte]

Salão nobre do Palácio da Bolsa, Porto.

Existem outros exemplos mas considera-se que os principais edifícios são os seguintes:

  • Praça de Touros do Campo PequenoAntónio José Dias da SilvaLisboa. O imponente edifício rapidamente se tornou na principal praça de touros do país. Executado em tijolo vermelho, caso raro em Portugal, é constituído por torres, cúpulas em forma de bolbo, arcos em ferradura e alguns elementos decorativos. A forma circular é a dominante da construção. É ainda actualmente um dos principais equipamentos da cidade, entretanto adaptado para poder receber outro tipo de acontecimentos, sem interferir com a edificação.
  • Quinta do RelógioAntónio Tomás da FonsecaSintra. Seguindo um estilo invulgar no Portugal da época, mas já utilizado no Palácio Nacional da Pena, é claramente a tentativa de criar um refúgio exótico no propício ambiente de Sintra. Composto por arcos em ferradura e cores fortes, contrasta mas integra-se no jardim. Foi classificado património da humanidade pela UNESCO no conjunto histórico "Paisagem Cultural" de Sintra.
Praça de Touros do Campo Pequeno, em Lisboa.

Escultura[editar | editar código-fonte]

A escultura romântica é dominada, tal como todo o estilo, pelo sentimento. Para conseguir transmitir essa ideia recorre efeitos expressivos como o dinamismo, acabamento bruto e a utilização do grupo escultórico. Os temas assumem-se como parte fundamental da estratégia de exaltar os sentimentos, representando o dramatismo da acção, o lado sentimental ou acontecimentos heróicos. Em simultâneo surge a representação da natureza, nomeadamente de animais, sem a presença humana. Em Portugal a escultura segue a corrente internacional, oscilando entre influencias clássicas e uma aproximação ao Naturalismo. O fim das guerras liberais e o crescente nacionalismo são visíveis nos temas heróicos e históricos, enaltecendo as grandes figuras do passado, encaradas como exemplos e símbolos nacionais. Assim, surgem nas grandes cidades os monumentos públicos, em sintonia com a restante Europa, compostos por esculturas e relevos em pedestais monumentais. Destacam-se os seguintes monumentos:

Uma das particularidades da escultura romântica em Portugal é a sua frequente junção com a estética naturalista. Este facto deve-se à manutenção do Romantismo, principalmente nos monumentos públicos, em simultâneo com o desenvolvimento do excelente Naturalismo em Portugal. Alguns escultores adaptam a estética naturalista às encomendas oficiais, resultando numa original fusão entre os dois estilos, perfeitamente adaptada às necessidades impostas pelo monumento. É, de novo, um ajustamento às grandes correntes estéticas internacionais, seguindo a sensibilidade nacional. Convém, ainda, referir o facto de a complicada situação portuguesa, do início do século XIX, só ter permitido os grandes monumentos públicos numa época já relativamente tarde, quando os escultores activos se interessavam, e seguiam, o Naturalismo. No entanto, o espírito romântico está presente e a qualidade da obra em nada é afectada por esta simbiose. Para correctamente compreender a escultura romântica em é fundamental conhecer o Naturalismo em Portugal.

Pintura[editar | editar código-fonte]

"A adoração dos Magos" de Domingos Sequeira.

Domingos António Sequeira, também conhecido por Domingos Sequeira, fazendo a transição do Neoclassicismo para o Romantismo, em sintonia com o que de mais moderno se fazia no continente, inicia relativamente cedo um percurso romântico, simbolizado pela desaparecida pintura "Morte de Camões" exposta em 1824, interrompido com a sua morte em 1837. Ainda no Neoclassicismo, explora várias temáticas, mostrando-se genial em todas, desde a alegoria à pintura de história, religiosa e pitoresca (cenas da vida local). No retrato também mostra uma qualidade e uma evolução notáveis, desde o primeiro classicismo até a um romantismo assumido e de grande qualidade. Se o "Retrato do Conde de Farrobo", datado de 1813, é completamente neoclássico, o "Retrato dos filhos", cerca de 1816, já se assume romântico, e o "Retrato de José Clemente de Mendonça e Mendes", feito em 1819, possui um individualismo revelador do Romantismo pleno. É fundamental uma referência ao conjunto de estudos elaborado para os retratos dos deputados da Assembleia Constituinte, elaborados cerca de 1821, onde tenta atingir o retrato psicológico individual. A sua pintura religiosa é notável. A série sobre a vida de Cristo, realizada entre 1827 e 1832, são verdadeiras obras-primas. Com um domínio magistral da luz, aproxima-se da forma difusa, apenas comparável a Rembrant e Turner. Os restantes artistas, em consequência da instabilidade vigente, só mais tarde conseguem aderir à nova estética, ao tentar ultrapassar o classicismo. Assim, considera-se que a pintura romântica portuguesa, devido à difícil conjuntura existente, se desenvolve apenas depois da vitória liberal. Deve ser encarada como uma junção de vários artistas, portugueses e estrangeiros, seguindo percursos individuais, sem formar uma "escola" baseada em princípios ideológicos claros. Esta atitude, além de curiosa e pouco habitual no Romantismo, pode ser compreendida como um reflexo da importância crescente do individualismo. Claramente afastada dos princípios académicos, desenvolve uma sensibilidade baseada na pintura de costumes populares e paisagens, quase bucólica, que de algum modo se aproxima do futuro Naturalismo, em quadros de pequenas dimensões. Destacam-se Tomás da Anunciação, João Cristino da Silva, Leonel Marques Pereira e Auguste Roquemont. Outros pintores se destacam noutro tipo de pintura. O retrato, tornou-se a especialidade do chamado Visconde de Meneses, aristocrata de nascimento, seguindo a linha dos grandes retratistas britânicos. Pintor de grande sensibilidade e talento fixa a sociedade elegante, em simultâneo com um percurso mais pessoal, baseado em cenas de costumes populares. A sua grande qualidade como retratista é inegável, como se pode ver na sua obra mais conhecida, "O retrato da Viscondessa de Meneses", de 1862, mostrando a sua esposa com um elegante vestido de corte, numa varanda com paisagem, colocando-o entre os grandes retratistas do seu tempo. Miguel Ângelo Lupi tenta vários percursos artísticos, desde os costumes à pintura de história, destacando-se também como retratista. Pintor de talento, chegou a ser nomeado professor da academia. Na pintura de história Francisco Metrass é o principal representante. Existem ainda outros artistas mas tornar-se ia exaustivo estar a nomear todos, pelo que se optou por referir apenas os principais.

Jardins[editar | editar código-fonte]

Jardins do Palácio de Monserrate em Sintra um trabalho de paisagismo elaborado pelo pintor William Stockdale com o botânico William Nevill e James Burt, mestre jardineiro.

O Jardim, chamado à inglesa, é um dos elementos indispensáveis no Romantismo. É caracterizado por um arranjo paisagístico, simulando ou melhorando a natureza, onde se integra o edifício, bem como pavilhões puramente cenográficos, falsas ruínas e/ou pagodes. Surge nesta época como reacção ao jardim geométrico, dito à francesa, de tradição barroca, tornando-se um reflexo da mentalidade romântica e do individualismo.

Em Portugal, apesar dos inúmeros exemplos, principalmente no norte do país, destaca-se o admirável conjunto de jardins românticos em Sintra. Nestes são de referir o parque do Palácio Nacional da Pena, bem como das restantes quintas históricas, das quais é indispensável assinalar Monserrate e Regaleira. Os arranjos paisagísticos, povoados de espécies exóticas vindas dos quatro continentes, integram-se no relevo da serra que, devido às características do solo e clima, desenvolvem todas as espécies de forma invulgar.

Referências

  1. França, José-Augusto. História da Arte em Portugak - O Pombalismo e o Romantismo. Ano de Edição: 2004. Editorial Presença. ISBN: 9789722331548
  2. Dias, Pedro. História da Arte Portuguesa no Mundo. Círculo de Leitores, Lisboa, Portugal.

Ver também[editar | editar código-fonte]