Instituição total

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Instituição total é aquela que controla ou busca controlar a vida dos indivíduos a ela submetidos substituindo todas as possibilidades de interação social por "alternativas" internas. O conjunto de efeitos causados pelas instituições totais nos seres humanos é chamado de institucionalização.

Algumas características importantes das instituições totais são:

  • conselhos de observadores e patronos, normalmente integrados por membros da classe média alta, os chamados "grandes e notáveis"
  • cozinhas, refeitórios e dormitórios coletivos
  • desrespeito aos direitos humanos e à dignidade dos internos
  • envolvimento de internos em trabalhos não-remunerados ou mal remunerados em troca de pequenos privilégios
  • frequência compulsória a cultos religiosos
  • localização rural e/ou isolada
  • regimes autoritários e opressivos
  • regras e código de conduta severos
  • restrições à liberdade pessoal e à posse de objetos pessoais
  • separação rígida dos sexos
  • sistema administrativos hierárquicos
  • uso excessivo de restrições físicas e medicamentosas
  • uso obrigatório de uniformes

Histórico[editar | editar código-fonte]

Reino Unido[editar | editar código-fonte]

Organizações públicas e civis ganharam grande autoridade e poder durante e após o século posterior à Revolução Industrial na Inglaterra e em outras nações em rápido desenvolvimento. A crescente demanda industrial por grandes suprimentos de força de trabalho no século XIX também criou a idéia de que as necessidades e direitos dos indivíduos vulneráveis ou improdutivos fossem considerados de menor importância do que as necessidades da sociedade como um todo. Grandes contingentes de mendigos e altas taxas de criminalidade e doença foram as consequências das mudanças sociais e econômicas massivas experimentadas no período posterior à vitória da Inglaterra na Batalha de Waterloo.

Durante o período que vai de 1850 a 1930 diversos tipos de instituições foram criadas na Inglaterra por demanda popular, do parlamento e de autoridades locais para prover abrigo, atenção à saúde, educação e suporte financeiro a indivíduos em necessidade. Na ponta superior da escala, internatos públicos como os de Eton e de Harrow foram criados ou grandemente expandidos para atender a demanda crescente por educação para os filhos daqueles que prestavam serviço na colonias além-mar. Eram vistos como modelos de evolução social e muitas versões pioradas surgiram para atender às camadas menos favorecidas da população. Praticamente todo burgo do Reino Unido foi obrigado por força de lei a providenciar alguma forma de auxílio aos pobres, criminosos, órfãos, mutilados de guerra, idosos sem condições de se manter além de escolas para surdos e cegos como também asilos ou manicômios para pessoas com dificuldade de aprendizagem ou com problemas mentais.

Muitas dessas organizações, apesar de expressarem objetivos e aspirações idealísticas, se tornaram instituições totais na acepção completa da expressão no espaço de uma ou duas gerações a partir de sua criação produzindo e garantindo espaço para controles sociais e ocupacionais severos. Internos ficam presos a um sistema que não apresenta nenhuma rota óbvia de escape ou promoção. Ainda nos anos 1950, na Inglaterra centenas de milhares de pessoas viviam em manicômios e "colônias" vitorianos.

A resistência de muitas instituições à mudança, conforme previsto por Enoch Powell, segue no século XXI e ainda há milhares de pessoas internadas de maneira permanente nos manicômios remanescentes por todo o Reino Unido.