Carbeas

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Karbeas)
Ir para: navegação, pesquisa
Carbeas
Morte 863
Nacionalidade Império Bizantino
Ocupação Oficial militar
Religião Paulicianismo

Carbeas (em grego: Καρβέας; transl.: Karbéas) foi um líder pauliciano, fundador e regente do Estado Pauliciano de Tefrique entre ca. 843 até sua morte em 863.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Mapa da Anatólia bizantina e a fronteira árabe-bizantina em meados do século IX.

Carbeas era um protomandator (oficial sênior) a serviço de Teódoto Melisseno, o estratego do Tema Anatólico.[1] [2] Nas primeiras décadas do século IX, os paulicianos (seguidores de Paulo de Samósata, bispo de Antioquia do século III) estavam estabelecidos como uma comunidade numerosa e combativa, mas vista como herege pelo Estado Bizantino e, por isso, eram perseguidos de forma intermitente.

Sob a liderança de seu líder espiritual e militar, Sérgio Tíquico, eles se revoltaram várias vezes contra Bizâncio a partir de seus diversos redutos na Anatólia, colaborando às vezes com os árabes.[3] Como resultado, a imperatriz regente bizantina Teodora iniciou uma enorme perseguição por todo o império contra os paulicianos em 843, onde supostamente 100 000 paulicianos foram mortos. Com cerca de 5 000 seguidores, Carbeas fugiu para o emirado árabe de Melitene[1] [4] Porém, é possível que Carbeas e seus correligionários já tivessem fugido para os árabes durante o reinado do marido de Teodora, Teófilo (r. 829–842).[5]

Com o auxílio do emir de Melitene, Ambros, Carbeas fundou um Estado pauliciano independente centrado em Tefrique, no Alto Eufrates, que também incluía as recém-fundadas cidades de Amara e Argaus. De lá, ele participou regularmente dos raides (razias) dos emirados árabes na fronteira na Anatólia bizantina.[4] [6] De acordo com o patriarca de Constantinopla Fócio, Carbeas era apenas o líder militar da comunidade pauliciana, pois nenhum sucessor de Sérgio como líder espiritual fora nomeado.[7] Ele morreu em 863, ou de causas naturais ou nas mãos dos bizantinos na Batalha de Lalacão,[1] [8] e foi sucedido por seu sobrinho, Crisóquero.[9]

Carbeas tem sido sugerido como a inspiração por trás de Karoes (Καρώης), o tio muçulmano do pai de Digenis Acritas, o herói homônimo da mais famosa das "canções acríticas". Similarmente, Crisóquero seria o avô de Digenes, Crisóquerpes (Chrysocherpes).[10] [11] De acordo com o relato do século X de al-Mas'udi, ele estava entre os muçulmanos ilustres cujos retratos estavam em exposição nas igrejas bizantinas em reconhecimento por seu valor.[10]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c Kazhdan 1991, p. 1107
  2. Nersessian 1987, p. 79
  3. Nersessian 1987, p. 52–53
  4. a b Nersessian 1987, p. 53
  5. Vasiliev 1935, p. 229–231
  6. Whittow 1996, p. 310–311
  7. Nersessian 1987, p. 23–24
  8. Whittow 1996, p. 311
  9. Kazhdan 1991, p. 452
  10. a b Vasiliev 1935, p. 231 (Note #1)
  11. Beaton 1993, p. 35, 42

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Kazhdan, Alexander Petrovich. The Oxford Dictionary of Byzantium. Nova Iorque e Oxford: Oxford University Press, 1991. ISBN 0-19-504652-8
  • Vasiliev, A. A.. Byzance et les Arabes, Tome I: La Dynastie d'Amorium (820–867) (em francês). Bruxelas: Éditions de l'Institut de Philologie et d'Histoire Orientales, 1935.
  • Whittow, Mark. The Making of Byzantium, 600–1025 (em inglês). [S.l.]: University of California Press, 1996. ISBN 978-0-520-20496-6