MOOC

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Curso Online Aberto e Massivo, do inglês Massive Open Online Course (MOOC), muque ou moque em português, é um tipo de Curso Aberto através da web (por meio de AVA e/ou ferramentas das Web 2.0 e/ou Redes Sociais) que visam oferecer para um grande número de alunos a oportunidade de ampliar seus conhecimentos num processo de co-produção.

MOOC é um desenvolvimento recente na área de educação a distância, e uma progressão dos ideais de educação aberta sugerido pelo REA - Recursos Educacionais Abertos. Embora o projeto e participação em um MOOC pode ser semelhante ao de um curso em uma faculdade ou universidade, o MOOC normalmente não exigem pré-requisitos mas também não oferecem certificados de participação. Talvez no futuro possa haver validação por uma Universidade através de uma avaliação presencial.

O MOOC tem como raízes o movimento dos Recursos Educacionais Abertos e do Conectivismo. Mais recentemente, uma série de projetos de MOOC têm surgido de forma independente, como Coursera , Udacity , e EDX[1] . O investimento financeiro, de forma significativa em 2012, que as instituições aplicaram nesses projetos ajudou a ganhar a atenção do grande público para o MOOC chegando a ser tema do New York Times em novembro de 2012[2] . Cogita-se que esses projetos MOOC objetivam fazer experimentos para transformar os atuais cursos do tipo e-learning mais escaláveis, sustentáveis e rentáveis.

Características Básicas do MOOC[editar | editar código-fonte]

Enquanto não há uma definição em comum aceita do que seja um MOOC, duas características básicas merecem ser destacadas:

  • Acesso aberto: Para participar de um MOOC não precisa ser um aluno efetivamente matriculado em uma escola clássica, e não é obrigado a pagar nenhuma taxa. Embora possam ter custos de manutenção, mas em princípio são totalmente gratuitos e abertos para qualquer tipo de público;
  • Escalabilidade: Muitos cursos tradicionais dependem de um certo número de participantes e alguns professores para serem iniciados. No entanto, pela proposta do MOOC em ser massivo sugere que o curso é projetado para suportar um número indefinido de participantes.

Outras características associadas com esses projetos de MOOC's iniciais, são o licenciamento aberto de conteúdo (Creative Commons), estrutura aberta e metas de aprendizagem, comunidade de prática, etc. Embora possam não estar presente em todos os projetos MOOC's[3] .

Destaca-se também, conforme o Prof. Figueiredo[4] , que haveriam os cMOOC's, com fortes influências conectivistas, e os xMOOC's mais tradicionais e estruturados como os do MIT. Quanto aos cMOOC's, onde os investimentos estão sendo maiores, Figueiredo destaca:

  • Exploratórios: o desenvolvimento dos cMOOC's segue um percurso exploratório, de ciclos de tentativa-erro-reflexão;
  • Disruptivos: os cMOOC's possuem uma poderosa semente para romper com a clássica forma de ensinar e aprender;
  • Desconstrutivos: na reforma de uma velha casa é mais fácil, e produtivo, destruí-la e criar um novo projeto, estrutura e design;
  • Incubadoras: os cMOOC's são verdadeiros ninhos para explorarmos novas práticas na educação e agregar o potencial da Inteligência Coletiva da Web 2.0.
  • Contextuais: como o conhecimento vai sendo co-produzido por todos o mais importante fica sendo o contexto, e não o conteúdo. Conhecimento gerando mais conhecimento.

História[editar | editar código-fonte]

Origem do MOOC[editar | editar código-fonte]

Os criadores do Conectivismo como sendo uma nova Teoria de Aprendizagem, George Siemens e Stephen Downes, em 2008 para ampliar a discussão sobre a sua polêmica teoria ofereceram um curso sobre “Connectivism and Connective Knowledge” (Conectivismo e Conhecimento Conectivo) para 25 alunos pagantes da Universidade de Manitoba (Canadá) e para outros 2300 estudantes que puderam participar do curso gratuitamente pela internet.

Essa iniciativa foi chamada de MOOC – Massive Open Online Course - por Dave Cormier, Gerente de Comunicação na Web e Inovações na Universidade de Prince Edward Island, e pesquisador Senior do Instituto Nacional de Tecnologia na Educação Liberal [5] .

Precursores[editar | editar código-fonte]

Antes do advento da Era da informação, a Educação a distância surgiu através dos cursos por correspondência, via TV e formas primitivas de E-learning. Por volta do ano de 1890 cursos por correspondência especializados em assuntos como testes para concursos públicos eram promovidos e vendidos porta a porta nos Estados Unidos. [6] Em 1920, nos Estados Unidos, mais de 4 milhões de americanos — significativamente mais do que a população do ensino superior na época — estiveram matriculados em algum tipo de cursos técnicos a distância, com uma taxa de sucesso inferior a 3%.[7]

Em 1920, quando o Rádio era considerado a mais avançada tecnologia de comunicação em massa, as Universidades dos Estados Unidos rapidamente definiram concessões relativas às frequências de rádio. Em 1922, a Universidade de Nova York, pôs em operação sua própria estação de Rádio, com planos de difundir através dela os mais diversos conteúdos. Outras univeridades acompanharam tal movimento, incluindo Columbia, Harvard, Kansas State, Ohio State, NYU, Purdue, Tufts, e as Universidades de Akron, Arkansas, California, Florida, Hawaii, Iowa, Minnesota, Nebraska, Ohio, Wisconsin, and Utah.

Ainda em 1920, o jornalista americano Bruce Bliven ponderou em rede nacional: "Estaria o rádio se tornando a espinha dorsal da educação a distância? A sala de aula será abolida e as crianças do futuro serão alimentadas com fatos enquanto permanecem sentadas em casa ou, até mesmo, enquanto andam pelas ruas com seus receptores de rádio nos bolsol?".[8] Nesta época, os números de estudades que liam livros de texto e participavam de aulas a distância, porém a taxa de rejeição de tais cursos eram relativamente alto. Além disso, a tutoria através deste meio era difícil devido a distância. Em 1940, 20 anos depois, os cursos via rádio praticamente sumiram.[9] A instituição australiana conhecida como Escola dos Ares utilizou a tecnolgia de rádios bidirecionais para ensinar crianças em locais remotos em 1951.

Filmes falados foram a tecnologia do momento entre as décadas de 1930 e 1940. Filmes foram utilizados para treinar milhões de recrutas americanos sobre o uso e operação de diversos equipamentos durante a segunda guerra mundial. Diversas universidades televisaram aulas no fim da década de 1940 na Universidade de Louisville. Na década de 1980, diversas universidades foram conectadas a outros campus através de vídeos de circuito fechado para o lecionamento de cursos avançados a pequenos grupos de alunos. Em 1994, milhões de universidades já ofereciam programas de graduação a distância com mais de 150 cursos superiores. [10]

Desenvolvimentos recentes[editar | editar código-fonte]

2012 ficou conhecido como o "Ano dos MOOCs" pois diversas iniciativas alavancadas por investimentos e associadas com universidades bem conceituadas sugiram. Exemplos são Coursera, Udacity e edX.[11]

Em outubro de 2011 a Universidade Stanford lançou três cursos e, cada um deles, alcançou a marca de 100.000 inscritos.[12] Com a grande aceitação de tais cursos Daphne Koller e Andrew Ng deram início ao Coursea. Alavancados pela tecnologia já desenvolvida em Stanford, o Coursera tornou público dois cursos: Aprendizagem de máquina, lecionado por Andrew Ng e Banco de dados, lecionado por Jennifer Widom. Posteriormente o Coursera anunciou parcerias com diversas universidades, incluindo a Universidade da Pensilvânia, Universidade de Princeton e Universidade de Michigan.

Preocupado com a comercialização da educação online, o MIT lançou a plataforma sem fins lucrativos chamada MITx poucos meses depois como um esforço para desenvolver uma plataforma grátis e livre. A Universidade de Havard apoiou a iniciativa e se juntou ao projeto, que passou a se chamar edX. Pouco tempo depois a Universidade da Califórnia também adotou a plataforma. Atualmente a iniciativa conta com o apoio também das universidades do Texas, Wesley College e Universidade de Georgetown.

Em novembro de 2012, o primeiro MOOC voltado para o ensino médio foi lançado nos Estados Unidos pela Universidade de Miami. O curso foi voltado para estudantes de ensino médio em preparação para o exame SAT para biologia. Nesta época o Wedubox, o primeiro grande MOOC em espanhol, deu início ao seu primeiro curso, contando com mais de 1.000 professores.[13]

Iniciativas em língua portuguesa[editar | editar código-fonte]

No Brasil, a primeira iniciativa MOOC foi lançada pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp) em 14 de junho de 2012 com o nome Unesp Aberta. A plataforma disponibiliza gratuitamente os conteúdos e materiais didáticos dos cursos de graduação, pós-graduação e extensão da Universidade, elaborados em formato digital em parceria com o Núcleo de Educação a Distância da Universidade (NEaD) para qualquer pessoa com acesso a Internet no Brasil e no mundo. Estes materiais são organizados em cursos completos e livres, sem certificação ou assessoria pedagógica, e estão divididos em áreas do conhecimento e temas abordados. Os 70 cursos disponíveis possuem conteúdos como videoaulas, textos, atividades, animações, apostilas e softwares educacionais de disciplinas das áreas de Humanas, Exatas e Biológicas, que estão hospedados no Acervo Digital da Unesp. A Unesp Aberta reúne, também, 196 e-books do selo Cultura Acadêmica (iniciativa da Editora Unesp e da Pró-Reitoria de Pós-Graduação da Unesp) e o acervo da biblioteca digital – que agrupa materiais pertencentes aos centros de documentação da Universidade e do sistema de bibliotecas. Mais de 37.400 pessoas já se inscreveram para realizar um destes cursos e a plataforma já foi visualizada mais de 1 milhão e 600 mil vezes.

O primeiro MOOC em língua portuguesa foi o MOOC EaD[14] [15] [16] , sobre Educação a Distância, coordenado pelos professores brasileiro João Mattar e português Paulo Simões com o apoio do TIDD - Programa de Pós-Graduação em Tecnologias da Inteligência e Design Digital da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e da ABED - Associação Brasileira de Educação a Distância, realizado no segundo semestre de 2012, mas que não ofereceu certificação. De Abril a Junho de 2013, João Mattar coordenou o MOOC LP (Língua Portuguesa)[17] [18] , que teve 5.100 inscritos e certificação emitida pela ABMES - Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior[19] .

Em seguida, foram lançados MOOCs com certificação pela Universidade de São Paulo (USP)[20] [21] em junho de 2013 em parceria com o portal brasileiro Veduca com dois cursos MOOC: Física Básica, do professor Vanderlei Salvador Bagnato, e Probabilidade e Estatística, dos professores Melvin Cymbalista e André Leme Fleury[22] . Qualquer pessoa com acesso à internet pode fazer os cursos pelo site www.veduca.com.br. Os estudantes que desejarem obter um certificado precisam fazer uma prova presencial. Nas duas primeiras semanas desde o lançamento, que aconteceu na Escola Politécnica da USP no dia 12 de junho de 2013, os dois cursos receberam inscrições de mais de 10.000 estudantes[23] .

Práticas educacionais e cursos relacionados[editar | editar código-fonte]

Até o dado momento existem poucas práticas ou definições neste campo. Três organizações, Khan Academy, Universidade Peer-to-Peer (P2PU) e Udemy também são vistas como iniciativas similares a MOOCs porém diferem por trabalharem de forma independente ao sistema de ensino superior. Estas iniciativas proveem aulas individuais nas quais os alunos estão aptos a seguir o curso no seu próprio ritmo e de forma assíncrona com os demais estudantes. [24] [25]

Abordagens de Design Instrucional[editar | editar código-fonte]

Devido a escala massiva de estudantes e à alta razão entre estudante-professor, os MOOCs requerem que o Design Instrucional permita interações e feedback em larga escala. Existe duas abordagens principais para atingir este objetvo:

  • Interação e feedback orientados a Crowdsourcing
  • Feedbacks automatizados através de definição de objetivos, exames online, etc.

MOOCs conectivistas se apoiam na primeira abordagem; MOOCs de broadcast tal qual os oferecidos pelo Coursera ou Udacity seguem a segunda.[26]

Uma vez que MOOCs criam uma forma de conectar aprendizes e professores de diversas áreas de conhecimento, alguma abordagens de Design Instrucional procuram maximizar as oportunidades de interconexão e pessoas. Tais abordagens podem incluir, por exemplo, a construção do próprio MOOC de forma coletiva.

A evolução dos MOOCs também tem causado a inovação dos materiais instrucionais. Uma tendência na área é o uso de livros-texto não tradicionais, tais como graphic novels, para aumentar os níveis de retenção dos alunos.[27] Alguns veem a possibilidade de vídeos e outros materiais produzidos para MOOCs se tornarem a forma moderna de livros-texto.[28]

Custo instrucional da distribuição de MOOCs[editar | editar código-fonte]

Em 2013 o Jornal da Educação Superior entrevistou 103 professores que ensinaram em MOOCs. "Tipicamente um professor gasta algo em torno de 100 horas no desenvolvimento do MOOC antes mesmo dele começar. Este tempo é gasto na gravação de vídeos e outros tipos preparativos". Os professores, após o início do curso, gastam entre 8 e 10 horas por semana participando de fóruns de discussão e postando materiais.

Em média foram: 33.000 alunos matriculados no MOOC; 2.600 concluiram o curso; e um professor assistente ajudando com o desenvolvimento da aula. 74% das aulas utilizaram notas automáticas e 34% utilizaram avaliações par-a-par. 97% usam vídeos originais no curso, 75% utilizam recursos educacionais abertos. [29] [30]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Smith, Lindsey "5 education providers offering MOOCs now or in the future". July 31 2012.
  2. Laura Pappano. The Year of the MOOC - The New York Times. November 2, 2012
  3. Wiley, David. "The MOOC Misnomer". July, 2012
  4. Figueiredo, A. Dias. "António Dias de Figueiredo ver artigo: MOOCs – Virtudes e Limitações". out, 2012
  5. "WIKI dedicado para a discussão sobre MOOC"
  6. J.J. Clark, "The Correspondence School--Its Relation to Technical Education and Some of Its Results," Science (1906) 24#611 pp. 327–334 in JSTOR
  7. Joseph F. Kett, Pursuit of Knowledge Under Difficulties: From Self-Improvement to Adult Education in America (1996) pp 236-8
  8. Susan Matt and Luke Fernandez, "Before MOOCs, 'Colleges of the Air,'" Chronicle of Higher Education April 23, 2013
  9. Matt and Fernandez, "Before MOOCs"
  10. James P. Duffy, How to Earn a College Degree Without Going to College (2nd ed. 1994) p.5
  11. Smith, Lindsey "5 education providers offering MOOCs now or in the future". July 31, 2012.
  12. Richard Pérez-Peña. "Top universities test the online appeal of free", July 17, 2012. Página visitada em July 18, 2012.
  13. Horacio Reyes. "History of a revolution in e-learning". Página visitada em Aug 10, 2012.
  14. http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=85111
  15. https://www.institutoclaro.org.br/blog/conheca-plataformas-mooc-novo-conceito-de-educacao-a-distancia/
  16. http://www.professortic.com/2012/10/mooc-ead-educacao-a-distancia-em-debate-luso-brasileiro/
  17. http://porvir.org/porfazer/mooc-de-lingua-portuguesa-atinge-diferente-publicos/20130417
  18. http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,depois-de-sucesso-nos-eua-cursos-de-universidades-de-ponta-chegam-ao-brasil,1058817,0.htm
  19. http://www.abmes.org.br/abmes/noticias/detalhe/id/779
  20. http://g1.globo.com/jornal-da-globo/noticia/2013/06/usp-comeca-ministrar-cursos-pela-internet-gratuitamente.html
  21. http://pro.poli.usp.br/noticias/professores-pro-primeiro-mooc
  22. http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,usp-lanca-primeiro-curso-virtual-gratuito-de-nivel-superior-da-america-latina,1041146,0.htm
  23. http://noticias.terra.com.br/educacao/primeiro-curso-superior-virtual-da-america-latina-ja-soma-10-mil-inscritos,2a26b78c2b28f310VgnCLD2000000ec6eb0aRCRD.html
  24. Yuan, Li, and Stephen Powell. MOOCs and Open Education: Implications for Higher Education White Paper. University of Bolton: CETIS, 2013. pp. 7-8.
  25. "What You Need to Know About MOOCs". Página visitada em March 14, 2013.
  26. Carson, Steve. "What we talk about when we talk about automated assessment" July 23, 2012
  27. Price, Matthew (2013-03-01). First massive open online course at University of Oklahoma to feature graphic novel The Oklahoman. Página visitada em 2013-03-01.
  28. Young, Jeffrey R. (January 27, 2013). The Object Formerly Known as the Textbook Chronicle of Higher Education. Página visitada em March 14, 2013.
  29. Kolowich, Steven. "The Professors Who Make the MOOCs", March 26, 2013. Página visitada em March 26, 2013.
  30. "Additional Results From The Chronicle's Survey", March 26, 2013. Página visitada em March 26, 2013.