Mexilhão

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Miesmuscheln Mytilus 1.jpg

Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Mollusca
Classe: Bivalvia
Ordem: Mytiloida
Família: Mytilidae
Género: Mytilus
Espécie
  • Mytilus edulis
  • Mytilus galloprovincialis

O mexilhão (Mytilus edulis ou Mytilus galloprovincialis) é um molusco bivalve da ordem Mytiloida, consumido como fonte de alimento.

Os mexilhões são animais sésseis que vivem nas zonas intertidais, fixos pelo bisso às rochas costeiras. A sua concha é negra azulada, sem ornamentação a não ser as linhas de crescimento. A sua charneira é disodonte. Entre os predadores naturais do mexilhão encontra-se a estrela do mar.

São usados com frequência como indicador de poluição marinha, devido a sua habilidade de filtração aquática como forma de obter nutrientes.

Tal como a ostra, o mexilhão tem a capacidade de produzir pérolas, algumas delas com grande valor no mercado.

Espécies[editar | editar código-fonte]

O Mytilus edulis existe na costa atlântica da Europa, enquanto que o Mytilus galloprovincialis existe na região mediterrânica e na costa atlântica portuguesa. A espécie atlântica é mais alongada, enquanto que a mediterrânica tem o umbo recurvado para baixo[1] . No Atlântico sul, nas Américas e em África existe o mexilhão castanho denominado Perna perna.

Biologia[editar | editar código-fonte]

O mexilhão vive numa grande variedade de habitats, de áreas entremarés a zonas completamente submersas, com uma vasta gama de temperaturas e salinidade. Alimenta se de fitoplâncton e de matéria orgânica ao filtrar constantemente a água do mar, pelo que é sempre cultivado em zonas ricas em plâncton. A qualidade da água é um fator muito importante para a cultura do mexilhão. Como características específicas do mexilhão podem referir se a sua elevada fecundidade e uma fase larvar móvel, o que permite a sua distribuição por uma vasta área. Normalmente, entre março e outubro, consoante a latitude, o mexilhão liberta larvas que são levadas pelas correntes. Em menos de 72 horas, essas larvas crescem e deixam de ter capacidade para flutuar, pelo que assentam, procurando pontos de fixação nos mais variados substratos.[2]

Cultura[editar | editar código-fonte]

A produção de mexilhão é a principal atividade de cultura de moluscos na Europa. Há referências de que, no século XIII, o mexilhão já era cultivado sobre estacas de madeira em França. A produção foi iniciada na costa atlântica com o mexilhão vulgar (Mytilus edulis), e depois na costa atlântica ibérica e no Mediterrâneo com o mexilhão do Mediterrâneo (Mytilus galloprovincialis), cuja criação se estende até ao mar Negro. Na natureza, encontram se frequentemente híbridos das duas espécies. A cultura começa com a recolha de larvas de mexilhão de leitos naturais ou de cordas ou outros suportes de captação colocados em locais determinados em função das correntes e da presença de microrganismos. As cordas são recolhidas e transferidas para viveiros propriamente ditos, normalmente entre maio e julho. Os juvenis são transferidos de leitos naturais para zonas de cultura costeiras abrigadas com recurso a dragas de arrasto específicas. Os três métodos de produção mais comuns nas zonas costeiras da União utilizam: • Cordas (principalmente em Espanha, no Mediterrâneo, na Irlanda e no Reino Unido) – os mexilhões são fixados a cordas suspensas verticalmente na água e presas a uma estrutura fixa ou flutuante (jangada). Na Galiza (Espanha), as jangadas são colocadas em estuários. Algumas explorações costeiras de cultura de mexilhão em França, na Irlanda e na Bélgica utilizam palangres. • Estacas (designadas bouchots em França) – este tipo de cultura é realizado em filas de estacas de madeira cravadas na zona da baixa mar. São fixadas e enroladas cordas ou tubos de captação cheios de larvas, com 3 a 5 m de comprimento, em volta das estacas. É colocada uma rede que cobre toda a estrutura, a fim de evitar que os mexilhões caiam. • Em bancos (sobretudo nos Países Baixos, na Irlanda e no Reino Unido) – Os juvenis são repartidos por bancos a pouca profundidade, geralmente em baías ou locais abrigados e fixam-se no solo. São apanhados 12 a 15 meses mais tarde.[3]

Produção e comércio[editar | editar código-fonte]

A nível mundial, a aquicultura responde por 95 % da produção total de mexilhão. A China e a UE são os dois principais produtores de mexilhão, seguidos do Chile e da Nova Zelândia. A maior parte do mexilhão comercializado na UE é produzida localmente. O Chile e a Nova Zelândia são os dois principais fornecedores de mexilhão congelado da UE, onde é utilizado como matéria prima na indústria transformadora. O volume de comércio no interior da União é muito importante, correspondendo a metade do valor total da oferta da UE. Os principais fluxos comerciais têm origem em Espanha, nos Países Baixos e na Dinamarca (mexilhão selvagem, no caso da Dinamarca) com destino à Bélgica, a França e a Itália. O mercado do mexilhão da UE é muito segmentado, com preços e períodos de comercialização que diferem em função da origem do molusco. As exportações de mexilhão da UE são muito limitadas e têm como principais destinos a Suíça e a Rússia.[4] Em 2011, a produção de mexilhão em Portugal foi de apenas 250 toneladas [5] . É esperado um elevado crescimento desta espécie devido, essencialmente, à instalação de várias unidades de produção na zona Offshore do Algarve. Para além desta região, o mexilhão também é produzido em pequenas quantidades na Lagoa de Albufeira (Sesimbra) e na Ria de Aveiro.

Culinária[editar | editar código-fonte]

Os mexilhões fazem parte da dieta dos países europeus onde se encontram naturalmente. Em Portugal, a forma mais típica como os pescadores a consumiam era assado sobre brasas, sobre uma telha . Os Mexilhões são também conhecidos como mariscos. São moluscos, de até seis centímetros de comprimento, casca escura, de cor castanha escura a preta envolvendo a carne avermelhada ou cor de creme. No Nordeste do Brasil, o sururu, um tipo de mexilhão, chega a oito centímetros. É muito importante que se saiba reconhecer se o produto está fresco, pois é grande o risco de intoxicações por mariscos. Ao comprá-los com casca, é fácil verificar seu estado: só adquira aqueles que tiverem as conchas fechadas. Há mariscos de mar e mariscos de mangue. Estes são os melhores, visto que são mais fáceis de limpar e têm menos areia.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Gibson, Chris. Pocket Nature: Seashore. Londres, 2008: Dorling Kindersley.
  2. A Pesca e a Aquicultura na Europa, nº 59 Dezembro 2012 - Comissão Europeia
  3. A Pesca e a Aquicultura na Europa, nº 59 Dezembro 2012 - Comissão Europeia
  4. A Pesca e a Aquicultura na Europa, nº 59 Dezembro 2012 - Comissão Europeia
  5. INE I.P: - Estatísticas da Pescca 2012, 2013 Lisboa - Portugal
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