Moteto
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
O moteto é um gênero musical polifônico surgido no século XII, onde, inicialmente, usavam-se textos distintos para cada voz. Dessa característica vem a origem do termo, derivado de mot, palavra, em francês. O moteto se tornará uma das grandes formas da música polifônica, sendo o apogeu de seu uso no contraponto modal do século XVI, apesar de sua importância para a música barroca e da recorrência a ele até por compositores românticos.
Índice |
[editar] História
Originado da chamada Escola de Notre Dame, o moteto era inicialmente uma clausula em que se mudava o texto da voz superior para um diferente do que era executado no cantus firmus. A esta voz, também chamada de duplum, foi acrescentanda uma terceira (triplum), em um ritmo mais rápido e com um texto que poderia estar em francês. Posteriormente, o duplum receberá textos na outra língua também. Isso foi favorecido pelo fato do moteto ter se afastado do ambiente religioso, pois era composto para ser tocado fora das igrejas, possibilitando o uso de textos seculares franceses. Durante a ars nova, o moteto será dotado de isorritmia no tenor e, algumas vezes, nas vozes superiores, culminando, com Guillaume Dufay, na maior expressão desse tipo. A partir de então, essa forma isorrítmica cairá em desuso. À partir desse período (c. 1420), volta-se a utilizar textos religiosos na sua composição. O desenvolvimento do moteto passa então a se concentrar na chamada Escola franco-flamenga, consolidando-se como nova forma no século XVI. Nessa época, o moteto será um contraponto feito sobre um texto religioso. O tenor ainda terá um cantus firmus como melodia, só que agora vindo de canções populares ou compostas pelo próprio autor. Foi acrescentada, ainda, uma linha melódica com a tessitura abaixo da do tenor, chamada baixo. Terá aí seu apogeu, sendo a principal forma e a mais utilizada. São representantes dessa época Palestrina, Lasso e Victoria. Fecha-se o ciclo, aqui, da composição de motetos modais. No barroco, pode-se dizer que a composição de motetos segue várias escolas distintas. A Igreja tinha em Palestrina o modelo de composição a ser seguido, o que origina numa forma de harmonia mais contida. Os grandes motetos franceses formavam outro ramo de composição, assim como o chamado moteto concertante, que era influenciado pela música drámatica operística e pelas cantatas. Os motetos corais tiveram em Bach seu grande representante.
[editar] Estilos
[editar] Escola de Notre Dame
Tendo Leonin e Perotin como seus maiores representantes, os motetos da Escola de Notre Dame eram feitos a partir de uma clausula, em que se substituía o texto da voz superior por outro, normalmente em latim, ou se acrescentava uma terceira voz (triplum), colocando textos seculares diferentes nas duas vozes superiores, mantendo o original, em latim, no tenor.
[editar] Ars nova
Motetos que utilizavam o isorritmo no tenor ou mais vozes, de grande complexidade rítmica e ainda com textos diferentes, em francês, para as vozes, agora quatro. São seus representantes Philippe de Vitry, Guillaume de Machaut e Guillaume Dufay.
[editar] Escola franco-flamenga
O início da formação do que seria o moteto renascentista do século XVI. Esses motetos utilizam textos religiosos. Eram escritos para até seis vozes. Será abandonada a isorritmia e voltará a ser feito sobre um cantus firmus tradicional. Josquin Desprez, a partir da técnica do cânone, terminará o desenvolvimento do moteto renascentista, criando o contraponto imitativo. São seus representantes Josquin, Mouton, Gombert, Okheghem, Busnois, Obrecht e Clemens non Papa.
[editar] Renascimento (séc. XVI)
O moteto renascentista propunha o estilo imitativo, isto é, cada voz entraria os versos com uma mesma proposta, mas continha passagens homofônicas, facilitando a compreensão do texto. De forma a unificar as propostas de toda a peça, normalmente uma era variação da outra, o que dava a música maior unidade. São seus representantes Palestrina, Lasso, Victoria, Morales, Willaert e Gabrielli.
[editar] Barroco
Correntes diferentes dividem o gênero, com destaque para o grande moteto francês, baseados nos salmos, tinham em sua execução a participação de solistas, orquestra, coro e conjunto instrumental. O pequeno moteto era composto para até três vozes e um contínuo. São seus representantes Lully, Du Mont, Charpentier, Rameau, Lalande, Campra e Couperin. Outra corrente se formaria à partir da tradição herdada de Palestrina, cujos representantes são Caldara, Lotti, Cazzati e Alessandro Scarlatti, sendo que, com este último, o moteto se aproxima das formas dramáticas como a ópera. O estilo concertante tem em Schütz seu principal compositor. Johann Sebastian Bach escreveu também seis importantes obras que chamou motetos. Estes eram peças relativamente longas, em alemão sobre temas sacros para coro e baixo contínuo. Os motetos de Bach são:
- BWV 225 Singet dem Herrn ein neues Lied (1726)
- BWV 226 Der Geist hilft unser Schwachheit auf (1729)
- BWV 227 Jesu, meine Freude (?)
- BWV 228 Fürchte dich nicht (?)
- BWV 229 Komm, Jesu, komm! (1730 ?)
- BWV 230 Lobet den Herrn alle Heiden (?)
Há também algumas peças de cantatas que são classificadas como moteto:
[editar] Classicismo e Romantismo
Os motetos desses períodos têm como principais compositores Mozart, Liszt, Bruckner, Brahms e Saint-Saëns.

