Orquestra Filarmônica de Los Angeles

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A Orquestra Filarmônica (português brasileiro) ou Filarmónica (português europeu) de Los Angeles (em inglês: Los Angeles Philharmonic) é uma orquestra americana baseada em Los Angeles, Califórnia. Apresenta concertos durante uma temporada que vai de outubro até junho, no Walt Disney Concert Hall, e na temporada de verão no Hollywood Bowl, de julho a setembro. Gustavo Dudamel é o seu atual diretor musical, e Esa-Pekka Salonen o seu maestro laureado.

Os críticos musicais descrevem a orquestra como a mais "contemporânea"[1] , "com visão de futuro"[2] , "inovadora"[3] , "aventureira e admirada"[4] dos Estados Unidos. De acordo com Salonen "Nós estamos interessados no futuro. Não estamos tentando recriar as glórias do passado, como tantas outras orquestras sinfônicas"[1] .

História[editar | editar código-fonte]

1919-19133: Fundação[editar | editar código-fonte]

A orquestra foi fundada em 1919 por William Andrews Clark Jr, um entusiasta artístico e violinista freelancer. Ele convidou Sergei Rachmaninoff para ser o primeiro diretor musical, entretanto, Rachmaninoff tinha acabado de se mudar para Nova Iorque e ele não desejou mudar-se novamente. Clark então selecionou Walter Henry Rothwell, que era assistente de Gustav Mahler, para ser o diretor. Ele contratou vários músicos das orquestras da Costa Leste e da recém extinta Sinfônica de Los Angeles. A orquestra apresentou seu primeiro concerto no mesmo ano, onze dias após seu primeiro ensaio. Clark muitas vezes tocou na orquestra, na seção dos segundo violinos[5] .

Hollywood Bowl.

Após a morte de Rothwell, os diretores musicais da década de 1920 foram Georg Schnéevoigt e Artur Rodziński.

1933-1950[editar | editar código-fonte]

Otto Klemperer tornou-se o diretor musical em 1933. Ele conduziu muitas premières com a orquestra e trouxe ao público de Los Angeles os novos trabalhos de Igor Stravinsky e Arnold Schoenberg. A orquestra respondeu bem aos seus comandos, mas Klemperer teve dificuldades em ajustar sua nova vida que seguiu-se com episódios de depressão.

As coisas se complicaram quando o fundador William Andrews Clark faleceu, sem deixar doação nenhuma a orquestra. Então foi criada a Associação Sinfônica do Sul da Califórnia, com o objetivo de estabilizar os fundos da orquestra, com Harvey Mudd como presidente, acelerando seus trabalhos para garantir o salário de Klemperer. Os concertos da Filarmônica no Hollywood Bowl geraram lucros significativos[5] [6] . Com isso, a orquestra passou pela Grande Depressão intacta.

Após a temporada de verão de 1939 no Hollywood Bowl, Klemperer visitou Boston e foi incorretamente diagnosticado com um tumor no cérebro e a cirurgia cerebral deixou-o parcialmente paralisado. Ele entrou num estado depressivo grave. Consequentemente, perdeu o cargo de Diretor Musical, mas conduziu a Filarmônica ocasionalmente depois disso, como a première musical da Sinfonia em Três Movimentos, de Igor Stravinsky em 1946[5] [7] .

Foi oferecido a Sir John Barbirolli o cargo de Diretor Musical, após o contrato dele com a Filarmônica de Nova Iorque expirar, em 1943, entretanto ele recusou a oferta e escolheu retornar a Inglaterra. No ano seguinte, Alfred Wallenstein foi escolhido por Mudd para conduzir a orquestra. Ele era o principal celista da Filarmônica de Nova Iorque e foi membro da Filarmônica de Los Angeles quando essa foi fundada, em 1919 e voltou a ela para conduzir, por causa de uma sugestão de Arturo Toscanini. Conduziu a orquestra no Hollywood Bowl em inúmeras ocasiões e em 1943 tornou-se o Diretor Musical[8] . Na gestão de Wallenstein, a orquestra fez inúmeras gravações de concertos com Angelenos, Jascha Heifetz e Arthur Rubinstein[5] .

1951-1968[editar | editar código-fonte]

Na metade da década de 1950, Dorothy Buffum Chandler, esposa do editor do Los Angeles Times, tornou-se a chefe da mesa diretora da orquestra. Em sua gestão, esforços foram feitos para criar um centro de arte para a cidade, que pudesse servir como a nova residência da Filarmônica. Ela e outros queriam um renomado maestro para conduzir a orquestra. Ao fim do contrato de Wallenstein, Chandler comandou os esforços para atrair o então maestro residente da Orquestra Real do Concertgebouw, Eduard van Beinum, para a Filarmônica, oferecendo a ele o cargo de Diretor Musical. Os músicos, direção e público amavam van Beinum, mas em 1959, ele sofreu um ataque cardíaco no palco, enquanto regia a orquestra em um ensaio na Orquestra Real do Concertgebouw e faleceu.

Em 1960 a orquestra ainda estava sob a direção de Chandler e assinou um contrato inicial de três anos com Georg Solti, após esse ter servido como Maestro Convidado nos concertos de inverno, no Hollywood Bowl.[9] . Os trabalhos de Solti começaram oficialmente em 1962 e a Filarmônica esperava que ele pudesse conduzir a orquestra quando essa se mudasse para sua nova residência no Pavilhão Dorothy Chandler. Começou a contratar novos músicos para a orquestra. Entretanto, Solti rompeu o contrato abruptamente em 1961 quando descobriu que os diretores nomearam o jovem Zubin Mehta, com 26 anos na época, como seu assistente[10] . Mehta foi nomeado Diretor Musical consequentemente.

1969-1997[editar | editar código-fonte]

Em 1969, a orquestra trouxe Ernest Fleischamnn para ser o Vice Presidente Executivo e Administrador. Durante sua gestão, a Filarmônica teve ideias revolucionárias, como a criação da Sociedade Filarmônica de Música de Câmara de Los Angeles e o Grupo Filarmônico de Música de Los Angeles.

Quando Zubin Mehta deixou a orquestra para assumir um cargo na Filarmônica de Nova Iorque, em 1978, Fleischamnn convidou Carlo Maria Giulini para tomar a posição de Diretor Musical, entretanto ele recusou o cargo depois que sua mulher ficou doente, e retornou a Itália.

Fleischmann então convidou André Previn, com a esperança de que ele conduzisse a orquestra, já que ele passou muito tempo nos estúdios de Hollywood. A temporada de Previn foi, musicalmente, satistatória, mas outros maestro, como Kurt Sanderling, Simon Rattle e Esa-Pekka Salonen renderam mais a orquestra. Previn teve muitos choques com Fleischmann, o mais famoso foi quando convidaram Salonen ao cargo de Maestro Convidado Residente sem consultar Previn, um fato parecido com o de Solti/Mehta. Por causa das objeções de Previn, a posição de maestro na turnê ao Japão, que foi feita a Salonen, foi canelada. Entretanto, Previn rompeu o contrato em 1989 e quatro meses depois Salonen foi nomeado o Diretor Musical, começando oficialmente em Outubro de 1992. Salonen conduziu a orquestra na sua estreia nos Estados Unidos, em 1984.

A temporada da orquestra com Salonen começou com a residência da orquestra no Festival de Salzburgo em 1992, num concerto da produção da ópera Saint François d'Assise, de Olivier Messiaen, essa foi a primeira vez que uma orquestra americana teve essa oportunidade. Salonen conduziu a orquestra em outras turnês pelos Estados unidos, Europa, Ásia e residências no Festival de Lucerne, no The Proms em Londres, e em um festival para as obras do próprio Salonen, em Colônia e o mais notável: em 1996 no Théâtre du Châtelet em Paris, para um festival de Igor Stravinsky, conduzido por Salonen e Pierre Boulez. Foi durante sua residência em Paris que a mesa diretora da Filarmônica começou seus esforços para arrecadar fundos para construir o Walt Disney Concert Hall.

Sob a liderança de Salonen, a Filarmônica teve um progresso extremo e ficou muito reconhecida. Alex Ross, do New Yorker disse:

"A Era Salonen em Los Angeles pode marcar a história recente da música clássica na América. Não é a história de um indivíduo passando sua personalidade para uma instituição - o que Salonen chama de 'empty hype' de condução- mas de um indivíduo e uma instituição trazendo o de melhor para o público."

1998 e hoje[editar | editar código-fonte]

Quando Fleischmann decidiu retirar-se da orquestra, em 1998, 28 depois, a orquestra nomeou Willem Wijhnbergen como novo Diretor Executivo. Wijnbergen, um pianista holandês e administrador artístico, foi o diretor da Orquestra Real do Concertgebouw. Uma das suas decisões mais importantes foi o anúncio que em Novembro de 1998 o programa do Hollywood Bowl iria mudar.

O programa de jazz seria aumentado de cinco concertos para oito e conduzidos por John Clayton com a Orquestra de Jazz Clayton-Hamilton[11] .

Depois de alguns sucessos, Wijnbergen deixou a orquestra em 1999 após uma controvérsia e até hoje não se sabe se ele teve algum desentendimento com a mesa de diretores da Filarmônica[12] .

Após um ano, Deborah Borba, então Diretora Executiva da [[Filarmônica de Nova Iorque, foi convidada a assumir o cargo na Filarmônica. Ela começou sua gestão em Janeiro de 2000 e depois de algum tempo ganhou o título de Presidente e Chefe Executiva. É creditada a ela o sucesso da orquestra ao mudar-se para o Walt Disney Concert Hall.

Walt Disney Concert Hall

Em Abril de 2007 ela anunciou que Esa-Pekka Salonen deixaria o cargo de Diretor Musical no fim da temporada de 2008/9, e Gustavo Dudamel seria seu sucessor[13] [14] [15] .

Apresentações em outros teatros[editar | editar código-fonte]

A orquestra apresentou sua primeira temporada no Auditório Trinity no Grand Avenida. Em 1920 mudou-se para a Avenida Olive, para um teatro conhecido como Clune's Auditorium, mas foi renomeado para Auditório Filarmônico[16] . De 1964 até 2003 a orquestra apresentou-se no Pavilhão Dorothy Chandler, no Centro de Música de Los Angeles. Em 2003 mudou-se para o Walt Disney Concert Hall, sendo sua residência na temporada de inverno (que vai de maio a junho).

Desde 1922 a orquestra apresenta-se a céu aberto, no Hollywood Bowl, na temporada de verão, que vai de Julho a Setembro.

A Filarmônica apresenta um concerto por ano na sua cidade irmã, Santa Barbara, tendo outros concertos regulares em todo Sul da Califórnia, em cidades como Costa Mesa, San Diego, Palm Spring, entre outras.

Maestros[editar | editar código-fonte]

Diretores musicais[editar | editar código-fonte]

Georg Solti aceitou o posto em 1960, mas recusou em 1961, sem ter começado sua temporada, oficialmente.

Maestros laureados[editar | editar código-fonte]

Depois do último concerto de Salonen como Diretor Musical da Filarmônica, dia 19 de Abril de 2009, a orquestra anunciou que ele seria o primeiro Maestro Laureado "como reconhecimento de nossa profunda gratidão a ele, significando nossa conexão permanente". Em responsta, Salonen disse:

"Quando a Direção me perguntou se eu aceitaria a posição de Maestro Laureado, fiquei emocionado. Esta organização tem estado no centro da minha vida a dezessete anos. Estou muito orgulhoso e honrado de me concederem esse prestigioso título, fico feliz em aceitar. A Filarmônica de Los Angeles sempre vai desempenhar um papel importante em minha vida e este é um símbolo do nosso relacionamento contínuo".

Maestros convidados residentes[editar | editar código-fonte]

Rattle e Tilson Thomas desempanharam as funções simultaneamente, sob a direção de Carlo Maria Giulini, embora que Tilson Thomas tenha ficado menos tempo. Eles são os únicos dois maestros a terem o título de Convidados Residentes. Essa posição foi oferecida a Esa-Pekka, mas retirada com o descontentamento de Previn.

No verão de 2005, a Filarmônica criou a nova posição, chamara Maestro Convidado Residente da Filarmônica de Los Angeles no Hollywood Bowl. Leonard Slatkin foi inicialmente nomeado, com um contrato de dois anos. Em Março de 2008, Bramwell Tovey foi nomeado para o posto, com um contrato inicial de dois anos[17] [18] .

Outros maestros notáveis[editar | editar código-fonte]

Outros maestro com quem a orquestra teve uma relação íntima incluem Sir John Barbirolli, Bruno Walter, Leopold Stokowski, Albert Coates, Fritz Reiner, e Erich Leinsdorf[19] ; mais recentemente, incluem-se na lista: Kurt Sanderling, Pierre Boulez, Leonard Bernstein, Christoph von Dohnányi e Christoph Eschenbach.

Muitos compositores conduziram a Filarmônica em concertos ou em premières mundiais de seus próprios trabalhos, incluindo Igor Stravinsky, William Kraft, John Harbison, Witold Lutosławski, Pierre Boulez, Steven Stucky, John Williams, John Adams, Thomas Adès e Esa-Pekka Salonen.

Um número de Maestros Assistentes/Associados tornaram-se renomados, incluindo Lawrence Foster, Calvin E. Simmons e William Kraft sob Mehta, Sidney Harth e Myung-whun Chung sob Giulini, Heiichiro Ohyama e David Alan Miller sob Previn e Grant Gershon, Miguel Harth-Bedoya, Kristjan Järvi e Alexander Mickelthwate sob Salonen.

Compositores residentes[editar | editar código-fonte]

Gravações[editar | editar código-fonte]

A orquestra realizou 78 gravações em LP em seus primeiros anos com Alfred Wallenstein e Leopold Stokowski, e na década de 1960 começou a fazer gravações regulares com a Decca, durante a gestão de Zubin Mehta como Diretor Musical. Continuou a gravar com Carlo Maria Giulini, mas para a Deutsche Grammophon e André Previn para Philips e Telarc Records. Michael Tilson Thomas, Leonard Bernstein e Sir Simon Rattle também fizeram inúmeras gravações na década de 1980. Nos últimos anos, Esa-Pekka comandou gravações para a Sony e Deutsche Grammophon. A gravação de Concerto para Orquestra de Béla Bartók, realizada para a Deutsche Grammophon em 2007, foi a primeira gravação de Gustavo Dudamel, com a Filarmônica.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Ross, Alex. (30 de abril de 2007). "The Anti-maestro; How Esa-Pekka Salonen transformed the Los Angeles Philharmonic". The New Yorker.
  2. Ross, Alex. (7 de janeiro de 2008). "Maestra; Marin Alsop leads the Baltimore Symphony.". The New Yorker.
  3. Patner, Andrew. (10 de abril de 2007). "Say it ain't so,' music fans lament; Triumphant CSO debut makes pain of losing him worse". Chicago Sun-Times.
  4. Page, Tim. (10 de abril de 2007). "Dudamel, 26, to Lead L.A. Orchestra". The Washington Post.
  5. a b c d Swed, Mark (31 de agosto de 2003). The Salonen-Gehry Axis The Los Angeles Times Magazine. Visitado em 3-5-2008.
  6. Rich, Alan. The Los Angeles Philharmonic Inaugurates Walt Disney Concert Hall Public Broadcasting Service. Visitado em 3-5-2008.
  7. Glass, Herbert. About the Piece: Symphony in Three Movements Site oficial. Visitado em 20-5-2008.
  8. Meckna, Michael. (outono de 1998). "Alfred Wallenstein: An American Conductor at 100". The Society for American Music Bulletin (Formerly the Sonneck Society for American Music Bulletin) XXIV (3). Visitado em 12-6-2010.
  9. Los Angeles Philharmonic Concert Listings, 1950–1960 CAMA Archives Santa Barbara Community Arts Music Association. Visitado em 3-5-2008.
  10. Time writers (14 de abril de 1961). Buffie & the Baton Time (revista). Visitado em 8-11-2007.
  11. Dutka, Elaine (11 de novembro de 1998). Bowl Reveals Tempo Changes Los Angeles Times. Visitado em 23-9-2009.
  12. Holland, Bernard (22 de agosto de 1999). Off-the-Podium Intrigue Surrounds Two Leading Jobs The New York Times. Visitado em 3-5-2008.
  13. Swed, Mark (8 de abril de 2007). Maestro will pass baton to up-and-comer in '09 Los Angeles Times. Visitado em 3-5-2008. [ligação inativa]
  14. Westphal, Matthew (8 de abril de 2007). Gustavo Dudamel to Replace Esa-Pekka Salonen at LA Philharmonic in 2009 Playbill Arts. Visitado em 3-5-2008.
  15. Haithman, Diane (9 de abril de 2007). L.A. Phil is getting the vibe Los Angeles Times. Visitado em 22-8-2008.
  16. History of the Los Angeles Philharmonic Site oficial. Visitado em 18-1-2008.
  17. Conductor Leonard Slatkin Opens Los Angeles Philharmonic's 2007 Season at Hollywood Bowl with Fireworks Los Angeles Philharmonic Association (10 julho 2007). Visitado em 2007-07-10.
  18. Pasles, Chris (18 março 2008). New conductors at Bowl Unveiled The Los Angeles Times. Visitado em 2008-06-22.
  19. Muggeridge, Donald. (1977). "A History of the Los Angeles Philharmonic". To the World's Oboists 5 (2). The International Double Reed Society. Visitado em 18-6-2008.