Oxigénio dissolvido

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Oxigénio dissolvido (OD ou DO), ou por vezes saturação em oxigénio, é uma medida relativa da quantidade de oxigénio que está dissolvido num determinado fluido ou é por ele transportado. A unidade padrão é em geral miligramas por litro (mg/l) ou partes por milhão (ppm). A medida, quando tomando como solvente a água, é utilizada na avaliação da qualidade das massas de água, no controlo da poluição, em ecologia aquática e em diversos outros ramos das ciências do ambiente e, num contexto diferente, tomando como solvente o sangue ou outro qualquer fluido fisiológico, nos estudos de fisiologia da respiração, avaliação do sistema circulatório e em diversos campos da medicina e da fisiologia animal.

Medição[editar | editar código-fonte]

Embora existam diversos métodos para medição do oxigénio dissolvido em água por titulometria, modernamente a medição é em geral feita recorrendo a um sensor de oxigénio, em geral um sensor químico de fibras ópticas (optode), acoplado a um adequado sistema electrónico de aquisição de dados.

Em aplicações no campo da fisiologia e da medicina, a saturação em oxigénio pode ser medida localmente, de forma não invasiva. Em medicina, a oxigenação arterial é em geral medida por oximetria de pulso e a saturação em tecidos à escala periférica pode ser medida por NIRS, técnica que pode ser usada em tecido muscular e em tecido cerebral.

Uso em fisiologia e medicina[editar | editar código-fonte]

Em fisiologia animal e medicina, a saturação em oxigénio em geral refere-se à oxigenação do sangue, de um fluido orgânico ou de um qualquer tecido, ou seja quando moléculas de oxigénio (O2) entram nos tecidos do corpo.

No caso do sangue, a oxigenação ocorre nos pulmões, onde as moléculas de oxigénio são transferidas do ar inspirado para o sangue. Nesse caso, a saturação em oxigénio, ou (O2)-sat, mede a percentagem de hemoglobina no fluxo sanguíneo cujos pontos de ligação estão ocupados por oxigénio.

Peixes, répteis, anfíbios, invertebrados, plantas e bactérias aeróbicas requerem oxigénio para respiração.

Uso em ecologia e ciências do ambiente[editar | editar código-fonte]

Em ciências do ambiente, nomeadamente na avaliação da qualidade do ambiente e em ecologia aquática, a saturação em oxigénio, ou oxigenação ambiental, em geral refere-se a uma medida da quantidade de oxigénio dissolvida numa massa de água ou presente nos fluidos que preenchem os poros de um solo. A oxigenação ambiental é em geral um factor ambiental importante para a avaliação da sustentabilidade e das características dos ecossistemas.

Um corpo de água bem misturado está plenamente saturado em oxigénio quando se atinge cerca de 10 mg/L de O2 a 15 °C.[1] O nível óptimo de oxigénio dissolvido (OD) é estuários é em geral superior a 6 ppm.

Insuficiente oxigénio (hipóxia ambiental), geralmente causada pela decomposição de matéria orgânica, acompanhada ou não por poluição por nutrientes, ocorre em massas de água tais como lagoas e rios, tendendo a reduzir, ou mesmo suprimir, a presença de organismos aeróbicos como os peixes. A desoxigenação aumenta a população relativa de organismos anaeróbicos, em especial de bactérias, resultando em mortandade de peixes e outros efeitos adversos. Estes efeitos causam alterações no equilíbrio ecológico das massas de água, aumentando a concentração de espécies anaeróbicas em detrimento das aeróbicas.

Notas