Perca-do-nilo

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Lates niloticus.png

Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Actinopterygii
Ordem: Perciformes
Subordem: Percoidei
Família: Latidae
Género: Lates
Espécie: L. niloticus
Nome binomial
Lates niloticus
(Linnaeus, 1758)
Cabeça de perca-do-nilo Lates niloticus

A perca-do-nilo (Lates niloticus) é um peixe da família dos Latidae (antes incluída nos Centropomidae e mudada em 2004),1 da ordem dos Perciformes, subordem dos Percoidei, que pode alcançar 2 m de comprimento. É originária da Etiópia.

Introdução no Lago Vitória[editar | editar código-fonte]

A introdução desta espécie no lago Vitória é um dos exemplos mais citados de efeitos nocivos que espécies invasoras podem causar aos ecossistemas.

Em 1954, a perca-do-Nilo foi introduzida nas águas do Lago Victoria, o maior lago tropical do mundo, visando reverter o drástico declínio da população de peixes autóctones, em decorrência da sobrepesca. A perca se adaptou perfeitamente ao novo habitat, em detrimento das espécies locais.

Em 1977 as capturas de ciclídeos representavam 32% da pesca (em massa), e as de perca-do-nilo apenas 1%. Seis anos depois, as capturas de percas-do-Nilo eram cerca de 68%, frente a 1% de ciclídeos.

A perca contribuiu para a o desaparecimento da biodiversidade do lago, com a extinção de mais de 200 espécies endémicas de peixes, em razão da depredação e da competição por alimentos. Dentre as espécies autóctones, o lago abrigava sobretudo uma grande quantidade de espécies de ciclídeos, fruto da diversificação explosiva ocorrida há cerca de 12 000 anos.

Os peixes capturados eram secados em fogueiras; o corte de mais árvores deu lugar à posterior erosão; os resíduos decorrentes contribuíram para aumentar os níveis de nutrientes das águas do lago, o que possibilitou uma eutrofização do lago. A invasão de algas reduziu a concentração de oxigênio na água e causou a morte de mais peixes.

A carne da perca é mais rica em gordura do que a dos peixes autóctones e muito mais valorizada comercialmente. A exploração comercial provocou o abandono da pesca tradicional e, além de produzir um efeito devastador sobre o meio ambiente, e no modo de vida das comunidades que dependem do lago. O grupo de especialistas em espécies invasoras da IUCN2 incluiu a Lates niloticus entre as cem espécies invasoras mais nocivas do mundo.

Apesar disso, um relatório da FAO, publicado em 1987, concluiu que a pesca da perca-do-Nilo no lago Victoria constitui "um desenvolvimento extremamente positivo do ponto de vista do bem-estar humano" .3

As cifras de capturas cresceram rapidamente. No Quênia, passaram de 1000 t em 1978, para 100000 t em 1993. A perca-do-Nilo constitui a principal fonte de divisas da Tanzânia. Diariamente 500 t de filés são enviadas do aeroporto de Mwanza para países da União Europeia.

A introdução da perca-do-nilo chegou a ser estudada na Austrália (Queensland), mas "em vista dos desastres causados por este peixe em vários lagos africanos", o governo local decidiu abandonar o projeto.4

O documentário O Pesadelo de Darwin, do realizador austríaco Hubert Sauper, denuncia as consequências da exploração da perca-do-Nilo, que o diretor apresenta como uma parábola dos problemas da África.

Referências